Chocante | Crítica

A parte mais chocante de Chocante (2017) é que o filme poderia dar muito errado, seja pela ideia maluca, pelo elenco ou até mesmo pelo roteiro. Mas o chocante mesmo é que não é isso que acontece com a produção nacional. Pelo ao contrario, a comédia é engraçada na medida certa, faz uma grande homenagem ao final dos anos 80 e ainda conta com um elenco de personagens secundários maravilhosos que agregam demais para a trama em vez de só ficarem orbitando pelos personagens principais.

Em Chocante, tudo é um pouco demais, assim como nos anos 80, então pode esperar um tom acima em tudo desde dos figurinos, dos cabelos e até mesmo da história que por ter figurinhas carimbadas da TV tanto aberta quando fechada deixa produção com ares bem global. Logo de início o filme dá um choque e começa sua história de forma rápida e sem muita delongas e assim o longa já embarca em um ar mais cômico sem deixar o lado dramático transparecer. E claro quando isso acontece ele perde um pouco de força e de fôlego afinal os hilários, Marcus Majella e Lucio Mauro Filho por mais que se esforcem são ator cômicos não conseguem se conectar com as partes um pouco mais sérias que são deixadas para Bruno Mazzeo e Bruno Garcia.

Foto: Imagem Filmes

Mas não se enganem, a química entre todos está fantástica e o filme consegue ao criar o clima de perdedores que merecem dar a volta por cima de forma bem interessante, esperta e com aquele sentimento propriedade e conhecimento. A produção esbanja de referências para a nossa realidade desde novas profissões quanto de participações especiais de figuras conhecidas da TV brasileira que deixam rir de si próprias e que acabar por deixar o filme com um ar meio de documentário em certos momentos.

Com tramas paralelas que são contadas brevemente entre uma piada e outra, afinal precisamos saber como a banda se separou não é mesmo?, o filme acaba por criar esse clima de mistério e meio que deixa outras coisas não muito bem desenvolvidas. Claro que é ai que gera o perigo, afinal temos as duas versões ao mesmo tempo dos integrantes da banda o que pode deixar o pessoal que for assistir em casa um pouco confuso. Assim, acompanhamos a trajetória de Clay (Majella), Tim (Mauro Filho), Téo (Mazzeo) e Tony (Bruno Garcia) desde da época do sucesso passageiro até os dias de hoje.

A trama continua até que eles eles acabam por inventar de se reunirem sempre incentivados pela fã número 1, Quézia, interpretada de um jeito fantástico pela ótima Débora Lamm que faz uma personagem fora de si, maluca, hilária e muito perturbada sem ficar feio ou muito caricato. Junto com ela, o ator Tony Ramos é outro que aparece pouco mais rouba a cena como o empresário Lessa e como ele diz “É show business minha gente” dá para perceber o quão versátil ele chega a ser e empresta seu talento para esse papel pequeno.

O ator Pedro Neschling, como Rod um famoso “influenciador” faz uma critica ao que é a fama e como ela é passageira mesmo que não tenha o mesmo tom de comédia que os outros e faz sempre a mesma piada em volta de si. E a não-tão mais atriz mirim Klara Castanho consegue colocar um pouco mais de realidade para o personagem de Mazzeo mesmo que no final seja o elo mais fraco com a trama mais batida, a lá Paizão (1999).

Como falamos com um visual bem global e não fugindo de uma fórmula própria do próprio Mazzeo, Chocante é uma comédia que choca por empolgar e usa uma temática saudosista para contar uma história sobre um grupo que nunca existiu de verdade mas que para que no final acaba por se esforçar tanto que fica impressão de realmente o filme é um retorno as telonas. O que acaba por fazer dessa comédia um acerto onde tinha tudo para dar errado.

Nota do Crítico:

Chocante estreia nos cinemas em 05 de outubro.

Miguel Morales

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