Carnival Row | Crítica da 1ª Temporada

A busca da Amazon Prime Video por uma série no estilo Game Of Thrones – com um grandioso universo, e com uma história que movimente as discussões fora dela – continua e parece que o streaming não vê problema em torrar dinheiro para fazer isso acontecer.

Carnival Row chega agora no final de Agosto, como a segunda grande aposta do ano do serviço de streaming da Amazon, logo após The Boys, com a missão de apresentar para o espectador um (adorável novo) mundo de fantasia cheio de fadas (as fae como chamado), misturas de seres mágicos, lutas de classes, e claro, conspirações e assassinatos que dão um toque de charme para a produção com estilo da Era Vitoriana. 

Cara Delevingne in Carnival Row (2019)
Carnival Row – Crítica – Foto: Prime Video

Cercado por uma extensa, complexa, e às vezes cansativa, mitologia Carnival Row faz um daqueles seriados que somos invadidos por uma quantidade imensa de detalhes, seja nos caprichados figurinos, ou nas interações dos personagens humanos com os critch (como são chamados os seres não-humanos de uma forma geral na série), onde tudo isso, contribui para o seriado entregar uma ambientação bastante impressionante e convidativa, e que deve criar uma legião de fãs de modo parecido que Senhor dos Anéis fez nos cinemas com uma geração inteira.

Mas, mesmo com toda essa pompa toda, Carnival Row ainda sofre com algumas coisas que no começo da temporada até passam batido por conta de um certo deslumbre com toda a história, e o novo mundo que nos é apresentado. Infelizmente, o texto acaba por não ser dos melhores, algumas falas são meio duras, e algumas tramas parecem estarem lá apenas para cumprir tabela, pense temporada final de Game Of Thrones, ok? . Claro, tudo isso se dá pelo fato que bem a Cara Delevingne não melhorou muito depois de sua desastrosa passagem por Esquadrão Suicida (2016) e Valerian e a Cidade dos Mil Planetas (2017), mas na medida do possível, segura as pontas, onde as interações e a química com o parceiro de tela Orlando Bloom, ajudam a compensar o fato, em que aqui, o ator eleva e nivela a atuação para os dois lados.

E no final, como boa parte desses dramas de fantasia, vide Harry Potter ou até mesmo Jogos Vorazes, a trama principal envolve o amor. E aqui, o grande gás que movimenta a trama é a relação tumultuada entre o inspetor Rycroft Philostrate, mais conhecido como Philo (Bloom) com a fada Vignette (Delevingne), onde a dupla irá enfrentar os maiores desafios para ficarem juntos, na medida que a trama parte para explorar questões mais políticas, num paralelo super interessante para os dias atuais sobre a questões de refugiados, intolerância contra seres e pensamentos diferentes, e claro, governantes com ideais mais radicais.

Orlando Bloom in Carnival Row (2019)
Carnival Row – Crítica – Foto: Prime Video

Com 8 episódios para o primeiro ano, Carnival Row gasta boa parte deles, pelo menos os três primeiros 1×01 – Some Dark God Wakes, 1×02 – Aisling 1×03 – Kingdoms of the Moon, para apresentar o universo criado pela dupla de roteiristas Travis Beacham e Rene Echevarria. Para os fãs do gênero, a série acaba por ser um prato cheio de diversão, onde a presença dos personagens coadjuvantes cativantes, e uma trama de mistério que envolve assassinatos, um misterioso serial killer, e conspirações ajudam a completam o pacote mágico que Carnival Row é nos entregue.

Assim, vemos a série dar tramas e tempo de tela para todos esses personagens, onde temos, como destaque, a atriz Indira Varma, como Piety Breakspear, um tipo de socialite no melhor estilo Victoria Grayson em Revenge, e o carismático Jarred Harris (que está no num bom ano, após Chernobyl) como Absalom Breakspear, um político com interesses maiores do que apresenta um primeiro momento, e Tamzin Merchant como Imogin que vive um romance também tumultuado.

Jared Harris in Carnival Row (2019)
Carnival Row – Crítica – Foto: Prime Video

Já renovada para um segundo ano, Carnival Row parece ter sido planejada aos poucos como um grande livro adaptado para a TV como um começo, meio, e fim, claros e definidos. Talvez, a jornada de episódios longos, com 1 hora de duração, e uma incerteza se a série continuaria ou não tenha apresado o desenvolvimento de algumas tramas e arcos narrativos que são concluídos no final de temporada com ótimo 1×08 – The Gloaming.

Esperamos que na nova temporada os roteiristas repensem alguns personagens, tramas, e sub-histórias que no primeiro ano pareceu ter mais do que deveríamos, mas isso não tira todo o charme, e o impressionante mundo criado pela Prime Video. O mix da série Pennyful Dreaful com os contos de J.R.R, Tolkien ajudam Carnival Row a destacar de uma forma completamente positiva, onde o serviço de streaming da Amazon continua seu ótimo trabalho em produções originais no ano, se destacando por um line-up bem diferente e ousado do que temos visto por aí ultimamente, num novo (e mágico!) acerto da plataforma.

Carnival Row chega em 30 de agosto.

Miguel Morales

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