Annabelle 3 – De Volta Para Casa | Crítica

Na nova fase do universo de terror compartilhado, temos a volta da boneca sensação do mal, Annabelle, onde para a Warner Bros é continuar a fazer novos longas, e não mexer em time que tá ganhando…. muito dinheiro, claro. E o terceiro filme sobre a personagem que acompanhou os Warren em diversos momentos da vida do casal, faz a boneca retornar para o lar e para a casa da dupla de investigadores paranormais.

E como tudo não são flores, e as forças do mal estão sempre querendo agir, Annabelle 3: De Volta Para Casa (Annabelle Comes Home, 2019) entrega mais um bom filme para a franquia, onde temos tudo aquilo que já foi visto até então, com bons sustos, momentos cheio de suspense e tensão, mas aqui, são entregues com uma leveza maior pelo roteiro de Gary Dauberman que dirige também o filme Claramente a história para Annabelle 3, criada por James Wan, sabe não se levar a sério, não tenta forçar uma necessidade de conectar sua trama com outros momentos dentro do terrorverse criado pela Warner Bros, e ainda, abre possibilidades promissoras para o futuro.

Steve Coulter, Vera Farmiga, and Patrick Wilson in Annabelle Comes Home (2019)
Annabelle 3 – De Volta Para Casa – Crítica | Foto: Warner Bros

Annabelle 3 trabalha com uma grande pergunta, o que fazer quando tudo está possuído? O novo filme continua dentro da franquia Invocação do Mal, mas conta uma história separada do arco principal de filmes, e que acerta ao expandir a mitologia que envolve o trabalho dos Warren. Ed (Patrick Wilson) e Lorraine (Vera Farmiga) voltam a fazer uma participação, onde aqui, o roteiro de Annabelle 3 meio que assume saber que o foco não é a dupla, e apenas, os coloca na trama para fazer a boneca retornar para o lar do casal. Fica claro, que o roteiro circula a personagem, como uma forma de abrir as portas para novas entidades do mal darem as caras nesse universo criado por Wan. E então Annabelle 3 é isso, um filme simples, mas eficaz sobre o que acontece quando se junta crianças curiosas que estão sozinhas num casarão cheio de coisas e objetos que já tiveram contato com demônios e outras figuras do mal.

Katie Sarife, Mckenna Grace, and Madison Iseman in Annabelle Comes Home (2019)
Annabelle 3 – De Volta Para Casa | Crítica

Assim, Annabelle 3 trabalha o foreshadowing, aquela técnica onde é apresentado alguma coisa que será importante para a história, e que quando aparece você precisa ficar ligado, seja ela por meio de um objeto em cena, uma fala de um personagem que aparece apenas ser aleatório, onde o roteiro lá na frente usa todas essas passagens para criar as ameaças que o trio de garotas enfrenta. Então, quando os Warren partem para uma viagem, a filha do casal, Judy (Mckenna Grace, se destacando em Hollywood e melhorando sua atuação a cada grande produção que participa) fica sozinha junto com sua babá Mary Ellen (Madison Iseman, outra figura carimba em grandes produções) e uma amiga, a jovem Daniele (Katie Sarife, o destaque).

E isso, como falamos, Annabelle 3, abre um leque de possibilidades lá para frente, afinal, a grande sala dos Warren parece ter muita história, casos e demônios para contar, seja eles uma Noiva assassina, uma televisão que prevê o futuro, ou ainda, um demônio que usa moedas nos olhos. Assim, vemos a astuta boneca Annabelle planejar novamente se liberar das amarras que os Warren a colocaram, uma redoma de vidro batizada por um padre. Mas, é claro, que Annabelle 3 segue a máximo “a curiosidade matou um gato”, onde temos a jovem Daniele, precisar lidar com a morte de seu pai, e vê no ramo de atividade da família da jovem Judy, uma forma de tentar se conectar com seu ente querido.

Annabelle 3 nos apresenta então, mais que um filme de terror clássico, em que o espectador não vai sair da sessão morrendo de medo, e sim, usa uma trama com uma veia que varia entre ser um pouco leve, mais sem perder o tom dramático para contar uma história, numa casa, cheia de objetos curiosos e interessantes que se tornam problemas reais na medida que o mal começa a querer cruzar a barreira para nosso mundo. Não é que Annabelle 3 não assuste, o diretor até sabe conduzir a câmera para focar a atenção do espectador em momentos mais tensos, onde o filme tem algumas poucas passagens que, efetivamente, nos pegam com a guarda baixa, e nos fazem pular da cadeira, mas a edição e o roteiro conseguem trabalhar todos eles de uma forma bastante pontual, e bem espaçada.

No final, Annabelle 3 brinca com as expectativas e a forma com que os jump scare são mostrados, onde temos situações que o espectador pode achar claramente que o susto virá, seja numa virada brusca num quarto escuro, ou uma olhada no espelho. Às vezes, o susto não vem, oras vêm de uma forma inesperada. Annabelle 3 parece saber e conhecer seu público, e brincar em diversos momentos com essa expectativa e a antecipação ao suspense.

Annabelle 3 parece ao mesmo tempo um filme que encerra uma trilogia que começou lá em 2014, com Annabelle, mas que deixa o caminho aberto para vermos novos filmes dentro da franquia Invocação do Mal e focados em outros personagens e casos dos Warren. Quem sabe, talvez um dia, a boneca volte para assombrar o espectador com sua aparência assustadora, aquele sorriso quase falso e os olhos arregalados, não é mesmo?

Nota do Crítico:

Annabelle 3 – De Volta Para Casa chega nos cinemas nacionais em 27 de junho

Miguel Morales

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