Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald | Crítica

A habilidade da autora J.K. Rowling em criar um enorme mundo mágico é louvável. Isso ficou claro com a expansão do chamado Mundo Bruxo com o anúncio da franquia Animais Fantásticos, onde o primeiro filme lá de 2016, serviu como uma porta de entrada para os fãs retornaram para esse grande Universo criado por Rowling. Claro, não tínhamos a figura central de Harry Potter que guiou, durante 7 livros e 8 filmes, o público, mas ganhamos a figura de Newt Scamander e a presença do talentoso Eddie Redmayne.

Logo após a estreia da franquia Animais Fantásticos, percebemos que os novos filmes tinham uma função maior em apenas mostrar o personagem do Magizoologista enquanto ele capturava monstros e criaturas pelo mundo. Assim, vimos que a saída encontrada por J.K. Rowling, foi contar uma nova história que se passa em outros tempos na franquia de Harry Potter, o domínio do mundo bruxo pelas mãos de Gellert Grindelwald.

Assim, Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald (Fantastic Beasts: The Crimes of Grindelwald, 2018), além de ter o temido bruxo em seu título, marca enfim, a aparição efetivamente do personagem, depois de uma breve introdução em Animais Fantásticos e Onde Habitam (2016). E a sequência tem em seu clima mais sombrio, uma trama cheia de reviravoltas e conexões que deixarão os fãs de cabelo em pé.

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Foto: Warner Bros Pictures

Como roteirista J.K. Rowling, acerta em conseguir expandir novamente o universo bruxo de Harry Potter e nos mostra Newt Scamander de volta à Londres após os eventos do primeiro filme. Conhecemos Londres nos anos 20 e claro toda a preocupação do Ministério da Magia com as idéias radicais do bruxo das trevas Grindelwald. Rowling faz de Os Crimes de Grindelwald um filme mais episódico que o primeiro, talvez ainda por manter sua escrita no ritmo dos livros e não conseguir trabalhar o roteiro de uma forma que seja mais assistível e com uma linguagem mais cinematográfica. Aqui, vemos uma boa história, dentro dos moldes das outras na franquia da autora, e um não tão bom roteiro que conta com novos personagens e novos locais.

E talvez, esse seja um dos pontos que mais incomodam o filme de maneira geral. No anseio de tentar criar uma trama complexa e até mesmo misteriosa, a roteirista parece perder um tempo preciso ao bolar conexões mirabolantes com o resto da franquia de uma forma desesperadora. Em Os Crimes de Grindelwald vemos por diversas passagens e situações, momentos que claramente foram feitos para agradar os fãs, seja com objetos mágicos que aparecem em cena que vão desde espelhos encantados até pedras especiais com aspectos filosóficos e até mesmo de aparições de personagens que tem seus nomes conhecidos mas que são apenas citados casualmente na história.

Rowling tenta mostrar a todo custo que sempre tem um ás na manga mesmo que isso acabe por prejudicar o desenvolvimento do filme e também dos personagens, principalmente aqueles já apresentados nos outros filmes, que retornam para essa sequência e são deixados um pouco de lado.

Claro, todas as caracterizações, tanto de figurinos quanto de locações, seja em Paris ou Londres, tanto bruxa quanto mágica, são realmente fantásticas, a presença de Hogwarts novamente em tela é um apelo certeiro para a nostalgia dos fãs, onde a autora parece entregar em poucas passagens uma dose única de felicidade (talvez a poção Felix Felicis?) para o espectador. Na parte técnica, a direção de David Yates consegue presentear o espectador com tomadas que transmitem um sentimento de empolgação, e os efeitos especiais utilizados são de deixar qualquer um impressionado, mas o que Animais Fantásticos deixa a desejar, talvez, seja na forma como sua história é contada e apresentada ao público. Não temos a varinha apontada para o norte, apenas sequências que mostram como os personagens se posicionam ao longo da ascensão de um tirano e seu charme para recrutar novos seguidores e aliados.

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Foto: Warner Bros

Johnny Deep, mesmo envolvido em polêmicas de bastidores, se garante e faz um Grindelwald muito mais focado em atacar o psicológico de seus inimigos do que efetivamente os enfrentar em combate. Já Jude Law entrega um Alvo Dumbledore muito mais complexo, interessante, cheio de camadas e muito mais parecido com sua versão nos livros, só que numa roupagem muito mais jovem, onde o ator acaba por ser um dos pontos mais altos em termos de acerto na escolha do elenco. E graças a boa atuação dos dois, quando a trama foca na relação entre os bruxos, o filme ganha uma outra forma, talvez, mais pela familiaridade dos assuntos envolvidos do que por qualquer outra coisa, mesmo que J.K. Rowling tenha preparados surpresas ao longo do filme.

Zoë Kravitz como a misteriosa e ambígua Leta Lestrange, acaba por se beneficiar pela importância na trama de sua personagem e até faz um bom papel, mesmo que com pouco tempo de tela. Os personagens apresentados no primeiro filme, as bruxas da MACUSA, Tina (Katherine Waterston) e Queenie (Alison Sudol) estão de volta mas muito mais devido as suas popularidades do que qualquer coisa, onde poderiam facilmente não estarem presentes na história. Já o talentoso, Dan Fogler tem ótimos e engraçados momentos como o non-maj, Jacob.

Ezra Miller aparece pouco como o atormentado Credence onde Rowling, conforme prometeu, separou surpresas para o personagem que apenas firmam sua importância para o desenrolar da história e dos próximos filmes da franquia.

Talvez, Os Crimes de Grindwald sofra com um excesso de personagens e uma gigante necessidade de precisar justificar a presença de todos eles em tela, a todo momento, para dar mais um passo dentro da grande jornada que veremos até o embate final entre Dumbledore e Grindelwald e que no final acaba novamente ser uma questão muito mais interessante para se ver do que que Newt e suas criaturas mágicas dentro de uma maleta.

Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald parece muito mais uma nova introdução ao Mundo Bruxo, onde temos mais informações sobre o Universo mágico jogada em tela, com muito mais perguntas sobre seus personagens do que respostas e que ainda continua a usar de plano de fundo, Newt e seus animais cada vez mais estranhos e exóticos. Mesmo que o filme falhe em tentar criar momentos de tensão e que a ação propriamente dita fique para outra oportunidade, J.K. Rowling parece acertar novamente.

Nota do Crítico:

Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald tem estreia programada no Brasil para 15 de novembro.

Miguel Morales

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