American Son | Crítica

Madrugada. Chove intensamente. Kendra está parada na delegacia em busca de informações sobre seu filho que não retornou para casa.

Com esse o retrato em que somos apresentados para a presença marcante da atriz Kerry Washington dá o tom para American Son, um filme original Netflix baseado na peça da Broadway com o mesmo nome, e o mesmo elenco, que retorna para a adaptação.

Washington como Kendra está ali para representar milhares de mães, e mulheres negras que passam por essa situação em diversas madrugadas ao redor do mundo.

American Son | Crítica

American Son, em sua proposta, acaba por ser um filme simples, ele recria o espaço da recepção de uma delegacia nos EUA, e se passa única e exclusivamente nesse cenário, mas se garante nas atuações de seus atores para contar uma poderosa história sobre viver em um país onde a segregação racial está enraizada na sociedade há vários anos.

American Son em suas 1h30 desconstrói pré-conceitos e pré-julgamentos sobre a polícia, o jovem na nossa sociedade, relacionamentos tanto amorosos quanto de pai e filho, a nossa visão de mundo sobre certas coisas.

O roteiro de Christopher Demos-Brown dá a chance para seus atores trabalharem monólogos impressionantes e que discutem questões complexas e polêmicas sobre assuntos que ganham mais e mais destaque nos noticiários ao longo dos últimos anos: brutalidade policial, a revolução com o movimento Black Live Matter e a radicalização nas redes sociais.

Assim, American Son pincela tudo isso e faz um panorama interessante e bastante intenso na medida que vemos Kendra esperar para informações sobre seu filho. 

Washington está em praticamente todas as cenas e contracena com todos seus parceiros no filme, onde sua atuação magistral a fazem ser a alma e o coração de American Son. É impossível não sentir a dor de sua personagem, na incapacidade de não poder conseguir ajudar o filho, sem nem ao menos saber se ele está preso, ou pior, morto.

American Son | Crítica – Foto: Netflix

O sentimento desesperador sobre a falta de informações se escala, como uma panela de pressão prestes a explodir, na medida que vemos a personagem lidar com o policial inexperiente de plantão (Jeremy Jordan) até a chegada do marido Scott (Steven Pasquale), onde os ânimos ficam exaltados cada vez mais, e o filme nos apresenta mais informações sobre a vida dessa família, e claro, sobre o balançado relacionamento de Kendra e Scott.

American Son causa reflexões importantes que nos fazem questionar nossos privilégios como indivíduos numa sociedade cada vez mais radical em pré julgamentos, e polarizada no certo e errado.

Um filme provocativo em sua proposta em levantar um debate sobre nossa sociedade atual, onde é impossível de não sair mexido, principalmente nos momentos finais que são extremamente arrebatadores.

No final, American Son coloca o dedo na feriada, e conta sua história de uma forma teatral, impactante e completamente intensa.

Nota do Crítico:

American Son disponível na Netflix.

Miguel Morales

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