Ameaça Profunda | Crítica

Tudo que você precisa saber de Ameaça Profunda (Underwater, 2019) é que a produção estrelada pela atriz Kristen Stewart faz um bom filme de desastre e sobrevivência. Eu até poderia chamar o filme de AMEHaça Profunda, mas basta ver o trailer do longa (abaixo) para entender que o filme entrega aquilo mesmo que se propõe nas rápidas cenas montadas por um ágil, e ligeiro, time de marketing.

Ameaça Profunda | Crítica – Foto: FOX Film do Brasil

Com um visual escuro e ao mesmo tempo marcante pelos efeitos especiais utilizados, e os tons de verde oceano, Ameaça Profunda faz um filme bem sensorial, graças aos truques de câmera do diretor Willem Eubank, onde o maior mérito do filme é fazer o espectador sentir que está ali vivendo aqueles eventos catastróficos com os personagens.

Como falamos, Ameaça Profunda é aquilo que o longa promete, seja nos trailers, ou nos materiais de divulgação. A produção se apoia nos nomes escolhidos para o elenco, liderados por Stewart que vem numa crescente de volta para as produções blockbuster, o ator Vincent Cassel que aqui interpreta o Capitão do laboratório numa boa atuação, e alguns outros nomes mais conhecidos do público de séries de TV como a atriz Jessica Henwick (da série da Netflix, Marvel’s Punho de Ferro), Mamoudou Athie (da produção do facebook watch, Sorry For Your Loss) e ainda o polêmico T.J. Miller (da comédia da HBO, Silicon Valley).

O roteiro da dupla Brian Duffield e Adam Cozad que até brinca com algumas passagens e situações não empolga, onde Ameaça Profunda entrega uma trama genérica ao extremo, e que não foge daquelas vistas em outros filmes do gênero. Temos um grupo de pesquisadores que ficam presos numa base submarina e precisam voltar para a superfície, mas encontram no fundo do oceano criaturas desconhecidas.

Ameaça Profunda faz um mix de Medo Profundo (2017) só que um filme mais robusto, com melhores efeitos visuais, elenco, e claro, dinheiro de uma grande produtora de cinema, com Megatubarão (2018) só que com menos testosterona.

A ambientação claustrofóbica, e a jornada dos personagens na batalha por sobrevivência fazem de Ameaça Profunda um filme vídeo-game, onde vemos o grupo de exploradores encararem fases disfarçados de arcos narrativos para sair do oceano com vida após um acidente explodir parte da instalação submarina que eles trabalham. Então, a cada etapa do plano firmado pelo grupo no começo do filme, eles encontram mais dificuldades, seja com os equipamentos defeituosos da explosão, ou os adversários marinhos mais difíceis, misteriosos, e mais ameaçadores tanto em quantidade quanto em escala.

Assim, fica bastante óbvio quem do grupo irá morrer primeiro, e como, e claro para onde a trama irá se caminhar, sem muitas surpresas. Ameaça Profunda não se preocupa muito em apresentar e desenvolver as personalidades e o passado do grupo, tudo acontece no automático, meio que indo de acordo com a maré, sabe?

Vincent Cassel and Kristen Stewart in Underwater (2020)
Ameaça Profunda | Crítica – Foto: FOX Film do Brasil

Claro, Stewart leva o filme nas costas em temos de atuação, a atriz não chega a ter o mesmo impacto dramático de por exemplo que Sigourney Weaver em Alien, o Oitavo Passageiro (1979), ou até mesmo Amy Adams em A Chegada (2016), mas entrega bons momentos dentro da roupa de mergulho e um capacete gigante em formato de aquário.

E no final, toda grandiosidade que o diretor quer passar, os bons efeitos de computação, e os grandes nomes no elenco, não importam muito, afinal, em Ameaça Profunda tudo é tão mecânico, e certinho que o filme entrega um sentimento que já vimos e revimos isso. Mas como, talvez, o primeiro grande filme do ano, Ameaça Profunda começa 2020, numa interessante e intensa nota. O ano apenas começou e o mar está para peixe.

Nota do Crítico:

Ameaça Profunda chega nos cinemas nacionais em 9 de Janeiro.

Miguel Morales

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