Altered Carbon | Primeiras Impressões

Com um visual estiloso e efeitos especiais de primeira Altered Carbon, a nova produção da Netflix, se destaca por duas coisas: sua fotografia moderna e chamativa de um novo, rico e interessante mundo e claro por ser talvez a produção mais ambiciosa do serviço de streaming até então.

Com ares de filme de ficção cientifica e uma roupagem ah lá Blade Runner 2049 encontra Ghost in the Shell, Altered Carbon bebe de todas as fontes desses últimos filmes do gênero lançados no ano passado que fizeram mais sucesso com o grande público, mesmo sendo produções de nicho. E aqui a série acaba tentando deixar o tema mais acessível, em resumo Altered Carbon se passa num mundo onde a mente das pessoas é arquivada digitalmente e os corpos são dispensáveis como conchas e a série poderia ser muito bem um grande spin-off de Black Mirror

Foto: Netflix

Os mais ricos, chamados de meth, podem escolher seus corpos e assim atingir a imortalidade apenas trocando suas cópias por novas e fazendo o download de sua consciência ao longo de suas inúmeras vidas. Já as outras pessoas ficam a mercê da própria sorte e claro precisam se contentar com corpos não tão perfeitos. Altered Carbon é um drama de ação que se destaca por personagens misteriosos, cenários belíssimos e conta com uma trama empolgante que cresce a medida que os episódios se passam. A série começa de uma forma até um pouco brusca, sem rodeios e sem muita explicação e o primeiro episódio é marcado por um choque de cores, por uma certa violência e claro por um sentimento de suspense e tensão muito grande.

Com uma grande mitologia a ser desvendada ao longo dos seus 10 episódios, Altered Carbon pega carona em tudo que faz um clássico sci-fi com uma trama futurista que envolve personagens com suas personalidades fortes e uma sociedade que luta para lidar com as consequências da tecnologia em suas vidas. Com um ritmo alucinante e que prende o espectador logo de cara, a produção já joga em assiste na sua própria mitologia e deixa as explicações para outra hora no melhor estilo Westworld, como se os produtores falassem “minha série, minhas regras”.

Na trama conhecemos um grupo de guerreiros chamados de Envoy que foram derrotados pela policia do novo sistema, chamado de Patriarcado, nesse novo o mundo que os personagens vivem. Takeshi Kovacs (Will Yun Lee) então é morto e depois de mais de 200 anos vemos sua mente sendo transferida para o corpo de um ex-policial que foi tirado do seu estado de hibernação pelo aristocrata Laurens Bancroft (o ótimo James Purefoy). E as regras do jogo e da série são apresentadas aqui, Kovacs tem a chance de viver novamente mas agora no corpo de Elias Ryker (interpretado pelo expressivo ator Joel Kinnaman) e para conseguir sua liberdade ele tem que desvendar a morte do próprio Bancroft.

Assim descobrirmos que uma cópia do empresário foi feita momentos antes de seu assassinato deixando a consiência sem memórias de quem o matou e muito menos como. As forças policiais fecharam a investigação mas o magnata resolve investigar sua própria morte mesmo assim, afinal para eles todos são suspeitos inclusive ele mesmo. Quando Kovacs se alia à policial Kristen Ortega (Martha Higareda) os dois talvez acabam esbarrando numa conspiração que pode ser perigosa para todos.

Foto: Netflix

Altered Carbon tem uma complexa e rica trama para contar e é o típico seriado policial de um drama procedural, mas que aqui acompanha uma trama maior ao longo de seus episódios, mesmo tendo as características marcantes de séries do gênero, onde temos o personagem que não segue as regras, o personagem com dinheiro e mais misterioso que aparenta, a policial durona, mas com bom coração e não foge muito disso em termos de inovação. Mas mesmo assim, não espere respostas logo de cara com o seriado e sim a produção é uma daqueles que se aproveita para jogar pequenas pistas ao longo de seus episódios que normalmente são apresentadas de forma explosiva e de bastante sutil.

Com diálogos impressionantes, a forma como a trama nos é revelada mostra uma preocupação imensa com os detalhes, mesmo que a execução seja feita de uma maneira confusa, afinal temos muitos personagens nos corpos de outros personagens o que deixa a série com uma cara um pouco apressada e que atropela as informações para dar agilidade para a trama. A câmera consegue trabalhar bem ao mostrar a dualidade dos personagens e em muitas cenas ao dar close em meia cara apenas aparecendo no frame conseguimos notar que há mais coisas nessa história do que está sendo apresentado, num jogo de descobertas fantástico.

Mas a medida que o espectador se acostuma com a trama, os personagens e o mundo criado em Altered Carbon, a série flui de uma maneira bastante interessante contando uma história cheia de nuances e revelações numa produção que nos obriga a prestar a atenção em todos detalhes para finalizar esse quebra-cabeça.

Altered Carbon estreia seus episódios na Netflix em 02 de fevereiro, e você pode ter mais informações em netflix.com/alteredcarbon.

Miguel Morales

Sempre posso ser visto lá no Twitter falando sobre o que acontece na TV aberta, nas séries, no cinema e claro outras besteiras. Uso chapéu branco e grito It's Handled! Me segue lá: twitter.com/mpmorales