Ad Astra – Rumo Às Estrelas | Crítica

Quando Hollywood olha para o espaço a garantia de que teremos coisas boas vindo por aí é quase uma aposta mais que certa…. E com Ad Astra – Rumo Às Estrelas (Ad Astra, 2019) a promessa era essa. Depois de ser adiado e demorar para ter sido lançado devido a fusão da 20th Century FOX com a Disney, vemos aqui James Gray contar uma história universal com uma galáxia vasta e desconhecida como pano de fundo.

Ad Astra – Rumo Às Estrelas faz a própria definição da origem do termo latino que dá nome para a produção – “ad astra per aspera”em português “por ásperos (caminhos) até aos astros” – onde aqui o roteiro do filme nos mostra um dos últimos grandes astros de Hollywood embarcar numa jornada de autodescoberta, aceitação, e encerramento gigante pelo espaço.

Ad Astra – Rumo Às Estrelas se parece muito mais com Gravidade (2013) do que com Apocalypse Now (1979), a franquia Alien ou ainda com Interestelar (2014), e assim, já avisamos, se você espera um filme de ficção científica tradicional com explosivas missões no espaço, extraterrestres, e invasões alienígenas, talvez, a produção não seja para você. 

Visualmente incrível e extremamente sensorial, Ad Astra – Rumo Às Estrelas eleva as produções do gênero vistas até agora e faz uma intensa (e por oras cansativa) experiência de outro mundo. Estrelada por Brad Pitt, o filme usa seu protagonista para nos apresentar uma história disfarçada de missão intergalática para desvendar mistérios, e perguntas feitas na Terra, mas que para o personagem, a busca por suas respostas estão nos confins do espaço. 

Ad Astra – Rumo Às Estrelas acompanha então, a jornada de Roy McBride (Pitt, ótimo) para desvendar o mistério sobre uma missão que seu pai H. Clifford McBride (Tommy Lee Jones) realizou há anos atrás para o governo americano, chamado de Projeto Lima. O astronauta nunca mais retornou para casa, e a dúvida sobre seu paradeiro continua.

O roteiro de Ad Astra – Rumo Às Estrelas faz um retrato íntimo e singelo sobre relacionamentos humanos em que os roteiristas Gray e Ethan Gross mostram que até mesmo há bilhões de km de distância da Terra algumas coisas e sentimentos continuam os mesmos. 

Assim, ao longo do filme vemos como a vida de Roy foi despedaçada pela falta da figura paterna, mas que ao mesmo tempo, deu combustível para o rapaz em buscar uma carreira no governo para conseguir se conectar com as poucas lembranças que Clifford deixou para ele.

Brad Pitt in Ad Astra (2019)
Ad Astra – Rumo Às Estrelas – Crítica | Foto: FOX Film do Brasil

Ad Astra – Rumo Às Estrelas mesmo que grandioso em sua proposta acaba por entregar um filme simples em termos de estrutura narrativa e nos garante algumas surpresas ao longo do caminho. Por outro lado, a produção consegue trabalhar bem seus mistérios centrais e deixar o espectador colado na cadeira para saber o que virá acontecer nas próximas cenas, e claro, não deixar de criar diversas teorias ao longo da jornada. 

A produção se apoia em momentos contemplativos enormes e passagens que às vezes se estendem mais do que deveriam, mas tudo isso, pode ser deixado de lado pelos maravilhosos cenários que são criados pela equipe de produção para o filme, seja para as cenas do universo que são recriados digitalmente, ou ainda, nas passagens ao longo dos centros de comando que o astronauta de Pitt frequenta. 

Toda a ambientação que Gray cria para o filme é de cair do queixo, as tonalidades amareladas misturadas com tons de laranja deixam Ad Astra – Rumo Às Estrelas com uma fotografia de brilhar os olhos. Aqui, é sentido a preocupação na recriação dos cenários das naves, da estação espacial da curiosa ponte área EUA-Lua, e ainda, da frota que McBride comanda até chegar nos destroços da nave do projeto Lima.

Brad Pitt in Ad Astra (2019)
Ad Astra – Rumo Às Estrelas – Crítica | Foto: FOX Film do Brasil

E tirando o lado técnico, o filme se sustenta todo na atuação de Pitt, num dos melhores momentos de sua carreira e vindo de um ótimo ano. Na medida que Roy avança na sua expedição, o roteiro do filme abraça o espectador na sua trama e faz o filme ser todo de Pitt, onde o ator faz um trabalho excepcionalmente minucioso, preciso, e que desconstrói a figura sisuda, forte e fechada que o astronauta nos apresenta no começo do filme e vai desaparecendo ao decorrer dele como o sol se pondo no final do dia.

Gray parece cercar Pitt com atores coadjuvantes como Ruth Negga, Donald Sutherland e Liv Tyler que apenas orbitam a figura solar que Pitt emana no filme. O trio, todos muito bem inclusive, nos ajuda a entender o caminho que Roy percorre, e em diversos momentos, colocam em cheque a própria sanidade do personagem.

Ad Astra – Rumo Às Estrelas faz tudo isso num ritmo lento, onde o filme se garante ser mais um drama do que um filme de ficção cientifica. Assim, o filme nos apresenta um personagem numa jornada de auto aceitação incrível, e nos entrega uma sessão de terapia especial profunda, tocante e que deixa o espectador atordoado em inúmeras passagens. 

No final, Gray abraça o seu lado mais comercial sem deixar de apresentar uma história com um pouco mais de substância, onde Astra – Rumo Às Estrelas faz uma viagem surpreendente pelo psicológico de um homem, num filme que te fará sair pensativo do cinema. 

Nota do Crítico:

Ad Astra – Rumo Às Estrelas chega em 26 de setembro nos cinemas.

Miguel Morales

Sempre posso ser visto lá no Twitter falando sobre o que acontece na TV aberta, nas séries, no cinema e claro outras besteiras. Uso chapéu branco e grito It's Handled! Me segue lá: twitter.com/mpmorales