A Festa | Crítica

Talvez A Festa (The Party, 2017) seja uma daquelas surpresas escondidas dentro uma vasta opção nos cinemas que envolvem animações, franquias duradouras e filmes de super-herói.

Com direção e roteiro de Sally Potter o longa é uma típica produção inglesa com seu humor caraterístico que acaba por não ser para qualquer um. Em A Festa, vemos também que os diálogos e as cenas também não tem aquele humor fácil, afinal o longa consegue ao mesmo tempo ser ácido, irônico, ainda assim ter graça e também faz uma crítica social importante.

Foto: Mares Films/A24

Com um charme extra por ser gravado em preto e branco, um ar bastante teatral com a posição dos atores em cena que são vistos por entrar e sair do foco de visão da câmera onde eles acabam um por dar espaço para a vez do outro falar temos em A Festa uma curiosa história interligada e que abusa de conexões entre seus personagens para fazer um longa instigante e que atiça no curiosidade na medida que a trama vai se desenrolando e os personagens vão abrindo suas personalidades em tela.

Os atores escolhidos para viverem seus personagens foi um bom acerto de Potter que consegue que eles passem uma atmosfera convidativa em seu filme. A Festa é simples, se passa em uma casa onde as cenas variam entre cozinha, banheiro e sala de estar o que o deixa ainda com uma enorme sensação de intimidade e faz quem assiste parecer estar dentro dessa pequena reunião.

Foto: Mares Filmes/A24

Timothy Spall como o desmemoriado Bill e Janet (Kristin Scott Thomas) com celular sempre a tira colo acabam por desenvolver cada um seu segredo que desenrola pela trama como uma toalha de linho esticada na mesa de jantar. A cada momento descobrimos uma informação da vida do casal como se fosse um gole de vinho que para quem assiste parece ser tomado aos poucos. Janet tem em seu celular a fonte de seu segredo e Bill tem em sua doença a oportunidade de falar livremente.

April (a fantástica Patricia Clarkson) meio que conduz a noite como se fosse uma grande governanta mesmo que para ela não necessariamente aquilo seja importante. Sua relação com seu marido Gottfried (Bruno Ganz) é daquelas tipicamente caricatas e serve para mostrar a diferença  entre os dois. Já a dupla Jinny (Emily Mortimer) e Martha (Cherry Jones) acabam por rodar e rodas em suas próprias tramas com questões envolvendo maternidade e diferença de idades.

finalmente temos Tom (o magnético Cillian Murphy) que também tem seus próprios segredos que no fim devido ao uso de uma substância controlada acaba por também movimentar a trama e passa ser o fio condutor de todo o desenvolvimento da história e por fazer que os outros personagens contem seus segredos mas guardados. É como se o personagem de Murphy fosse aquela primeira pessoa que está na fila dos doces numa festa, aquela começa a fazer todo mundo se movimentar a caminho da mesa

A Festa começa e termina e com um supetão (e tiros!) onde acaba por ser apenas uma grande (e boa) história onde casos, acasos e histórias são contadas e desenroladas sem o menor indício que iriam acabar daquele jeito: expostas e jogadas na mesa feito um guardanapo pós-uso.

Nota do Crítico:

Miguel Morales

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