Tico e Teco: Defensores da Lei | Crítica: Multiverso da Loucura (de easter-eggs) é aqui

E quem diria que Tico e Teco: Defensores da Lei (Chip ‘n Dale: Rescue Rangers, 2022) fosse pegar carona no hype de nostalgia, nas graças do multiverso e brincar com propriedades intelectuais de estúdios, hein? Numa onda Uma Cilada Para Roger Rabbit (1988) com WiFi Ralph: Quebrando a Internet (2008), o longa atira para todos lados e mostra que o Multiverso da Loucura é aqui.

tico e teco

Lançado diretamente no Disney+, e sem custo adicional, acho que a animação acaba por ser mais para jovens adultos do que efetivamente para crianças, mesmo que sirva também para introduzir os personagens dos esquilos para a uma nova audiência, uma que vive no mundo digital e não mais as que nasceram no mundo das fitas VHS.

Tico e Teco: Defensores da Lei é um callback, assim por dizer, para personagens que fizeram parte da história do estúdio, e até mesmo de outros estúdios (mais sobre isso abaixo) e que se juntam aqui numa trama com uma meta-linguagem divertida de se acompanhar e que garante que o espectador tenha uma viagem por esse mundo amalucado criado aqui mesmo que, no final, a história seja simples e não dá para fugir muito disso.

Mas é como o ditado falado no filme: “o maior risco é nunca se arriscar” e é isso que sinto que a Disney fez com esse filme. Pegou personagens até que conhecidos mas não extremamente populares, colocou uma nova roupagem, trouxe algumas boas piadas e apostou naquilo que adoramos ver os estúdios fazerem: tirarem sarro de si mesmo. E acho que é isso que faz Tico e Teco: Defensores da Lei realmente funcionar. 

Os momentos de descontração, as piadas internas para quem é fã da dupla funcionam na mesma intensidade também para quem acaba por ser apenas um espectador casual que só conhece grandes sucessos como A Pequena Sereia (o Linguado aparece!) ou até mesmo Aladdin e Peter Pan.

Aliás colocar Peter Pan como o grande vilão do filme, numa vibe meio mafioso e senhor Smith foi uma das coisas que mais me surpreenderam no estúdio em 2022 (até agora). Claro, a trama é Tico (voz de John Mulaney) e Teco (voz de Andy Samberg) que vivem num mundo onde personagens convivem com humanos e eles não são mais as celebridades que eram quando tinham um seriado de sucesso na TV.

Tico e Teco

Tico e Teco: Defensores da Lei mostra como eles se conheceram e como eles ganharam Hollywood, uma noz de cada vez, e também como “pessoas”, tá bom animais, trabalhadores na cidade das estrelas. Depois de anos separados, onde Tico agora trabalha como vendedor de seguros e Teco fez uma cirurgia para virar uma figura em computação gráfica e não mais animado, eles precisam voltar a se falar depois que Monterey Jack é sequestrado.

É aqui que a parte Uma Cilada Para Roger Rabbit começa a se fundir com WiFi Ralph: Quebrando a Internet afinal o longa começa a levar o espectador esse esse mundo e suas peculiaridades, o coelho do longa dos anos 80 até aparece em um determinado monento, assim como o gigante da animação da Pixar em outro. 

O filme nos agracia com umas peripécias dignas de Tico e Teco. É o mercado ilegal de personagens contrabandeados, é Tico e Teco com objetivos de merchan de sua série, e claro a convenção de fãs que serve de cenário. 

O comentário sobre personagens antigos sendo deixados de lado até que executivos aprovem seus reboots é muito interessante, mas o que realmente chama atenção é a inclusão do Ugly Sonic na história. É não é uma participação rápida, o personagem tem falas, e até faz parte da trama diferente de Cats ou até mesmo de Paul Rudd com seu filme Homem-Tia (um trocadilho de Ant-Man com Aunt-Man). É a Disney indo totalmente com esse filme e nos entregando a parte mais WiFi Ralph: Quebrando a Internet. E assim como Sonic, o longa tem um policial, aqui no caso uma detetive (KiKi Layne) para investigar o caso do desaparecimento das animações ao lado das figuras animadas de Tico e Teco. Claro, os efeitos especiais não são tão bem feitos, mas para um filme com uma escala menor que Sonic, por exemplo, é super válido.

Como falamos, o longa usa momentos dos episódios da série do Tico e Tico dos anos 90 para atualizar esses personagens e suas relações para o presente. É divertido ver que os roteiristas continuam a manter a essência dos personagens mesmo com um filme para pessoas um pouco mais velhas e para isso que servem a enxurrada de easter-eggs para dar uma desviada na trama mais infantil e simples que o filme oferece. Mas já digo aqui: é o nosso multiverso da loucura animado. 

Avaliação: 3 de 5.

Tico e Teco: Defensores da Lei chega em 20 de maio no Disney+.

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