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The Chair | Crítica 1ª Temporada: Cultura do cancelamento e um carro desgovernado comandado pela ótima Sandra Oh

The Chair é a nova série da Netflix estrelada por Sandra Oh e só com essas credenciais, a produção já é uma para o espectador puxar a cadeira, maratonar e assistir a primeira temporada de uma vez só. Quer mais? São 6 episódios curtinhos de 30 minutos então basicamente dá para tirar uma tarde e se aventurar nas aventuras da Dra. Ji-Yoon Kim (Oh, ótima), a primeira mulher a ocupar a cadeira de chefe do Departamento de Inglês da Universidade de Pembroke.

The Chair
Foto: ELIZA MORSE/NETFLIX © 2021

 “Eu sinto que alguém me passou uma granada prestes a explodir por que eles queriam ter certeza que seria uma mulher segurando quando explodisse.”  e é com essa frase que The Chair pode ser resumida facilmente. Com um texto bastante afiado e que ora soa engraçado e outra desconfortável, The Chair acaba por ser uma comédia de erros sobre esse ambiente de trabalho nada tradicional, o departamento de inglês de uma faculdade de elite americana. É como se a personagem de Oh fosse uma prima distante da personagem de Amy Poehler em Parks e Recreation, quanto mais ela tenta arrumar as coisas, mais complicadas elas ficam. E pelas mãos da dupla Amanda Peet e Annie Julia Wyman comandam a série, e são responsáveis por comandar os roteiros de The Chair que elas realmente conseguem tratar de diversos assuntos importantes do nosso cotidiano e que afetam muito a forma de como nossa sociedade funciona.

Aqui, os roteiristas conseguem lidar da forma mais surreal possível com temas espinhosos como cultura do assédio, a diferença salarial entre homens e mulheres, o conflito geracional entre pessoas com diferentes visões e estilos de trabalho, e principalmente a cultura do cancelamento. The Chair faz como se estivéssemos em um carro desgovernado que é liderado pela sempre competente Sandra Oh. O texto da série vai muito a fundo em tentar mostrar o quanto uma situação pode se agravar e escalonar de uma forma tão rápido, onde vemos a personagem de Oh tentar apagar todos os fogos possíveis e não focando realmente naquilo que realmente importa: ler, destrinchar romances, e analisar seus significados. E como muitas das ações da personagem refletem nas carreiras e na vida dos outros personagens dessa Universidade.

Oh aqui assume uma função de protagonista muito grande, afinal, temos Kim na empreitada nesse novo trabalho, onde ao mesmo tempo ela precisa lidar com o trabalho burocrático agora que comanda uma equipe de 10 pessoas, muitas delas com mais de 30 anos de Universidade como é o caso dos professores Elliot (Bob Balaban) e Joan (Holland Taylor, ótima), um chefe homem e branco, o Reitor Larson (David Morse), sua colega Yaz (Nana Mensah), uma jove com ideias modernas e que parte para ser a primeira mulher negra a assumir o posto de professora no local, e claro, um incidente que envolve um colega de trabalho, o professor Bill (Jay Duplass) que por acaso ela tem uma quedinha.

"The Chair"
The Chair
Foto: ELIZA MORSE/NETFLIX © 2021

O fato que Bill vê sua vida estar um completo caos, sua filha foi para Universidade, sua esposa morreu, ele começa a beber e usar drogas, apenas aceleram os eventos que a série retrata na medida que o professor é cancelado pelos alunos e gera uma grande comoção e diversos debates na Universidade e no departamento que Kim acabou de assumir. Fora isso, a docente ainda precisa ela mesmo arrumar sua vida pessoal, depois que terminou um relacionamento (que no começo da  temporada pouco sabemos, apenas por vermos uma foto na geladeira que mostra que o ex da personagem é o ator Daniel Dae Kim que trabalhou com Oh na animação Raya e O Último Dragão), lidar com a filha adotiva Juju (Everly Carganilla) de 7 anos que sofre para se adaptar a cultura coreana e falar com seu avó (Ji-yong Lee) e tem um comportamento bem estranho, mas que garante boas piadas e momentos. Imagine uma versão de Lily de Modern Family só que mais malvada e desbocada.

 A relação que Oh e Carganilla criam, particularmente, é  uma das partes mais bonitas e interessantes da série na medida que vemos Kim precisa navegar nas dificuldades que tem para conciliar seu trabalho, sua vida pessoal, e ainda tentar ajudar o colega Bill, onde Oh e Duplass também tem uma química muito boa, a lidar com sua vida e tudo que acontece depois que um trecho de uma aula é filmado pelos alunos e as imagens viralizaram na internet.

"The Chair"
The Chair
Foto: ELIZA MORSE/NETFLIX © 2021

E boa parte dos personagens e dos atores tem seu tempo de tela, seja a relação entre os professores de Mensah e Balaban, onde o conflito de geração é muito sentido, ou até mesmo quando a professora de Taylor precisa protestar quando seu escritório é trocado por uma salinha perto da academia.

Taylor realmente acerta no tom cômico e realmente faz valer seus minutos em tela. Assim como uma participação especial que a série tem que eu tava sem acreditar que eles iam fazer aquilo.

No final, The Chair é toda de Oh, definitivamente. Aatriz realmente consegue ser a grande atração da série, mesmo que o tal caso de Bill que movimenta a trama de maneira geral. E não tenham dúvidas, Oh é nome que as pessoas vão lembrar quando forem falar dessa produção no futuro e lembrar da série nas próximas premiações. 

The Chair chega em 20 de agosto na Netflix.