O Homem do Norte | Crítica: Robert Eggers não poupa brutalidade em conto de vingança

Com O Homem do Norte (The Northman, 2022) fica claro que o diretor Robert Eggers migrou de ser apenas um diretor de filmes considerados indies para realmente dar as caras em Hollywood e mostrar que consegue sim comandar um longa maior, seja em escala ou cercado de grandes atores. Por mais que O Homem Do Norte não seja realmente um filme que podemos chamar de blockbuster, daqueles realmente populares que vem de uma franquia ou de personagens já conhecidos em outras mídias, como os filme da Disney com o selo Marvel por exemplo, dá para se ver que Eggers se torna bem capaz de assumir o que podemos chamar aqui de “blockbuster artístico”.

Alexander Skarsgård em cena de O Homem Do Norte.
Foto: Aidan Monaghan / © 2022 Focus Features, LLC

Aqui o diretor pega uma história Shakespeariana para contar um brutal filme de vingança, onde no meio de pirações visuais e cenas com atuações animalescas, Eggers conta uma história de vingança no estilo Hamlet (ou se você for uma criança dos anos 90, O Rei Leão) com foco em mitologia nórdica, lendas e mitos dos vikings (Temos inclusive a cantora Björk como uma feiticeira!). Inclusive o próprio conto do príncipe Amleth que inspirou o autor inglês a escrever sua história, onde em O Homem Do Norte parece que temos finalmente um círculo por se fechar.

No meio disso tudo, o diretor nos entrega um longa com visuais de impressionar, sem dúvidas um de seus maiores trunfos, e intensas atuações de seus protagonistas liderados pelo carismático ator sueco Alexander Skarsgård que realmente parece se superar em cada projeto desde que ganhou fama com a série True Blood onde interpretava o vampirão Eric.

O Homem Do Norte é quase como uma grande peça teatral, pelo menos no seu começo, onde temos a introdução desse reino viking e sua família real como uma boa produção do gênero. Para quem espera alguma coisa um pouco mais puxada para série como Game Of Thrones, ou até mesmo a série Vikings, ou See, o longa entrega batalhas sangrentas, conflitos brutais e tudo mais. Mas a mão puxada no tom artístico e em um tom mais conceitual, também é muito sentido aqui em O Homem Do Norte, já avisamos. Eggers usa um ótimo trabalho visual para contar essa história onde em boa parte parece que os personagens estão em um certo transe que nos faz se afastar do que realmente está por acontecer na trama.

Em O Homem Do Norte acompanhamos o jovem Príncipe Amleth (na versão jovem Oscar Novak) ver seu tio Fjölnir (Claes Bang, ótimo e galgando seu espaço em Hollywood um projeto de cada vez) dar um golpe, matar seu pai, o Rei (Ethan Hawke em seu segundo de quatro projetos no ano) e assumir o comando do reino que eles vivem. Depois de um ritual para lá de maluco com um sacerdote (Willem Dafoe, novamente em parceria com Eggers) e sobreviver ao ataque, o garoto consegue escapar com vida, mas o sentimento de vingança o permeia a todo momento.

Fim do primeiro ato.

O tempo passa e Amleth cresce e encontra espaço com um javali e um suricato falantes e debochados um grupo de mercenários e claro sempre de olho em sua vingança. É aqui onde O Homem Do Norte entrega seus momentos mais viscerais, onde é cada um por si e o festival de sangue e mortes é gigantesco.

Acho que até o momento que o Amleth de Skarsgård é introduzido e que conhecemos mais da figura impiedosa que o antigo Príncipe se tornou, o filme é super ágil, o sentimento de “vamos lá já conhecemos essa história então vamos ver como ela vai ser contada pelas mãos de Eggers” é gigante. Particularmente é aqui que O Homem Do Norte, entrega sua parte menos mística e mais realista e onde que realmente o filme engrena e nos entrega momentos mais conectáveis em termos de se parecer mais com outras produções do gênero. E por parte disso se dá pela presença Skarsgård que realmente se destaca no meio de um elenco gigante que o diretor reuniu.

Anya Taylor-Joy em cena de O Homem Do Norte
Foto: Aidan Monaghan / © 2022 Focus Features, LLC

É a jornada do homem (do norte!) que faz de tudo para chegar na vila onde seu tio mora, ao lado de sua mãe, a antiga Rainha (Nicole Kidman sempre elevando qualquer produção por menor que seja seu papel), seu exército e escravos. A introdução da personagem de Anya Taylor-Joy como Olga e tudo mais faz com que Amleth vá trabalhar seu plano de vingança contra o tio, infiltrado como um dos trabalhadores do local. E claro que o começo de uma aliança entre os dois se forma.

Mas é claro que, como falamos, O Homem Do Norte não perde seu tom cercado de mitologia, rituais e profecias, onde Eggers usa novamente animais para representar alguma coisa, aqui a figura do corvo, onde o texto do diretor ao lado de Sjón (responsável pelo cult do ano passado Lamb)  dá uma volta gigante para introduzir algumas pequenas reviravoltas, onde bons 20, 30 minutos do filme estendem a trama com passagens que mostram um pouco mais do dia-a-dia na fazenda comandada por Fjölnir e do plano de Amleth para causar um certo rebuliço no local.

É como se tivéssemos um filme totalmente novo dentro de um épico viking lá do começo. É um combo 1+1 que meio que deixa o O Homem Do Norte com um ar mais de suspense do que ação que estávamos mais acostumados no primeiros momentos. E mesmo assim O Homem Do Norte não poupa passagens violentas, muito sangue em tela, e claro alguns momentos bastante intensos entre os personagens, seja em cenas amorosas ou diálogos que mudam o decorrer da trama e que nos leva para uma luta no meio dos portões do Inferno. Uhhh bem um filme de Robert Eggers, aquele que em diversos momentos você não consegue desviar a atenção de tão incrível do que seja lá o que acontece em tela.  

O Homem Do Norte talvez não seja para todo mundo em termos do filme que entregue aqui, mesmo que seja um mais fácil de digerir do que O Farol, por exemplo, ou por conta das pirações visuais que Eggers coloca em várias partes do longa, mas garante que mesmo nesses momentos onde parecemos que não vamos entender onde o diretor quer chegar com aquilo tudo, temos alguma coisa super bonita para enxergar em tela durante essas passagens. Venha pela temática Viking fique pelas cenas maravilhosas e as boas atuações dos protagonistas lideradas por Skarsgård e companhia. 

Avaliação: 3.5 de 5.

O Homem Do Norte chega nos cinemas nacionais em 12 de maio pela Universal Pictures.

One Reply to “O Homem do Norte | Crítica: Robert Eggers não poupa brutalidade em conto de vingança”

  1. Que filme ruim.
    Ou acabaram-se as ideias, ou acabou-se o talento pra contar uma história.
    O filmes é uma sucessão de clichês. O roteiro é preguiçoso ao extremo. Cheio de conveniências e soluções fáceis. Comparar com Shakespeare é um insulto.
    Até o início da jornada pela vingança vai bem. Mas então desanda tudo.
    Um guerreiro iria se “disfarçar” de escravo e tornar sua vendeta mil vezes mais difícil do que seria caso juntasse um punhado de companheiros pra ir vingar a morte do pai?
    Qual senhor de escravos deixaria seus escravos sem guarda durante a noite, de forma que um deles possa agir livremente durante a noite?
    Pior ainda, depois de capturado, deixaram o escravo sem guarda e a espada no mesmo local.
    Um amadorismo realmente assustador.
    Foi torturante assistir as 2:15h do filme.
    O que salva de ser um fiasco completo são a fotografia e as atuações.

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