Minions 2: A Origem de Gru | Crítica: Sequência é para lá de divertida mas não tem foco

Num mundo de propriedades intelectuais que são espremidas até não querer mais pelos estúdios, temos um novo capítulo dessa história aqui com Minions 2: A Origem de Gru (Minions: The Rise Of Gru, 2022). A sequência é o último filme daqueles adiados eternamente por conta da pandemia e chega um momento onde as salas de cinemas estão recebendo o público com uma maior frequência, e por isso, a Universal Pictures e a Illumination seguraram a animação para ser lançada agora no meio do verão americano de 2022 e das férias escolares brasileiras.

É uma nova entrada no Universo de Meu Malvado Favorito (já com mais de 10 anos de estrada) que continua a franquia de uma forma extremamente divertida, com os personagens carismáticos que já conhecemos das figuras dos amarelões e seu chefe do mal, mas que particularmente me soa um pouco desnecessária.

Foto: © 2022 Universal Studios. All Rights Reserved.

Minions 2: A Origem de Gru é bem engraçado, sem dúvidas, tem piadas incríveis, mas realmente me faz perguntar para onde vamos com a franquia. Afinal, a sequência é bem mais uma aventura adjacente de Gru, aqui com 12 anos, do que efetivamente uma história sobre os personagens amarelos né?

É uma história, como diz o título, de origem, e de como os personagens conheceram seu chefe, aqui seu mini-chefe, como eles dizem, mas será que é uma história que vale a pena ser contada? Em vez de seguir a franquia para frente, Minions 2: A Origem de Gru pega carona na onda de Hollywood de prequel de origem como Cruella, Coringa, entre outros e ao fazer isso, o longa acaba por não ter foco.

Isso impacta a experiência de ver o filme? Não. O personagem Gru adolescente (voz de Leandro Hassum novamente na versão nacional) é muito bom, mas fico na dúvida se realmente era necessário termos uma história com ele nessa idade. Parece que os roteiristas pegaram essa ideia que tomou conta de Hollywood em apresentar versões jovens de personagens e desenvolveram esse filme prequel que só calhou de sair depois que muitas outras produções mostraram as versões jovens de seus personagens seja o Baby Yoda, Baby Sonic e entre outros.

Em Minions 2: A Origem de Gru, o que temos é essa versão de Gru e como os minions (que foram adotados por ele depois de um anúncio no jornal) foram trabalhar para ele onde vemos os personagens então envolvidos com os maiores vilões do Universo da franquia. E definitivamente Minions 2: A Origem de Gru faz um filme ótimo para as crianças. Tem cores para todo lado, momentos alucinantes a cada 15 minutos, uma boa trilha sonora e passagens que são bem ágeis para avançar com a trama.

Mas novamente parece uma curva muito grande para ser dada para na franquia em um novo capítulo. O filme compensa algumas questões de uma história fraca narrativamente falando com easter-eggs e referências para a franquia que realmente me parecem que ficam ali apenas jogadas de forma gratuita em tela. Seja a introdução do Dr. Nefario com sua loja de discos, que lá na frente vai se juntar com Gru e os Minions, de onde Gru tirou a ideia de querer roubar a Lua, e claro a ida ao Banco do Mal onde temos uma referência para o jovem Vector (o vilão da franquia principal).

Foto: © 2022 Universal Studios. All Rights Reserved.

Nisso tudo, Minions 2: A Origem de Gru também se apoia nessa obsessão de Gru em querer fazer parte do maior grupo de vilões que existem no mundo, os Vicious Six, um grupo de super-vilões na qual o jovem Gru quer muito entrar e é formado pelos mais diferentes tipos de personagens apresentados no longa. Temos o líder deles, e o vilão favorito do protagonista, o Wild Knuckles (voz de Alan Arkin no original), Taraji P. Henson como uma rainha do disco com um cabelo afro e roupas brilhantes, uma freia adoiada (voz de Lucy Lawless no orignal), um lutador de peso pesado chamado Jean-Clawed (voz de Jean Clude Vandame no original) e muito mais.

E fica claro que em Minions 2: A Origem de Gru você não pode querer ser um vilão sozinho. Na busca de querer fazer parte de um grupo, Gru tenta se candidatar para uma vaga no Vicious Six e é rejeitado. Até que o personagem vai descobrir que ele mesmo pode ter sua família de vilões. E os roteiristas tem que fazer a história de origem de Gru se conectar com a busca dos minions Kevin, Otto e Bob para conseguir salvar o chefe das mãos dos super-vilões que o sequestraram.

E tudo isso envolve um medalhão mágico, aulas de artes marciais com uma massagista com voz de Michelle Yeoh na versão original, transformações em bichos estranhos, e cenas durante um evento chinês no meio das ruas de San Francisco que realmente entregam uma piração visual sem tamanho e fazem o filme mais bonito que franquia Malvado Favorito já foi em termos de técnicas de animação. 

No final, mesmo que sem muito entender por que precisávamos ter essa história, Minions 2: A Origem de Gru definitivamente faz uma boa e hilária aventura para as férias que deve agradar o público alvo para que foi feito, onde fica claro o motivo que demorou tanto para o longa ser lançado. 

Avaliação: 3 de 5.

Minions 2: A Origem de Gru chega em 30 de junho nos cinemas nacionais.

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