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100 Dias | Crítica: Daddy issues e bons efeitos especiais

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O que mais chamou atenção em 100 Dias foi, definitivamente, o desafio logístico de filmar as cenas dentro do barco que levou Amyr Klink a fazer uma travessia pelo oceano Atlântico, em pleno anos 80 e sem nenhuma ajuda tecnológica.

É nisso que o filme tem sua força e é aqui que o diretor Carlos Saldanha e ator Filipe Bragança acertam aqui nesse longa nacional que realmente tem seus momentos. Mesmo que narrativamente sofra altos e baixos, iguais às ferozes marés que o personagem enfrenta ao longo dos dias nesse barco.

Não é que o filme seja ruim. A história é curiosa, interessante, intrigante, e Bragança realmente está muito bem. O ator abraça esse papel de protagonista, de leadman, que já havia mostrado em outros projetos, mas aqui entrega uma atuação mais madura do que em seus últimos trabalhos. 

Foto: Adriano Vizoni/Pivô Audiovisual
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Mesmo 100 Dias soa muito mais como um filme de “autoajuda” do que qualquer outra coisa. Principalmente quando vemos o roteiro tentar conectar o espírito aventureiro de Klink com os problemas com o pai (aqui interpretado por Felipe Camargo) e uma fraca história de amadurecimento.

Narrativamente, 100 Dias soa como um filme simples, sem muito brilho ou emoção. Mas, do ponto de vista técnico, é uma verdadeira experiência para se ver, assistir e aproveitar na telona. Para uma produção nacional, os efeitos aqui, seja do mar, das ondas, do barco, e até mesmo de conseguirmos acompanhar a evolução do corpo de Klink ao longo desses dias em alto mar, são bastantes impressionantes. Ver Bragança como o navegador ao longo da jornada, os desafios e os obstáculos dá a chance para o ator entregar um show de um homem só. Afinal,  em 100 Dias é Klink, o mar, o sol e, às vezes, a presença de uma baleia ou outra.

Enquanto Saldanha se desdobra para posicionar a câmera no minúsculo espaço do barco, Bragança coloca o máximo que pode nesse personagem, enquanto o roteiro de Elena Soarez e Thais Tavares tenta fazer paralelos entre a vida do navegador nos momentos pré-viagem e os acontecimentos na embarcação durante a travessia. Algumas cenas dão certo, como o desafio de adaptar a comida para o peso que o barco suportava; outras, nem tanto, como o fato de que Klink recusou ajuda com uma nova rota e ficou preso numa corrente por dias.

A ideia de “juntos venceremos” que o texto imprime pode soar um pouco piegas, mas 100 Dias compensa no carisma da atriz francesa Philippine Leroy-Beaulieu (vista em Emily em Paris, da Netflix), que aqui interpreta a mãe de Klink; de João Vitor Silva como Tymur, o irmão do personagem; e ainda de Martha Nowill como uma cozinheira que ajuda Klink na empreitada pré-viagem. Todos estão bem, mas navegam apenas para existir em função do protagonista.

No meio da vastidão do oceano e da solitude da viagem, 100 Dias mostra uma visão mais positiva, diluída e açucarada dessa jornada, que é comandada e guiada pela atuação de Bragança, que se destaca mais uma vez. Seja como o focado Klink ou como o cantor Sidney Magal, com 100 Dias o ator se reafirma como um dos melhores dessa safra atual de talentos.

Nota:

100 Dias chega em 29 de outubro nos cinemas.

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