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O Bosque Selvagem | Crítica: Animação em stop motion impressiona pelo visual, mesmo que tropece em história complexa

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Não dá para negar que O Bosque Selvagem (Wildwood, 2026) é uma das maiores animações em stop motion já feitas, num longa caprichado e impressionante de se assistir nas suas mais de 2 horas de duração. É um trabalho colossal da Laika que se supera depois de sucessos como Coraline e Kubo e as Cordas Mágicas.

Tudo aqui chama atenção: o visual, a forma como tudo é apresentado pelo diretor Travis Knight (no seu segundo filme do ano), os pequenos detalhes que são sentidos e notados em tela, e também a história (com roteiro de Chris Butler) mais madura e complexa que o longa oferece, que definitivamente não faz O Bosque Selvagem ser um filme para crianças.

COURTESY OF LAIKA
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Tudo o que faz O Bosque Selvagem brilhar os olhos visualmente e sensorialmente acaba por esbarrar um pouco no mesmo roteiro grandioso e que se mostra mais robusto e rebuscado do que parecia ser. Afinal, fica claro aqui, que O Bosque Selvagem parece fazer uma grande combinação de diversas histórias já contadas ao apresentar a narrativa de uma garotinha (voz de Giulia Benite na versão nacional) que, em busca do irmão desaparecido, parte com um amigo (voz de Pedro Burgarelli na versão nacional) para uma terra mágica, cheia de personagens cativantes e ao mesmo tempo perigosos.

Já vimos esse tipo de história em As Crônicas de Nárnia, O Senhor dos Anéis e até mesmo no conto da Rainha da Neve, que deu origem ao mega hit Frozen. O Bosque Selvagem falha nesse sentido, e todo o trunfo visual aqui é ofuscado pela narrativa. De certa forma, pensando na grandiosidade que tem, e como o filme tem bastante tempo de duração, o sentimento de empolgação e deslumbramento, ao ver cada detalhe, passa. Claro, isso não faz com que seja um filme ruim, apenas torna a experiência mais diluída.

Mas é inegável que o trabalho aqui, com mais de 200 bonecos e 2.804 planos, faz de O Bosque Selvagem o maior, mais ambicioso e espetacular trabalho da Laika. O sentimento de épico é sentido desde o começo do filme, quando vemos um bando de corvos raptarem o jovem Mac na frente da irmã, até a ida de Prue e Curtis para dentro da floresta, onde topam com um exército de lobos e cruzam o caminho da figura imponente da Governadora Alexandra, que tem planos malignos para a criança sequestrada e para a região, após a morte do seu filho causar um grande trauma.

COURTESY OF LAIKA

O Bosque Selvagem faz, então, o que boa parte dos filmes de fantasia, épicos e mundos mágicos faz: apresenta coadjuvantes carismáticos na figura de animais, algumas reviravoltas (feitiços complexos, promessas e prazos) e, claro, grandes batalhas, e perseguições pela vasta floresta. A criação de mundo aqui é um trabalho primoroso, sem dúvidas. O sentimento de assistir a algo grandioso sempre cerca O Bosque Selvagem, assim como os corvos que perseguem Prue e Curtis, e a sensação de que realmente estamos vendo, mesmo que de forma cansativa, algo maravilhoso é sempre notada.

Enquanto Prue e Curtis fazem amizade com enormes animais, como águias, ratos e corujas, O Bosque Selvagem caminha para momentos mais tensos e sombrios, para depois entrar num ritmo alucinante de cenas de ação e de batalha, enquanto uma liga de rebeldes luta contra a ameaça dos reinantes.

No final, O Bosque Selvagem impressiona, sem dúvidas, e realmente entrega um filme que se destaca dos demais lançados no ano por conta de todo o trabalho monumental apresentado, que levou mais de 5 anos para ser finalizado.

Nota:

O Bosque Selvagem chega nos cinemas em 29 de Outubro.

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