Vingadores: Ultimato | Crítica

A aguardada sequência de Vingadores: Guerra Infinita (2018) chega finalmente aos cinemas, e antes de tudo, Vingadores: Ultimato (Avengers: Endgame, 2019) cumpre tudo aquilo que promete, vai além, e entrega uma poderosa, impactante e emocionante conclusão de mais de 10 anos do Universo Cinematográfico da Marvel.

Don Cheadle, Robert Downey Jr., Bradley Cooper, Chris Evans, Scarlett Johansson, Jeremy Renner, Paul Rudd, and Karen Gillan in Avengers: Endgame (2019)
Vingadores: Ultimato – Crítica | Foto: Disney Studios

A primeira idéia para o filme, na época chamado apenas de Vingadores 4, era ser uma parte 2 de Vingadores: Guerra Infinita, mas aqui Vingadores: Ultimato além de ganhar um novo título, chega e faz um filme próprio, que por mais que dependa (e muito) de um outro longa para funcionar, consegue em sua trama, criar uma longa narrativa com começo, meio e fim, e entrega uma produção com um senso de escala gigante, e quem sabe entregue um sentimento ainda mais alucinante do que foi visto em Vingadores: Guerra Infinita!

O Endgame do título original, além de fazer uma referência imediata a frase dita pelo Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch) em Vingadores: Guerra Infinita, logo após o personagem entregar a Joia do Tempo para o vilão Thanos (Josh Brolin), ainda nos mostra como a dupla de roteiristas, Christopher Markus e Stephen McFeely realmente pensaram muito bem e trabalharam na história de uma maneira geral, e principalmente pelos momentos que optaram por serem o ponto de divisão entre os dois filmes.

E aqui, Vingadores: Ultimato fica mais focado em ser um retrato triste e melancólico dos eventos após o estalo que marcou o filme de 2018. Mas, se pensarmos no filme pelo ponto de visto de seu título nacional, Ultimato, vemos que a tradução escolhida molda mais ainda o que esperar do filme: o último capítulo, uma última grande cena pós-crédito, onde os Vingadores caminham para tentar resolver aquilo que eles não conseguiram da primeira vez: derrotar, finalmente, o Titã Maluco.

E assim, é como podemos descrever Vingadores: Ultimato, um filme que faz uma reunião surpreendente de personagens que entrega uma história devastadora e cheia de pequenos easter eggs que farão os fãs saírem da sessão de cabelo em pé!

Temos então, a equipe na Terra, liderados pelos sobreviventes, Capitão América (Chris Evans, com uma aparência de cansado) e Viúva Negra (Scarlett Johansson, agarrando um protagonismo para si) lambendo suas feridas, mas já pensando em como ir atrás de Thanos novamente e contando com a chegada de uma nova aliada, a toda poderosa Capitã Marvel (Brie Larson, se destacando entre uma grande quantidade de colegas!).

E aqui, já avisamos, é muito complicado, falar de Vingadores: Ultimato sem spoilers, mas faremos o melhor possível. Para quem acompanha, teorias, fotos de gravações e etc, já tem uma noção do que esperar, e Vingadores: Ultimato entrega tudo isso que vocês já sabem, mas também garante muitas, mas muitas surpresas, seja em alguns arcos narrativos, ou com surpreendentemente boas participações especiais de personagens que não davam as caras no MCU já tem um bom tempo.

Assim, em sua primeira hora, Vingadores: Ultimato entrega aquilo que já imaginávamos: os heróis com uma idéia em mente e que ao longo do filme é colocada em ação. Mas sempre que temos um plano para colocar em prática, pelo menos nos filmes de super-heróis de uma franquia como essa, as coisas nunca funcionam de acordo com que é planejado. E em Vingadores: Ultimato, isso acaba por temos uma comprovação real disso, não é mesmo Peter Quill (Chris Pratt)?

Os roteiristas parecem ser divertir com as idéias, situações e personagens apresentados em diversos outros filmes, que vão desde Homem-Formiga e A Vespa (2018) até mesmo Thor: Ragnarok (2017). E assim, Vingadores: Ultimato entrega diversas sequências com aquele jeitão do fator Marvel sabem? Divertidas, carismáticas, bem humoradas e cheias de pequenas homenagens aos 10 anos do universo do estúdio do cinema.

Mas, ao mesmo tempo, como falamos, Vingadores: Ultimato faz o filme mais dramático da franquia, até então. Se Capitão América 2: O Soldado Invernal (2014) foi um thriller de suspense, e Vingadores: Guerra Infinita (2018) um choque de adrenalina, Vingadores: Ultimato começa como uma brisa suave antes da tempestade.

Vingadores: Ultimato – Crítica | Foto: Disney Studios

Assim, os irmãos Russo entregam um longa bem autoral, marcado por ser a revanche contra Thanos, pela frase, já icônica, “Custe o que custar” vista nos trailers, e pelos os Vingadores sendo representados por um Tony Stark (onde a Disney e Kevin Feige com certeza irão lançar já uma pré-candidatura de Robert Downey Jr para alguma premiação) sem forças para voltar para a Terra, numa nave perdida no espaço junto com a robótica Nebulosa (Karen Gillian com um destaque merecido!), ou pelo Capitão América com a cara no chão depois de bastante apanhar, mas mesmo assim, levantar!

Com isso, vemos que a Marvel Studios faz, até então, o mais ousado e grandioso filme de super heróis já criado. Vingadores: Ultimato, em sua essência faz um filme de super-herói, mas que surpreende com mais camadas do que deveria ter, e acaba por ser uma produção que se dá o luxo ao brincar com diversas vertentes e histórias, tem cenas longas e tomadas contemplativas, e claro, também deixa transparecer alguns problemas, e alguns incômodos, como ao criar diversas tramas para já as encerrar em poucos minutos. E por mais que o longa tenha também problemas estruturais, como por exemplo, de ter muitos personagens para pouco tempo em tela – isso que o longa tem 3 horas de duração – e uma necessidade de trabalhar certos arcos narrativos de uma forma um pouco apressada, o filme faz isso, de um jeito completamente ciente do seu público e do que já foi apresentado em outros filmes da franquia.

Vingadores: Ultimato, ainda se apoia completamente na força que os personagens como Capitão América, Tony Stark, Viúva Negra, Thor (Chris Hemsworth que abraça seu lado cômico de vez), Hulk (Mark Ruffalo, numa solução complicada do personagem escolhida) e Gavião Arqueiro (Jeremy Renner mais sério e com uma história boa e que bem é desenvolvida) ainda tem no imaginário popular e seu impacto na cultura pop desde então.

Chris Evans in Avengers: Endgame (2019)
Vingadores: Ultimato – Crítica | Foto: Disney Studios

Assim, a Marvel Studios, entrega um filme com um tom de despedida, uma grande festa que termina uma série de mais de 20 filmes com um estouro, e uma celebração grandiosa para comemorar tudo o que os Vingadores já apresentaram até então, onde mesmo com diversos tropeços ao longo dos anos, e que são varridos para debaixo do tapete como os filmes Thor: O Mundo Sombrio (2013), Vingadores: Era de Ultron (2015) e Homem de Ferro 3 (2013), o saldo final acabe por ser positivo.

Vingadores: Ultimato acaba por ser então, um filme de fechamento de fase, aqui chamada de A Saga de Infinito, mas que ainda consegue deixar pequenos lampejos para um futuro de uma Marvel Studios mais conectada e interligada, seja com as séries do novo streaming da gigante Disney, e claro, com novas produções focadas em outros personagens que não o grupo original apresentado lá em Os Vingadores: (2012).

No final, Vingadores: Ultimato, enfim, encerra, uma trajetória extremamente bem calculada, que teve bastante tempo para respirar, garantiu uma legião de fãs e claro, fez muito dinheiro em caixa. Um último filme, uma última experiência emocionante para os fãs da franquia, sem sombra de dúvida.

PS: O filme não tem cena pós-crédito.

Nota do Crítico:

Vingadores: Ultimato entra em cartaz no dia 25 de abril.

Miguel Morales

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