Uma Nova Chance | Crítica

A maioria dos filmes da cantora Jennifer Lopez tem uma veia mais cômica sem deixar aquele ar de dramalhão com fortes raízes latinas, afinal, J.Lo, como é mais conhecida, tem ascendência porto-riquenha e sempre foi um dos maiores nomes da comunidade latina nos EUA. E isso, serve como um chamariz para suas produções, que na maior parte das vezes, são comédias românticas, onde mostram uma personagem que batalha para atingir um sucesso especifico e transformador de vidas.

Foi assim, com Encontro de Amor (2002) e até mesmo com Contato de Risco (2003), e aqui, Uma Nova Chance (Second Act, 2018) não foge a regra. O longa faz uma produção com um tom novelesco, cafona, e até mesmo datado nos anos 2000, mas, ao mesmo tempo, acerta em ser bem humorado e divertido na medida certa.

Uma Nova Chance, é um típico filme para se dar uma chance, num final de tarde, onde, não é esperado nada de mais, apenas uma diversão honesta e descompromissada.

Jennifer Lopez and Leah Remini in Second Act (2018)
Uma Nova Chance – Crítica | Foto: Diamond Films

J. Lo não é nenhuma rainha das das atuações, mas acerta em fazer personagens humanas e conflitos típicos do dia-a-dia de uma pessoa comum e trabalhadora. Talvez, graças ao seu trabalho na série Shades of Blue, que durou três temporadas, isso tenha ajudado a cantora a desenvolver seu lado de atriz com mais facilidade.

Aqui, Lopez, também, se beneficia pelo roteiro de Justin Zackham e Elaine Goldsmith-Thomas, que sabem bem trabalhar e desenvolver os personagens, onde a dupla, consegue criar camadas para eles que são desenvolvidas ao longo do filme. E isso fica visível, não só pela protagonista de Lopez, a trabalhadora Maya, mas de grande parte do elenco de apoio, desde dos amigos do bairro que a moça vive, até mesmo os funcionários da mega corporação em Manhattan que a personagem vai trabalhar.

Na trama, acompanhamos Maya (Lopez), uma empenhada funcionária de uma loja de departamentos num bairro afastado que sempre deu o melhor para a empresa, mas não vê uma possibilidade de crescimento, pelo fato de não ter completado o ensino médio. Assim, ela tenta uma chance no competitivo mundo corporativo no centro financeiro de Nova York.

Quando ela mente sobre suas credenciais e seu currículo para provar que o conhecimento das ruas é tão importante quanto um diploma da faculdade, Maya entra numa jornada de auto-conhecimento, novas descobertas e desafios que mudam sua vida para sempre.

Uma Nova Chance, no começo pode parecer um bobinho filme, que foca exaustivamente em cenas de Lopez andando por Nova York, e tem uma competição para quem irá criar uma nova marca de cosméticos na nova empresa, onde a personagem, precisa enfrentar uma outra funcionária, a competitiva Zoe (Vanessa Hudges, num bom ano), mas no final, acaba por ser mais do que isso, mesmo com alguns problemas ao longo do caminho.

Jennifer Lopez, Alan Aisenberg, Charlyne Yi, and Annaleigh Ashford in Second Act (2018)
Uma Nova Chance – Crítica | Foto: Diamond Films

O filme entrega uma virada em sua história que muda completamente a visão sobre o filme, que parte de uma comédia de Sessão da Tarde, para um drama envolvente sobre novas chances (em vários sentidos!), encontrar seu lugar no mundo e fazer a escolha certa.

Assim, Uma Nova Chance, parece ter dois roteiros costurados dentro de uma mesma história, mas que, levam a trama com poucas complicações, mesmo que no final, o espectador possa ficar um pouco cansado com as idas e vindas, sem saber qual gênero focar. A produção funciona quando seus atores estão em duplas e focam nos momentos mais engraçados, como por exemplo, o hilário Alan Aisenberg que faz um cientista atrapalhado, e se une no time junto com a assistente de Maya, a tímida Ariana (Charlyne Yi), onde os dois, fazem um contra-ponto espirituoso com o outro time liderado pela personagem de Hudges e o executivo Ron (Freddie Stroma) e passam por situações cômicas divertidíssimas durante a tal competição.

Já, a atriz Leah Remini, como a engraçada e carismática melhor amiga Joan, aparece em momentos pontuais, como uma boa quebra nos momentos um pouco mais dramáticos. Milo Ventimiglia, como o namorado e Freddie Stroma, como um executivo que ter puxar o tapete da colega, ficam de escanteio no longa, onde o filme claramente é dominado pelas mulheres.

Com uma história agradável, misturada com momentos engraçados e outros um pouco mais sérios, Uma Nova Chance, entrega aquilo que promete, uma trama leve, com uma mensagem de superação, e até mesmo, empoderamento feminino.

Assim, o filme acaba por ser, a famosa opção para uma pausa no corrido dia-a-dia, onde sua mente pode desligar por umas 2 horas, sem preocupações, e apenas assistir, J.Lo desfilar com Vanessa Hudges em roupas elegantes por Nova York. E, às vezes, merecemos essa pausa.

Nota do Crítico:

Uma Nova Chance chega nos cinemas em 31 de janeiro.

Miguel Morales

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