Netflix, a perda dos contratos de transmissão, e a guerra dos serviços de streaming!

A Netflix abriu um caminho para a popularização dos serviços de streaming, mas antes de mais nada, a plataforma é uma empresa dentro de um mercado altamente competitivo que faz parte do sistema capitalista. Ou seja, os acionistas da Netflix resgatam séries, produzem novos conteúdos, são engraçados nas redes sociais, não por que são bonzinhos, e sim pelo retorno financeiro que certo produto poderá dar. 

Um dos fatores que deu a popularização da plataforma lá no começo, foi o preço da assinatura, e a possibilidade de encontrar no catálogo conteúdos antigos misturados com novos, e tudo isso disponível on-line, assim, adeus DVD e mídia física.

E para os estúdios, isso era vantagem também, colocar seus programas numa plataforma terceira, e continuar focando no modelo tradicional. Era. Passado. 

As gigantes da comunicação acordaram, um pouco tardiamente, e viram que o modelo de negócio da Netflix, é muito vantajoso. A estimativa de receita da empresa no último ano foi de mais US$ 15 bilhões, um aumento de 35% em relação para 2017 (via macrotrends.net). 

Assim, além de novas plataformas surgirem, como o Prime Video e Hulu, as corporações em Hollywood abriram os olhos para a tonelada de dinheiro que a gigante vermelha fazia, no último ano a Netflix teve mais de 29 milhões de novos (e pagantes) usuários (via CNBC), chegando em 150 milhões de usuários globalmente. E agora, eles mesmos querem ter um serviço de streaming para chamar de seu, e depositar suas milhares de horas, guardadas em algum servidor, para o público, por um preço, claro. Os fãs das séries Friends e Grey’s Anatomy que o diga não é mesmo?

E depois que o contrato entre a Disney e a Netflix, que entrou em vigor em 2012, terminou, as coisas ficaram mais difíceis. As séries da parceria Marvel e Netflix, como Luke Cage, Punho de Ferro, Os Defensores, O Justiceiro, Demolidor e Jessica Jones já não terão mais temporadas anunciadas, exemplo.

Anteriormente, o acordo dava para a Netflix, o direito de transmissões da primeira janela de exibição para todos os filmes seja eles da Marvel Studios, da Pixar ou da própria Disney.  Agora, a partir desse ano, os filmes do guarda-chuva do estúdio chegarão primeiro no novo serviço da Disney, o Disney+ que será inaugurado em Novembro, onde teremos Capitã Marvel como um dos principais filmes lançados por lá, na época do lançamento assim como, Vingadores: Ultimato que deve chegar em Dezembro.

Assim, o contrato de mais de 300 milhões de dólares (via Variety) para transmissão dos conteúdos acabou. O mesmo vale para as séries da Warner TV e do canal americano The CW. Segundo o site Deadline, as novas produções aprovadas para a próxima temporada, (leia mais sobre os Upfronts 2019 aqui) Batwoman, Nancy Drew e Katy Keene, não serão vendidas exclusivamente para a plataforma, e sim, comercializada separadamente para o mercado, com a possibilidade de compra pela Netflix. 

Isso, termina também o contrato que a emissora tinha com a Netflix desde de 2011, onde as séries como The Flash e Riverdale tinham direitos de transmissão para passarem logo após suas temporadas acabarem na plataforma. 

Batwoman, segundo a jornalista Nellie Andreeva, tem chances de ir para a plataforma da WarnerMedia que será lançada entre o final 2019 e 2020. (Leia mais aqui). Assim, como o serviço de streaming da NBC/Universal que faz parte do grupo Comcast, o mesmo que tentou comprar as ações da 20th Century FOX. (Leia mas aqui).

Claro, isso não é o fim, da Netflix que apostou muito em conteúdo original nos últimos anos, foram mais de 13 bilhões de dólares em 2018, e uma projeção de 15 de milhões em 2019 (via Variety) quase 1500 horas de produções próprias.  

Assim, a possibilidade de todos esses serviços finalmente chegarem no Brasil e disputarem a atenção e o bolso do consumidor é possibilidade bem grande A grande pergunta que fica, qual deles você assinaria, e quais não?

Miguel Morales

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