Nasce Uma Estrela | Crítica

Hollywood tem se aproveitado para fazer novas versões de filmes consagrados e ganhar bastante dinheiro ao apelar para o sentimento de nostalgia e se apoiar numa fórmula pronta de que se fez sucesso antes, deve fazer sucesso, agora.

E no caso de Nasce Uma Estrela (A Star Is Born, 2018), essa é a terceira vez que a história do filme lançado em 1937, e já protagonizado por diversos atores, é contada nas telonas. E na versão de 2018, cara, parece que foi a primeira vez.

A cantora e mega popstar Lady Gaga e o ator Bradley Cooper protagonizam essa adaptação e fazem um filme fascinante, envolvente e que acaba por ser uma belíssima experiência musical. A química dos dois, juntamente com a fantástica trilha sonora, faz de Nasce Uma Estrela um dos filmes mais bonitos e poderosos do ano até então.

nasce uma estrela crítica
Foto: Warner Bros Pictures

Cooper e Stefani Germanotta, nome por trás da persona de Lady Gaga, navegam em cenas que misturam momentos mega sedutores e de paixão com passagens super doces e bonitas. A dupla, como os cantores Ally e Jackson, entrega atuações impressionantemente boas, onde Gaga em cena, dá arrepios toda vez que aparece e Cooper que se doa completamente para os vícios e a decadência de seu personagem. Se em Nasce Uma Estrela os dois são a alma e corpo do longa, os atores coadjuvantes ajudam o filme a ganhar sua forma e também tem seus momentos, como é o caso das ótimas drag queens Shangela e Willam Belli, assim como o ator Sam Elliott que faz um empresário musical e está super confortável no papel. 

No roteiro de Nasce Uma Estrela, escrito pelo trio Eric Roth, Bradley Cooper e Will Fetters, somos apresentados para questões sobre como atingir seu potencial, agarrar oportunidades e, claro, a produção consegue mostrar o lado bom e ruim da fama de uma forma bastante interessante. Toda a premissa do filme se dá pelo fato da carreira de Ally decolar na mesma velocidade que a de Jack decair. O filme é um ode para a indústria audiovisual que além de ter uma trilha sonora presente e constante ao longo de suas duas horas de duração, consegue mostrar também o ser humano por trás do artista e o quão, no final das contas, eles são pessoas e seres de carne e osso como todos nós.

O grande carro chefe da produção é sim a presença da dupla de atores principais mas tudo em Nasce Uma Estrela consegue se encaixar de uma forma bem sincronizada sabe? Desde da fotografia mais escura, carregada no vermelho e em outras cores quentes até mesmo, em certas posições de câmera que o diretor, Cooper em sua estreia, escolhe. Em vários momentos vemos uma abordagem mais intimista com a lenta colada no rosto dos personagens para mostrar os sentimentos de dor, paixão e até mesmo felicidade.

O nascimento de uma estrela e a queda da outra é uma grande jornada mostrada no filme, onde o caminho conquistado por Ally e derrocada de Jackson deixam claro o quão complexa é a relação dos dois. Em nenhum momento os personagens são colocados em rótulos de vilão ou de mocinhos mesmo que ambos tomem decisões perigosas ao longo do filme. Em Nasce Uma Estrela temos diversas situações mostradas na trama que deixam quem assiste até mesmo um pouco apreensivo, sobre o que pode acontecer nas próximas cenas, o que faz da edição, com seus diversos cortes secos e telas pretas, um dos outros grandes acertos e triunfos do longa.

nasce uma estrela crítica
Foto: Warner Bros Pictures

Nasce Uma Estrela por mais que não sofra com um problema de ritmo, o roteiro é bem ágil para ambientar o espectador na história dos personagens, peca um pouco com algumas faltas de poda, onde o longa tem um excesso de cenas contemplativas que deixam a produção um pouco mais densa do que deveria. Mas, no final das contas, tudo isso é deixado de lado pelo poder de sedução que o filme tem em nos envolver, mesmo que uns 10 minutos poderiam ser retirados do corte final e que deixariam a produção ainda mais agradável. Falando em minutos, a sequência final entrega e finaliza os arcos dos personagens de uma forma absurdamente maravilhosa onde a audiência deve ser pega de supresa e ficar sem fôlego.

Com a música Shalow comandando a trilha sonora, Nasce Uma Estrela faz um dos filmes mais intensos e envolventes dessa temporada de premiações. Lady Gaga transpira sentimentos e emoções e, juntamente com Bradley Copper, a dupla, faz papéis completamente únicos para suas carreiras.

Serão, com certeza, figurinhas carimbadas nas listas dos próximos grandes prêmios.

Nota do Crítico:

Nasce Uma Estrela chega nos cinemas em 11 de outubro.

Miguel Morales

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