Lady Bird – A Hora de Voar | Crítica

O hype em cima de Lady Bird (que ganhou no Brasil o subtítulo A Hora de Voar) vem desde lá de Novembro quando o filme estreou em poucas salas nos EUA depois de abrir no agregador de críticas rotten tomatoes com 100% de aprovação.

O truque do rotten é que esse score é simplesmente baseado em “gostei” ou “não gostei” e claro 100% dos críticos que escreverem seus textos avaliaram o filme como gostei. E Lady Bird – A Hora de Voar (Lady Bird, 2017) claro é um bom filme mas ele tem muitas ressalvas e então o importante é sempre olhar a nota que a produção leva, o 100% de aprovação não significa que o filme seja 10/10 o que Lady Bird está longe de ser.

Foto: Universal Pictures/A24

Claro, a diretora Greta Gerwig consegue fazer um dos filmes que mais conseguem capturar a essência dos relacionamentos familiares, principalmente mãe e filha, ao contar a história de Catherine “Lady Bird” McPherson em sua fase adolescente e Saoirse Ronan claramente faz uma performance fantástica e cativante. Sua personagem é uma mistura de Cher de As Patricinhas de Beverly Hills com o Sheldon do seriado The Big Bang Theory, adorável e irritante.

Talvez um dos maiores acertos do longa seja a escalação da atriz Laurie Metcalf que faz um show de atuação, como Marion a mãe da personagem principal que não se dá bem com a filha e tem dificuldades em aceitar a pessoa que é Lady Bird. A dinâmica mãe e filha é um dos pontos altos do filme na medida que vemos as duas tentando demostrar o amor uma pela outra em suas próprias formas.Marion é mais centrada, preocupada com as finanças e pé no chão, Lady Bird faltando uma palavra melhor é avoada. Isso fica claro nas ótimas cenas tanto de abertura com a discussão no carro “Eu quero ir para Nova York” quanto na cena na loja de roupas enquanto as duas discutem ferozmente mas param durante alguns segundos ao ver um vestido bonito pendurado na arara.

O humor de Lady Bird é bem peculiar e acaba sendo uma produção bem americanizada onde as aspirações e estilo de vida das protagonistas são bem definidas e específicos o que pode gerar um certo distanciamento entre a realidade (brasileira) de quem vê com o filme. Pois no final as motivações, o porquês de certas coisas aconteceram acabam ficando muitos vagos afinal não vemos claramente nenhum problema sério efetivamente e sim uma personagem principal mesmo que complexa e humanizada bastante irritante e até certo ponto mimada e egoísta.

Foto: Universal Pictures/A24

Se você assistiu a série Girls verá que Lady Bird é a mistura de todas elas com seus problemas e divagações típicas de uma jovem entediada. Toda a jornada de descobrimento com os garotos, os ótimos atores em acensão Timothée Chalamet e Lucas Hedges, apenas fazem o filme ficar um ar meio pretensioso demais onde apenas acompanhamos como um pássaro no ombro da personagem momentos chaves de sua vida. 

Escrito por Gerwig, Lady Bird acaba no final sendo uma longa carta de amor para a cidade de Sacramento que também faz parte da história do filme, afinal vemos a personagem principal querendo desesperadamente sair de lá mesmo novamente não tendo nenhum motivo aparente para isso acontecer. A caracterização de época também é muito bem acertada, com filme se passando em 2002 ele acaba sendo excelente ao mostrar a realidade dos jovens naquele tempo, algo que parece hoje ser tão distante.

Mesmo sendo um bom filme de amadurecimento (o famoso coming of age) Lady Bird acaba sendo mais um amontoado de cenas bastante desconexas entre si que se apoiam no exagero mesmo com ótimas atuações de Ronan e principalmente de Metcalf.

Nota do Crítico:

 

Lady Bird – A Hora de Voar está em cartaz nos cinemas.

Miguel Morales

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