Kong: A Ilha da Caveira | Crítica

Quando foi anunciado que a Warner Bros iria produzir um novo filme focado em Kong muita gente torceu o nariz pensando “mais um filme que quer ser terror com um animal grande na tela“. Mas depois que o elenco foi anunciado e nomes grandes na indústria como John Goodman, Tom Hiddleston, Samuel L. Jackson e, claro, a recém ganhadora do Oscar, Brie Larson, entraram para a produção, aí você já fica com um sentimento “epa pode sair alguma coisa boa daí”.

Até os primeiros trailer saírem a trama do filme não foi muito revelada e o diretor Jordan Vogt-Roberts tentou fazer suspense durante um bom tempo. E sempre depois de um novo trailer ou clipe a sensação de “esse filme vai ser bom” vinha, mas a gente já com aquele pé atrás. Afinal em 2016 fomos bastante enganados, não é mesmo?

Assim o filme Kong: A Ilha da Caveira (Kong: Skull Island, 2017) se passa durante a década de 70, onde em plena guerra fria os conhecimentos sempre deviam ser descobertos primeiro para gerar um tipo de vantagem entre os inimigos. Com esse pretexto um desacreditado Bill Randa (papel do sempre no tom John Goodman) e seu colega Houston Brooks (Corey Hawkins) conseguem apoio federal para continuar seus estudos sobre a Teoria da Terra Oca, em que embaixo da Terra vivem animais que estão escondidos em repouso durante muitos anos. Para ele um dos pontos de contatos com a superfície é uma ilha misteriosa que tem o formato de uma caveira. Ele consegue então reunir uma equipe para ir até lá e verificar o que tem naquelas terras recém-descobertas.

Claro que a equipe não sabe das verdadeiras motivações da missão…

Foto: Warner Bros. Pictures

Contando com a ajuda do Comandante Packard (o possuído e fantástico Samuel L. Jackson), que quer provar que serviço militar americano é o melhor do mundo, o rastreador James Conrad (o sempre enigmático Tom Hiddleston) e de tira colo a fotógrafa independente e meio paz e amor Mason Weaver (Brie Larson ótima no papel), eles partem para a ilha para desvendar os mistérios dela. O elenco dos soldados também se faz presença na história, afinal eles tiveram que ir para uma nova missão no dia que deveram ter voltado para casa. As tramas de fundo deles são bem interessante de acompanhar ao longo do filme, mas não se empolgue muito não mais da metade deles tem a função clara de estar lá para morrer.

A preparação para o embarque na ilha também é bem didática tanto no sentido de explicação da ilha e da missão quanto da apresentação dos personagens. Tudo envolvido numa trilha sonora bem agitada e empolgante.

Ao chegarem na Ilha da Caveira eles tombam logo de cara com o poderoso e gigante Kong, guardião do local. As primeiras cenas de combate entre eles e o gorila do tamanho de um prédio são muito bem desenvolvidas, com os efeitos especiais super desenvolvidos e a cada cena é uma surpresa diferente. O truque da direção em trabalhar com as proporções do filme é uma grande sacada. Em cenas em que você consegue acompanhar tudo do tamanho real das coisas como por exemplo a dimensão da floresta, da ilha, ou o tamanho do gorila e das outras criaturas para depois a tela focar em uma planta pequena ou uma faca é sensacional e faz o filme ficar ágil e dinâmico.

A trama muda rapidamente quando descobrimos mais sobre o passado da Ilha a medida que o personagem do hilário John C. Reilly que ficou preso lá durante mais de 25 anos começa a contar como que a relação entre ilha, Kong e os outros moradores funcionam. A partir daí o filme passa para uma nova fase que deveria se chamar Kong: Animais Fantásticos e Onde Habitam dentro da ilha. As cenas de batalhas entre os animais ficam ainda mais legais, violentas e com os efeitos especiais mega bem trabalhados. As lutas são de brilhar os olhos.

Foto: Warner Bros Pictures

Talvez um dos poucos erros do filme seja na quantidade de personagens humanos desenvolvendo suas pequenas tramas, enquanto as cenas de luta entre Kong, que tadinho apanha o filme todo, e os outros são encaixadas ao longo do filme. Mas Kong: A Ilha da Caveira entrega um filme honesto, engraçado na medida certa, com piadas pontuais, muitas referências culturais e claro um pouco de drama com uma mensagem nas entrelinhas. Afinal, como é dito no filme, quando você está dentro da sua casa e é atacado, a reação é claro contra-atacar.

Respondendo a pergunta lá de cima o filme é um ótimo acerto para quem não é fã do gênero e um acerto maior ainda para quem é, a produção entrega um filme redondo com excelentes efeitos especiais e um elenco de peso.

E se vale da dica: o filme tem cenas pós-créditos bem legais que valem a pena ficar até o final.

Kong: A Ilha da Caveira em cartaz em 09 de março.

Nota do Crítico: