My Lady Jane | Primeiras impressões: Tipo um live-action do Shrek com pegada feminista

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E se uma parte da História da monarquia britânica não acontecesse como aconteceu nos livros, e sim de uma maneira completamente diferente? Essa é a premissa de My Lady Jane, a nova série medieval do Prime Video que reimagina a vida de Lady Jane Grey e o que poderia ter acontecido, se ela e o marido, não tivessem sido decapitados depois de 9 dias que a nobre assumiu o trono inglês depois que o filho do Rei Henrique VIII, Eduardo, morreu.

É isso que a criadora da atração, a showrunner Gemma Burgess faz. Em My Lady Jane o que temos é uma releitura para lá de doida, e cômica, da História, onde a atração conta uma história de contos de fadas meio que do avesso baseada no livro de mesmo nome. E já que estamos mudando as coisas de como elas aconteceram, por que não colocar um elemento mais fantasioso nessa história, certo? E é isso que My Lady Jane faz. E é graças ao roteiro afiado, o tom debochado, e claro, o elenco escolhido para contar essa história que My Lady Jane deve agradar aqueles que já estão órfãos de Bridgerton. Aqueles que ainda estão na pegada lá da atração e desejam assistir uma outra série com castelos, figurinos de época, e casais com a líbido em alta.

 Jordan Peters, Kate O’Flynn, Dominic Cooper e Abbie Hern em cena de My Lady Jane. Credit: Jonathan Prime/Prime Video
Copyright: Amazon MGM Studios

My Lady Jane aposta no humor, no sem noção, no pirado, e realmente entrega uma trama divertida, espirituosa e para lá de viciante feita para ser maratonada. Eu quando vi o primeiro dos episódios enviados antecipadamente, acabei vendo logo os três de uma vez. Se for o seu tipo de série, My Lady Jane vai te fazer ver tudo de uma vez, sim. Particularmente o que me agradou foi o tom da atração, no estilo dos filmes Emma, a versão de 2020 com Anya Taylor-Joy, Persuasão (2022) com Dakota Johnson, e por que não Maria Antonieta (2006). O que My Lady Jane faz com essa história já é apresentado logo no primeiro episódio quando conhecemos a figura de Jane (Emily Bader), considerada a jovem mais inteligente do reino e da corte do Rei Eduardo. Mas estamos em 1553, e bem, os tempos medievais não eram bondosos com as mulheres. 

Isso fica claro, quando Jane senta a mesa com o tio, o detestável Duque de Leicester (Jim Broadbent) que está de visita e precisa ouvir as maiores barbaridades possíveis durante o jantar que sua família dá para o parente. Sua mãe, Lady Frances (Anna Chancellor, ótima) bola seu casamento com um outro nobre, enquanto suas irmãs mais novas Katherine (Isabelle Brownson) e Margaret (Robyn Betteridge) ficam desesperadas pensando no que será quando for a vez delas. Do outro lado do reino, em outro Castelo, vive o primo de Jane, o Rei (Jordan Peters) que também não passa por bons momentos e e divide o lugar com as meias-irmãs Princesa Mary (Kate O’Flynn) e Princesa Bess (Abbie Hern) todos filhos do conhecido Rei inglês que teve várias esposas (e mandou matar quase todas elas!).

A atração deixa claro, nesse comecinho, que Jane quer ter alguma coisa a mais para sua vida e deseja viver fora dos muros do palácio que viveu a vida toda. Mas como diz sua criada (Máiréad Tyers) ela não iria sobreviver à vida “comum” tão facilmente. E a história de Jane apenas começa quando ela escapa à noite, rumo para a floresta, na véspera do seu casamento e cai num bar lotado de camponeses. E assim unindo todos os elementos que fizeram Shrek dar certo, My Lady Jane faz isso e entrega o mais próximo que poderíamos de um live-action da debochada animação. 

Emily Bader e Edward Bluemel  Jordan Peters, Kate O’Flynn, Dominic Cooper e Abbie Hern em cena de My Lady Jane. Credit: Jonathan Prime/Prime Video
Copyright: Amazon MGM Studios

Com uma trilha sonora moderna, recheada de músicas pops que dão o contraste para a ambientação medieval, My Lady Jane empolga quanto mais foca nessas diferenças entre as épocas. É como se ao mesmo tempo a atração tirasse sarro de o quanto as coisas pouco mudaram nesses quase 500 anos. 

O grande trunfo da atração, além de texto, fica com sua protagonista. Aqui Bader entrega uma protagonista extremamente boa de se assistir e torcer e a atriz está muito bem no papel. E não só ela, My Lady Jane cria diversos outros personagens cretinamente divertidos de acompanharmos as peripécias: seja o Lord Seymour (Dominic Cooper) que arquiteta planos mega evils com a Princesa Mary, ou, até mesmo, pelos nobres da Família Dudley formado pelo arrogante Lord Dudley (Rob Brydon), o bonachão Lord Stan (Henry Ashton, hilário) e também o sedutor e uma pegada de Flynn Ryder de Enrolados, Guildford Dudley (Edward Bluemel). 

As cenas entre Bader e Bluemel são incríveis de assistir, onde fazia tempo que não via uma química tão boa assim, regada de bons diálogos, tiradas, e discussões acaloradas, e o famoso: vai ou não vai para um casal. Talvez desde de Fleabag na temporada com o Padre? O relacionamento de morde e assopra dos dois, coloca todos os casais de Bridgerton no chinelo, onde as melhores cenas dessa farofa medieval que My Lady Jane se apresenta, a cada cena e episódio, ficam com o casal.

Ao longo da série, as reviravoltas na trama, as puxadas de tapete e as intrigas palacianas da corte inglesa apresentam situações das mais doidas e das mais engraçadas para a série… E na medida que Jane sobe ao trono e sua família se vê numa posição de maior destaque na corte, a jovem vai precisar lutar, e usar sua inteligência e astúcia, para continuar com a cabeça intacta. Sabemos o que aconteceu nos livros de História… mas a trama tão amalucada e imprevisível de My Lady Jane promete que vai mudar ainda mais o desenrolar das coisas. E Deus Salve a Rainha.

A temporada completa de My Lady Jane chega no Prime Video em 27 de junho.

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