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Festival do Rio | Oceânico | Crítica: Cientista luta para salvar pesquisa da mílicia em drama com excelente Ana Carbatti

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A premissa curiosa e interessantíssima de Oceânico foi uma das primeiras coisas que chamaram atenção vendo a programação do Festival do Rio 2026. No longa do diretor Guilherme Coelho (de Órfãos de Eldorado, Luz Acesa), temos um Rio de Janeiro do futuro, distópico, quase momentos antes de estarmos em 3% aquela série da Netflix de alguns anos atrás, onde acompanhamos uma cientista que lidera pesquisa em um hospital público carioca que está na busca de desenvolver um remédio para cura do alcoolismo através de um estudo com substâncias psicodélicas.

E por mais que o que Oceânico apresenta empolgue, o que temos aqui é que o longa acaba por ser um filme simples, quase com ares de novela, seja por questões orçamentárias ou decisões narrativas. Mas o que não dá para negar é que o trabalho da atriz Ana Carbatti é o que se destaca aqui. Carbatti apenas eleva o material escrito por diversas pessoas que estão envolvidas no projeto e que vão desde do próprio diretor Guilherme Coelho que atua também como roterista ao lado de nomes como Josefina Trotta, Marcelo Gomes, Mariana Jaspe, Michel Laub e Vinícius Spanghero. É inegável ver como Carbatti está a anos de distância de boa parte dos colegas, como ela puxa para cim o restante do elenco e como isso de certa forma prejudica um pouco a experiência de assistir ao filme.

Foto: Cortesia do Festival do Rio
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Não é que Oceânico seja um filme ruim, porque não é, tem momentos em que eu me vi bastante imerso e entretido com a história, mas a simplicidade de boa parte das cenas, das locações, deixa a desejar. Por outro lado, Oceânico tem certo ritmo que te faz querer saber o que vai acontecer com esses personagens, com a pesquisa da Dra. Adyr de Carbatti, ainda mais quando vemos a milícia entrar na jogada e querer roubar todo o trabalho de anos da profissional e ameaçar a vida dela, do filho Tom (Caio Cabral) e de todo mundo envolvido no projeto, desde do chefe do hospital envolvido em corrupção e uma funcionária prodígio que lida com números, projeções e algoritmos.

Por mais que Oceânico sofra com um roteiro que não sabe dar para os personagens diálogos robustos, e tem uma personagem de uma pesquisadora gringa com um péssimo sotaque, acerta em conseguir criar um senso de urgência para essa história e para esses personagens à medida que debate tanto as questões morais e éticas que envolvem um trabalho tão importante como esse e que fica no fogo cruzado dos jogos políticos e também principalmente quando os parceiros de pesquisa em uma outra Universidade fora do país também entram na jogada.

Totalmente focado e contado na perspectiva de Adyr, Oceânico mistura os dramas e os traumas da personagem para mostrar e contar o quanto essa pesquisa e os anos gastos por ela e seu time são extremamente pessoais por conta do marido ter falecido da mesma doença que ela quer acabar. À medida que a pesquisa avança de etapas, as coisas deixam de ser apenas no campo das ideias, e vemos como o experimento iria funcionar com os candidatos. Mas ao mesmo tempo, vemos também que o hospital público em que Adyr trabalha troca de gestão para uma mais ligada à milícia que começa a dominar ainda mais a região e querer se meter nos estudos da pesquisadora.

Oceânico então cria esse sentimento de periculosidade para os personagens à medida que a vida de Adyr, do filho, e dos colegas começa a ser ameaçada. Narrativamente acho que Oceânico amarra bem suas pontas, questionamentos, e realmente consegue entregar uma história com DNA brasileiro, com problemas, situações e obstáculos que realmente existem no nosso país ao falarmos de questões de saúde pública, acesso a tratamentos e pesquisas de ponta. Com um final marcante e extremamente emocionante, quase dá para esquecer e relevar diversos dos problemas estruturais que Oceânico tem. O que fica, ao sair da sessão do filme, é a atuação poderosa e marcante de Carbatti.

Nota:

Visto no Festival do Rio em Outubro de 2026.

Distribuição no Brasil: Filmes do Estação. Sem previsão de estreia.

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