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Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor | Crítica: Surpreendentemente faz uma boa história de bruxas

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É inegável que ao longo dos anos, Da Magia à Sedução (1998) conquistou o status de clássico cult. Essa fama foi construída pela nostalgia de uma época em que nossas opções se dividiam entre ver e depender da programação da TV aberta, onde o filme era uma das figurinhas carimbadas, e as prateleiras das locadoras de VHS e posteriormente de DVDs.

A nostalgia é o papel chave aqui e, possivelmente, nos anos posteriores, com o advento das plataformas de streaming, os números do filme nas mesmas consequentemente ajudaram a impulsionar essa sequência, onde, no ano passado, o anúncio que Sandra Bullock e Nicole Kidman retornariam para papéis em um novo filme movimentou as redes sociais. 

E, surpreendentemente, Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor (Practical Magic 2, 2026) não erra em uma coisa que poderia dar muito errado se compararmos com outras sequências sobre bruxas e encantamentos e acaba por fazer um trabalho muito melhor e superior ao de outros projetos.

Photo by Courtesy of Warner Bros. Ent. – © 2026 Warner Bros. Ent. All Rights Reserved
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Depois de Abracadabra 2 e Encantada 2 não acertarem em contar novas histórias, aqui Da Magia à Sedução 2 acerta, e principalmente porque consegue primeiramente contar uma boa história de bruxas. É quase como se o filme esquecesse o que aconteceu no primeiro longa e apenas começasse aqui uma nova história. E uma, sim, focada na família Owens mais uma vez. Nas mulheres da família Owens.

A história e a mitologia dessas mulheres, bruxas que vivem nos dias atuais, e que foram apresentadas no longa lá dos anos 90, são reintroduzidas aqui e meio que isso é o que fez a diferença. Já que diferente de outros filmes queridinhos que tiveram sequências nos últimos anos, Da Magia à Sedução 2 não tenta recriar a mesma história do primeiro filme, mas sim contar um novo capítulo e continuar a vida das bruxas Sally (Sandra Bullock extremamente carismática e ainda muito engraçada de uma forma desengonçada, o que lhe rendeu seus melhores papéis) e Gillian (Nicole Kidman trazendo um star power para o filme), principalmente agora que a família tem as jovens Kylie (Joey King) e Antonia (Maisie Williams) no clã junto com as tias Franny (Stockard Channing) e Jet (Dianne Wiest).

E o roteiro de Akiva Goldsman (que retornou do primeiro filme), Georgia Pritchett e Kelly Marcel (que cuidou dos filmes da franquia Venom) começa a história e aí vai direto ao ponto. Com as jovens garotas sem saber que têm poderes e com Sally, como mãe solo, escondendo sua magia após a morte do seu segundo marido. Da Magia à Sedução 2 não perde tempo fazendo um grande recap do primeiro filme. Já vai direto para a história e para o que podemos esperar desse retorno para a casa isolada perto do mar, onde essas mulheres vivem, às margens da cidade de Dryden, em Massachusetts.

O senso de sororidade continua a ser a grande força motora e que dá o tom do filme mais uma vez. A direção de Susanne Bier consegue colocar um toque de delicadeza nas cenas mesmo que o longa seja dominado pelo efeito de colocar o foco da câmera no ator, ou atores, e deixar o entorno embaçado, quase cristalino, um estilo que tem dominado as produções nos últimos anos. É quase como se estivéssemos cercados por um grande filtro do Instagram que borra o fundo, igual quando fazemos chamadas on-line que lembramos anos de pandemia. Por um lado dá um toque mais mágico para o filme, mas por outro deixa-o com uma aparência mais artificial.

Se visualmente Da Magia à Sedução 2 tem seus problemas, Bullock e Kidman retornam com a parceria do primeiro filme extremamente afiadas aqui. Muito se fala sobre Hollywood não ter mais atores mega stars e nomes como Tom Cruise e Leonardo DiCaprio são citados quase sempre que essa discussão domina os cantos do film twitter, mas eu diria que Sandra Bullock e Nicole Kidman estão no mesmo nível que os dois. E o filme prova que Bullock e Kidman pertencem ao mesmo primeiro escalão de Hollywood e estão ali com eles em termos de carisma, de popularidade e de serem rostos conhecidos do público.

Fica claro que as duas atrizes são a esperança da Warner Bros. em levar o público casual para os cinemas juntamente com o público 30+ que cresceu com o filme. Já o público mais jovem deve ser atraído pela presença de Joey King e Maisie Williams, cujos trabalhos na TV pavimentaram o caminho para que assumam o protagonismo como a nova geração das bruxas Owens.

Afinal, as irmãs Owens dos anos 2026 apresentadas em Da Magia à Sedução 2 meio que espelham as irmãs Owens dos anos 90 vistas em Da Magia à Sedução. Joey King faz o trabalho pesado aqui, já que a trama e o desenrolar dela seguem sua personagem depois que descobre que tem poderes, precisa lidar com eles, e principalmente tentar salvar o namoradinho (Xolo Maridueña) da maldição da família depois que eles trocam juras de amor e ele sofre um acidente.

E também decifrar as mensagens que um livro amaldiçoado deixa e as pistas que levam a descobrir como desfazer a tal maldição que cerca a família, e as mulheres Owens, há anos. King é como se fosse a personagem de Kidman: rebelde e impulsiva. Já Williams é a certinha, residente de medicina, e que tem o lado profissional como foco e repete as vezes de Bullock como a irmã que segue as regras e tudo mais. É uma personagem mais tímida e tem um desenvolvimento tímido ao longo do filme, que só ganha força e cores mais para o final numa cena que está ali e quem pegou, pegou.

Photo by Courtesy of Warner Bros. Ent. – © 2026 Warner Bros. Ent. All Rights Reserved

A interação entre o elenco seja em duplas, entre a geração veterana e a jovem, ou com as quatro reunidas funciona muito bem enquanto Da Magia à Sedução 2 tenta desembaraçar o quebra-cabeça que um livro mágico que surge logo no começo do filme apresenta. E isso envolve uma visita a Londres, o encontro com um professor interpretado por Lee Pace que é um estudioso das artes mágicas e que consegue fazer tudo que mulheres bruxas fazem, e uma grande aula de história que envolve a primeira mulher Owens que causou toda a maldição.

Nessa busca pelas pistas do livro, o uso de magia aqui e ali para resolver boa parte dos perrengues em que as irmãs Owens, as mais velhas e as mais jovens, se colocam faz parte da diversão, à medida que Sally e Gillian flertam com o tatuado Professor Ian Wright de Pace que está muito bem aqui e deve apelar para mulheres e gays. Ou seja, o público de Da Magia à Sedução 2.

É Wright que ajuda o filme a expandir a mitologia de bruxas e o uso de magia negra no filme. Por outro lado, a mesma magia é responsável por algumas das conveniências que assolam o longa. E sim, como Da Magia à Sedução 2, claro, usa a magia como muleta narrativa para fazer a trama girar, principalmente quando Kylie parte para uma charmosa vila no interior da Inglaterra e encontra no jovem Tom (Solly McLeod) alguém para ser seu guia no local. E por “magia” é magia mesmo, com feitiços, encantamentos e outras azarações, e não descobrir o destino da filha porque ela usou o cartão de crédito.

Mas, de certa forma, Da Magia à Sedução 2 funciona bem porque entende que não precisa só repetir o que já foi contado e, ao mesmo tempo que honra o filme original, consegue não só contar essa nova história com um olhar atualizado de 30 anos para as personagens principais, como também criar um novo tipo de ameaça e um novo conflito para essas bruxas.

Enquanto Bullock e Kidman trazem uma certa vulnerabilidade, agora mais maduras, para as irmãs Owens e fazem isso ter um peso dramático maior ao mostrar o que elas efetivamente podem perder, King e Williams fazem do filme uma história de amadurecimento. E que calha de ter novamente jovens precisando lidar com os desafios de crescerem enquanto também lidam com seus poderes. O que não deixa também de ser um paralelo interessante sobre como as mulheres são mais fortes juntas. E mesmo sem magia.

E sim: as famosas margaritas da meia-noite continuam presentes. Elas estão ali sim, afinal, em Da Magia à Sedução 2 fica claro que agora Sally e Gillian são as tias junto com as tias do primeiro filme, e Kylie e Antonia são as jovens lidando com seus poderes. como elas foram. A nova geração de bruxas Owens finalmente chegou.

Nota:

Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor chega nos cinemas nacionais em 10 de setembro.










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