Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw | Crítica

A franquia Velozes & Furiosos começou a dar sinais de cansaço ao longo dos últimos filmes, afinal foram já sete longas, cada um com uma trama mais sem pé nem cabeça, mas que faturaram mais de 5 bilhões de dólares em bilheteira global. Assim, ficava claro que a Universal Pictures não ia largar o osso tão cedo, não é mesmo? E apostar num filme spin-off, que acompanha personagens secundários dos filmes principais, era um movimento arriscado, um tiro no escuro do estúdio, mas que no final das contas, compensou, e muito.

O maior mérito de Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw (Fast & Furious Presents: Hobbs & Shaw, 2019), talvez, seja realmente esse, fazer um filme com dois personagens que tem bastante história para contar, e assim, aproveitar o talento e carisma de seus dois atores principais, Dwayne Johnson e Jason Statham, para entregar o que a franquia sabe fazer de melhor: uma grandiosa aventura de ação com perseguições de carros em alta velocidade, explosões, lutas, e cenas tão surreais que fica quase difícil em se acreditar.

Jason Statham and Dwayne Johnson in Fast & Furious Presents: Hobbs & Shaw (2019)
Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw – Crítica | Foto: Universal Pictures

Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw faz um grande choque de adrenalina, cercado de testosterona, num filme divertido e megalomaníaco. A química entre The Rock e Jason Statham acaba por ser o que o longa tem de longe o seu melhor, onde a dupla de agentes secretos, cada um em sua maneira única e completamente oposta de ser e trabalhar, precisa se unir para salvar o mundo.

O roteiro da dupla Chris Morgan e Drew Pearce sabe disso, e abusa de momentos hilários, onde os dois macho alfa discutem para ver quem é o maioral dentro da sala, o famoso minhas credenciais são maiores que a sua. Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw entrega um humor carregado de provocações, com tiradas perspicazes, e claro, uma referência ali e aqui para a cultura pop em geral, como a série Game Of Thrones, e os longas, Senhor dos Anéis, e Harry Potter. E o texto, aliado com a atuação dos dois protagonistas, deixam o filme com um humor bem ácido, e que mina completamente, qualquer sentimento de masculinidade tóxica que a dupla possa ter.

O texto de Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw consegue ainda, não perder a essência da franquia Velozes & Furiosos ao falar sobre a importância da família, onde aqui, vemos literalmente família ser um dos arcos mais importantes para o desenvolvimento longa que entrega uma história simples comparada as vistas nos outros filmes. Aqui, conhecemos Hattie Shaw (Vanessa Kirby, magnética e realmente sensacional no papel), uma agente do MI6 que vê uma missão dar errada, onde, como última opção, ela precisa encontrar seu irmão que não via há muito tempo.

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Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw – Crítica | Foto: Universal Pictur

Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw tem um senso de urgência gigante, numa trama ah lá James Bond e Jason Bourne, onde o mundo corre perigo, e vemos os personagens embarcarem por viagens ao redor do mundo, com cientistas russos, fórmulas estranhas, e vírus mortais que podem dizimar metade do planeta. Tudo que já vimos em diversas outras produções, e que o filme não faz questão de esconder.

As cenas de luta corporais, mesmo que intensas, e bastante exageradas, mostram a marca que o diretor David Leitch deixou nos filmes do gênero. É tanto, tiro, porrada e bomba, que fica difícil, às vezes, ao longo do filme, de saber onde estamos localizados na trama, ou de saber quem está ganhando, coisa que faz a história em Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw ser esticada nesses momentos de combate quase épicos, e que acabam por preencher as 2 horas e 15 minutos de duração que o filme tem. No final, Leitch faz um bom trabalho aqui, onde se você gosta John Wick, Hobbs & Shaw é, sem dúvida, um filme para você.

Como boa uma aquisição para a franquia, de uma forma em geral, Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw apresenta sua história em dois grandes arcos que mostram um pouco, os dois diferentes lados dos personagens principais na medida que eles precisam enfrentar o misterioso Brixton (Idris Elba completamente bem, e que rouba a atenção), um super vilão que trabalha para uma organização secreta chamada Eteon e que funciona como uma grande seita do mal que usa a tecnologia para salvar soldados ao redor do mundo.

Assim, vemos o trio principal bolar os mais diversos planos para resgatar o vírus mortal, e salvar o mundo das mãos da poderosa organização privada. Primeiro vemos o filme apresentar uma grande trama de invasão, onde Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw abraça seu lado “assalto à banco” que funciona de uma forma cheia de regras, sutilezas, e que se preocupa com detalhes. Assim, os roteiristas criam um paralelo ao trabalho de Shaw, para depois vermos uma grande sequência de fuga para uma ilha remota, onde vemos o modus operandi de Hobbs atacar. O roteiro sabe casar bem as diversas operações, e unir os dois tipos personalidades dos protagonistas em sua história.

Jason Statham, Idris Elba, and Dwayne Johnson in Fast & Furious Presents: Hobbs & Shaw (2019)
Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw – Crítica | Foto: Universal Pictures

Com um grande uso de efeitos especiais, tudo isso acaba por ser apresentado com situações que beiram a insanidade, mas que deixam qualquer um completamente vidrado em tela para ver como eles conseguem fazer tudo isso funcionar dentro da história do filme, seja numa perseguição de carro esportivo pelas ruas de Londres, ou um grande racha de caminhões e helicópteros numa ilha paradisíaca. Tudo em Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw tem um senso de escala gigante, entregue com um sentimento de frenesi ainda maior, e que deixam o espectador na ponta da cadeira para saber o que vai acontecer.

Com um carisma gigante de The Rock e Statham, Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw faz um típico blockbuster de meio de ano, uma produção ousada, imponente, e que se garante ao contar uma história feita para divertir e entreter, sem se preocupar muito em dar motivos e porquês para as coisas.

Sem o nível de dramaticidade que Velozes & Furiosos andou entregando ultimamente, Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw conquista pelo humor, as participações especiais que vão fazer o espectador gargalhar e se surpreender, e pela química dos atores em tela. Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw acerta principalmente, por conta de seu roteiro afiado e que sabe conhecer o filme que tem em mãos, e claro, principalmente, sabe e conhece sua audiência.

Ps: O filme tem diversas cenas entre os créditos, e pós-créditos.

Nota do Crítico:

Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw chega dia 1 de agosto nos cinemas.

Miguel Morales

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