Tudo Acaba Em Festa | Crítica

As comédias nacionais sempre tiveram uma fórmula bem batida e aquele jeitão de sempre usarem o mesmo estilo de piadas com aquele humor forçado para contarem suas histórias. Aqui, em Tudo Acaba Em Festa (2018), temos uma produção que flerta uma aproximação com as comédias americanas, principalmente aquelas que tiram sarro do dia-a-dia corporativo, que um entrega um filme exatamente com essa temática mas com um toque bem brasileiro.

E mesmo com personagens mega caricatos e situações bem fora da realidade, Tudo Acaba Em Festa dá seu jeitinho, o famoso jeitinho brasileiro, para contar uma história cheia de altos e baixos sobre um grupo de funcionários para lá de pirados que no final das contas querem apenas se divertir.

Ao adaptar a cultura da confraternização de final de ano, a famosa festa da firma, a comédia aposta na brasilidade de uma história até que bastante conhecida daqueles que assistem séries de escritório como The Office, Parks & Recreation e até mesmo Brooklyn Nine-Nine para desenvolver seu roteiro que usa todos os estereótipos possíveis e imagináveis para contar a história de Vlad (Marcos Veras), um funcionário da área de RH, que precisa se virar nos 30 para fazer uma festa daquelas para impressionar o chefe (Nelson Freitas, hilário e canastrão) e tentar ganhar uma promoção.

Foto: Paris Filmes/DT FIlmes

Se você viu a comédia americana A Última Ressaca do Ano, lançada em 2016 com Jennifer Aniston e Jason Bateman, você já sabe o que esperar de Tudo Acaba Em Festa. Aqui, temos novamente, os personagens que bebem demais e perdem a linha, as puxadas de tapete no ambiente corporativo, as brigas entre funcionários de diferentes departamentos, os relacionamentos proibidos daquele flerte casual do dia-a-dia e tudo mais.

E mesmo em que tudo seja mostrado de uma forma bem simples e quase rasa, Tudo Acaba Em Festa acerta em cheio, por dar um espaço para Marcos Veras conseguir mostrar seu talento humorístico. Como o protagonista, Veras entrega uma atuação bem carismática e literalmente faz um bom personagem que chega até que ser bem interessante.

Assim, não vá esperando nada de mais em Tudo Acaba Em Festa, a comédia acaba por ser, às vezes exagerada e outras vezes chega a ser bem sem noção, mas pelo lado positivo, tenta entregar uma coisa nova, e faz uma produção com um estilo bem televisivo só que para o cinema. E claro, tem a maior quantidade de humoristas em um filme nacional do ano, com destaques para Giovanna Lancellotti como a estagiária Priscila e seu sotaque carregado do interior, e também para Maria Clara Gueiros como uma executiva cheia de jargões corporativos mas que ninguém efetivamente entende.

No final, Tudo Acaba Em Festa é seu típico filme sessão da tarde, uma produção sem pretenções, com cenas engraçadas e outras nem tanto mas que devem conectar com o espectador. E mesmo com semelhanças com outros projetos faz um comédia agradável dentro do possível.

Nota do Crítico:

Tudo Acaba Em Festa chega nos cinemas em 15 de novembro.

Miguel Morales

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