Sobrenatural: A Última Chave | Crítica

Sobrenatural: A Última Chave (Insidious: The Last Key, 2018) poderia ser definido em uma palavra: jumpscare. A produção é puramente isso e consegue criar uma atmosfera de tensão e chega até ser um pouco aterrorizante em algumas partes. Claro, o roteiro tem seus furos, como todo filme de terror tem, principalmente aquele clássico quando a produção resolve focar mais nos sustos do que amarrar a história, mas Lin Shaye segura as pontas do longa e é definitivamente a melhor coisa do elenco.

Foto: Sony Pictures

Ao assistir o filme consegue-se notar que a atriz aproveitou sua experiência no set e se divertiu bastante fazendo a produção.Nesse quatro filme da franquia vemos Elise (Shaye) encarando novos problemas e o sobrenatural quando recebe um chamado de uma presença maligna que assombra uma casa no Novo México. O único problema que a residência em si foi onde ela cresceu e isso leva a protagonista para enfrentar demônios (literalmente) do passado e claro encarrar questões esquecidas junto com sua família que a personagem não vê há muito tempo.

Contado de uma forma que mistura cenas do passado da médium com cenas atuais Sobrenatural: A Última Chave acerta ao deixar a trama com um caráter mais pessoal para a personagem que descobrimos já ter lidado com o demônio da chave uma vez e não saiu nada bem. Afinal, logo nos primeiros minutos, é revelado que a mãe da personagem morreu na casa e que ela parece ter aberto as portas de outra dimensão para o nosso mundo.

Com isso o filme leva Elise num drama de sobre suas responsabilidades com seu trabalho, num bom desenvolvimento de personagem. A atriz então tem a oportunidade de mostrar o seu melhor e a personagem mesmo com seu dom (ou maldição poderoso) a seu favor, consegue passar um sentimento bastante vulnerável em termos de luta contra as forças do mal. É como seu no final a personagem fosse uma Eleven, de Stranger Things, daqui uns 50, 60 anos.

Os personagens coadjuvantes até fazem um bom trabalho mas o roteiro de Leigh Whannell acaba não levando a sério nenhum deles além de Shaye e quando os parceiros Tucker (Angus Sampson) e Specs (Whannell) entram em cena, os personagens quebram o ritmo do filme em vários momentos, o que acaba deixando o longa um pouco fora de ritmo e de tom. Mas a produção consegue acertar a história com algumas viradas interessantes na trama principalmente nas cenas envolvendo a família da protagonista que afinal ficaram anos sem se falarem e tem uma certa carga emocional um pouco mais forte.

Foto: Sony Pictures

O trabalho de jogo de câmera também consegue envolver quem assiste de forma que faz a pessoa se sentir dentro do ambiente do filme, com se fosse uma das pessoas vivendo na casa e compartilhando aquelas experiências de terror e suspense que os personagens estão vivendo.

Sobrenatural: A Última Chave faz um terror básico mesmo que empolgante em alguns momentos e para o fãs da franquia deve ser um bom episódio mesmo que bastante a parte do mundo criado lá em 2010. Com a consciência de que para assistir você precisa deixar de lado umas falhas de roteiro e de continuidade, o longa acaba sendo uma produção com uma preocupação em mostrar que há mais nesse vasto mundo que conhecemos mas que também acaba por levantar a dúvida de que será que precisamos de mais filmes da franquia?

Nota do Crítico:

Sobrenatural: A Última Chave chega nos cinemas em 18 de Janeiro.

Miguel Morales

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