Samantha! | Crítica da 1ª Temporada

“Era um disco multicor, um disco voador…brilhante…”

E nada poderia melhor definir Samantha! (Samanthááááá com ponto de exclamação no final) a nova produção original nacional da Netflix.

A série nos entrega uma Emmanuelle Aráujo fantástica, no melhor de sua carreira e que brilha em todos os momentos como Samantha uma artista que fez muito sucesso nos anos 80 e que agora luta para sair do ostracismo.

E essa comédia vem com um tom super divertido e se apoia numa brasilidade gigante, com humor suave mas quase surreal e que acerta em ter personagens cativantes para contar uma história que flui e prende o espectador do começo ao fim. São sete malucos episódios de pura diversão com figurinos ousados e uma música tema que irá grudar na sua cabeça feito chiclete.

Foto: Fabio Braga/Netflix

Pegando carona nessa volta para os anos 80, Samantha! mostra a loucura que era aquela época no mesmo estilo no qual Vladimir Brichta e Daniel Rezende fizeram no ano passado com o ótimo Bingo – O Rei Das Manhãs (2017) mas claro, sem a parte das drogas e palhaços envolvidos. Samantha! poderia ser também um spin-off  de outro filme nacional, o Choque de Amor (2017) mas em vez do quinteto temos temos um trio, a Turminha Plimplom. (Plimplom, plimpom, plimplom).

É como se Samantha! pegasse essa fase estranha, over e mega trash da TV brasileira e ampliasse todo esse sentimento dentro de uma série, nacional e de comédia que utiliza diversos flashbacks para mostrar o quão diferente era a vida da protagonista naquela época e o quanto é agora nos dias atuais.

E claro, Samantha (ou diríamos Samonstra?) é aquela personagem multi-facetada e tridimensional que se abre para o público a cada episódio, ela é a personificação do brasileiro safo que precisa se dar bem a todo custo e que no final só pensa em si próprio. A Samantha de Araújo puxa na memória a união de diversas personalidades da mídia, como Mara Maravilha, Simony, Xuxa e Gretchen e a série joga a personagem direto para o mundo atual cheio de irmãs Kardashians, os chamados influenciadores digitais (Oi seguimores), realities shows de gosto duvidosos (precisamos de um Enjaulados Kids na TV, sim!) e também aproveita para falar sobre notícias falsas e o comportamento da sociedade nesse mundo hiperconectado.

Foto: Fabio Braga/Netflix

E grande parte que faz a série ser deliciosamente maluca de se acompanhar é que por mais que Aráujo esteja muito bem, o entrosamento dela com os outros personagens é muito bem trabalhado. Começando pelo personagem Dodói (o super competente Douglas Silva) que também tem ótimos momentos na história como o ex-jogador de futebol que sai da cadeia e começa a dar trabalho para a ex-esposa. Silva usa a trama de seu personagem para criar um Dodói que também precisa voltar a ter destaque na mídia, onde vale fazer de tudo comercial de ketchup até namorar blogueira (uma Lorena Camparato hilária).

Uma das sacadas mais geniais da série é abusar do famoso truque do Casal Vende, onde Samantha e Dodoi (lançamos o shipp do casal aqui #Samanthadói) protagonizam bons episódios ontem eles tentam então os dois voltar a qualquer custo para os holofotes. Essa relação Samantha e Dodói é um delicioso jogo de gato e rato onde quanto mais ela força para ter destaque mais ele ganha mídia expontânea e isso acaba deixando o roteiro da série muito super engraçado, fluido e natural.

Samantha! tem a mesma leveza das séries americanas mas com uma cara totalmente brasileira ao combinar comédia com drama em um realismo fantástico no melhor estilo Jane The Virgin o que acaba deixando a produção bastante agradável.  Quem faz também bons momentos e servem para dar uma humanizada maior tanto para Samantha quanto para Dodói são a dupla de crianças Cindy (Sabrina Nonato) e Brandon (Cauã Gonçalves).

Claro, os garotos acabam por sempre orbitar nas tramas dos pais e eles poderiam ter mais espaço e tramas próprias mas acabam participando bastante da dinâmica da série, afinal. a família é composta por 4 personalidades bastante diferentes, Cindy é ativista social, feminista e se preocupa com coisas importantes ligadas ao meio ambiente enquanto Brandon é típico nerd, um pouco introvertido e tem quase toda sua trama girando em torno de uma pai que ele não conhecia e o que acaba sendo super interessante de se acompanhar, afinal a química entre Gonçalves e Silva é enorme em cena.

No final das contas, Samantha! um delírio oitentista dentro dos dias atuais, Emanuelle Aráujo faz uma das personagens mais divertidas da TV em anos e é como se a série  fosse um grande jogo da memória da TV Brasileira com figuras conhecidas aparecendo a cada momento, a cada episódio onde realidade e ficção se juntam numa metalinguagem maravilhosa. Afinal, o que é uma Samantha contra 130 milhões de brasileiros que a amam? 

 (e Dodói, Cindy, Brandon e claro a Turminha Plimplom) chegam em 06 de julho na Netflix.

Miguel Morales

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