Pedro Coelho | Crítica

Pedro Coelho é mais conhecido por suas histórias em livro infantis escritas por Beatrix Potter e, A História de Pedro Coelho, talvez tenha sido um sucesso lá no Reino Unido onde a escritora e desenhista viveu durante um tempo. Mas adaptar a sua obra para um filme de live-action e não uma animação só daria certo agora graças aos efeitos especiais disponíveis e tornar um filme com apelo universal era uma das outras dificuldades.

Mas em Pedro Coelho (Peter Rabbit, 2018) tudo é acertado, desde da escolha do elenco, até a história dos personagens. O filme é trabalhado com uma preocupação imensa nos detalhes, desde do pelos dos animais até as roupas que eles usam, passando pelos figurinos e pelas locações. Fora que os bichos tem personalidades cativantes, animadas e realmente são o grande destaque do filme, deixando os humanos um pouco de lado.

Foto: Sony Pictures

A trama é simples, mas bem trabalhada e temos a eterna disputa entre Pedro e o Sr. McGregor, o expressivo Domhnall Gleason, pelos vegetais que está enterrado em seu jardim. A história fica ainda mais interessante quando ambos passam a brigar pela atenção da vizinha bondosa e amante dos animais Bea (Rose Byrne).

Pedro Coelho em sua definição é o filme de gato e rato. Onde temos os animais colocando suas ideias em pratica e vemos a cada cena bolarem planos para invadir a horta do humano, carrancudo e pessimista. Mesmo parecendo um Esqueceram de Mim (1990) às avessas, Pedro Coelho empolga pela realidade que o filme passa com os animais inseridos na vida e no cotidiano das pessoas. As imagens geradas por computador deixam eles ainda mais fofos, dando um prazer de ver os coelhos correndo pela telona atrás de cenouras, alfaces e outros alimentos.

O filme claro passa sua mensagem sobre amizade, trabalho em equipe e sobre a importância para a família. A personalidade de McGregor chega a ser quase caricata e bem exagerada em muitos momentos, só que ele serve seu propósito, ser o antagonista dos mocinhos coelhos. Talvez, Pedro Coelho seja um pouco adulto para crianças pequenas e um pouco infantil para os adolescentes, mas com suas passagens por Londres e vendo os coelhos liderados por Pedro aprontando por aí vale a pena assistir mesmo que numa tarde chuvosa.

O roteiro da dupla Rob Lieber e Will Gluck, que também dirige o longa, acerta nas personalidades dos animais. Pedro é o famoso herói convencido e tem uma certa arrogância até mesmo chata em alguns momentos e o trio de irmãs Flopsy, Mopsy e Rabo de Algodão tem uma dinâmica bem legal entre eles onde o filme consegue mostrar bem a diferença entre as três mesmo elas sendo gêmeas.

Foto: Sony Pictures

O filme acerta em inserir algumas piadas de forma pontual o que deixa ainda mais interessante de assistir, claramente um humor britânico em seu melhor estilo.  Rose Bryne acaba ficando um pouco em segundo plano mas entrega aquela atuação precisa e agrega bastante na trama dela com os coelhos mesmo que sua química com Gleason seja tão nula quanto o gosto de um chuchu.

Pedro Coelho vem numa safra de filmes com animais feitos por efeitos especiais esse ano que se destaca por contar uma história encantadora com animaizinhos fofinhos, carismáticos e realmente engraçados! Literalmente a definição de um bom family movie. 

Nota do Crítico:

Pedro Coelho estreia no Brasil em 22 de março.

Miguel Morales

Sempre posso ser visto lá no Twitter falando sobre o que acontece na TV aberta, nas séries, no cinema e claro outras besteiras. Uso chapéu branco e grito It's Handled! Me segue lá: twitter.com/mpmorales