O Chamado do Mal | Crítica

O Chamado do Mal (Malicious, 2018) é uma daquelas produções de terror que apela na maior cara de pau para tentar criar uma atmosfera sombria e assustadora, mas que no final, não se destaca em nada, e faz apenas um filme de suspense passável e inexpressivo, sem muita coisa para oferecer, nem mesmo o bom e velho jump scare. 

A produção, acaba por ser, também, um daqueles filmes que não se salva em quase nenhum outro aspecto, nem pelo roteiro, nem pelas atuações e, como falamos, nem consegue realmente deixar o espectador apavorado. Talvez, quem assista, fique apavorado, com o dinheiro gasto para ver o longa.

 Malicious movie review (2018)
O Chamado do Mal | Foto: Imagem Filmes

O Chamado do Mal, tenta, em sua história criar uma discussão que envolve os temas do sobrenatural vs a ciência e do que é realidade e o que fruto da imaginação. No filme, temos isso aos trancos e barrancos que é mostrado através do casal principal, que tem visões diferentes sobre o assunto. Mas, no final, o roteiro falha ao não desenvolver e trabalhar as personalidades dos protagonistas, para eles conseguirem mostrar isso para o público. São personagens pobremente criados que faltam um certo nível de profundidade, onde, tanto ele, quanto ela, acabam por mostrar apenas um fiapo do que eles poderiam transparecer no filme e ajudar a contar essa história.

Na trama, Adam (Josh Stewart) e Lisa (Bojana Novakovic) se mudam para uma nova e grande casa, quando o rapaz, assume como professor em uma universidade local. Depois de instalados, a dupla perde o bebê, e Lisa acredita que seu aborto aconteceu por conta em eventos sobrenaturais, já Adam é mais cético sobre o assunto. Até que eles, são assombrados por uma entidade maligna que começa a afetar o relacionamento deles, e claro, fazer com que o casal questione sua própria saúde mental.

Delroy Lindo in Malicious movie review (2018)
O Chamado do Mal | Foto: Imagem Filmes

O roteiro de O Chamado do Mal, não entrega quase nada de novo, onde a tentativa do roteiristas em criar uma mirabolante história para a contar a origem do demônio que aparece no filme é completamente fraca e previsível. As pistas são, literalmente, jogadas na cara do espectador, onde a câmera foca nelas para avisar que determinadas passagens são importantes, mas quando, chega no momento das explicações, o roteiro se embola para mostrar e justificar toda a história criada.

Nem os efeitos práticos, com as luzes piscando ou móveis voando pelos cômodos, conseguem ajudar, O Chamado do Mal, a trabalhar seu suspense. As aparições da entidade que se manifesta através de um bebê, depois de uma garotinha com olhos arregalados e também como uma senhora, são poucos utilizados pelo filme para efetivamente causar um sentimento de terror, afinal, a produção, acaba por também não decidir o que é, se é um daqueles de possessão demoníaca, ou um drama, e no final, parece mais um mix da imaginação de Lisa, com pesadelos e sequências pouco interessantes.

Quando o casal, efetivamente, começa a combater o demônio, com a ajuda do colega de Adam, o Professor Clark, o ator Delroy Lindo – a única coisa que salva a produção de ser um completo desastre – O Chamado do Mal acaba por entrar num espiral de momentos sem pé nem cabeça que apenas deixará quem assiste entediado com muito falatório e pouca ação.

O filme tem momentos forçados e nada inspirados, onde temos uma tonelada de passagens clichês de outras produções do gênero, com casas gigantes, cheia de cômodos vazios onde as pessoas nunca ligam a luz, quadros que a pintura muda de posição o tempo todo, sequências de sonho no banho com o demônio, caixas misteriosas que não devem ser abertas, e ainda, um médium cego que tem habilidade de lidar com o sobrenatural.

No final, tudo em O Chamado do Mal, parece ser feito pelo fato de ter dado certo, em algum momento da história do cinema, e em outras produções de terror, mesmo que aqui os produtores conseguem falhar em tentar colocar todas elas em prática nessa produção.

Nota do Crítico:

O Chamado Do Mal chega nos cinemas em nacionais em 6 de Dezembro

Miguel Morales

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