O Assassino: O Primeiro Alvo | Crítica

Filmes de espionagens, com muita ação e agentes secretos que acabam sendo mais espertos que seus colegas e sempre acabam usando seus instintos para resolver as coisas, é uma fórmula já bem batida em Hollywood! Seja na TV ou no cinema, as produções do gênero sempre precisam se garantir com algumas viradas de roteiro necessárias para fazer o expectador se empolgar com a história e, claro, mostrar um diferencial no meio de tantas coisas.

Em O Assassino: O Primeiro Alvo (American Assassin, 2017) até temos tudo isso, mas o filme se esforça muito para parecer uma produção à altura dos filmes de Jason Bourne, mas que acaba apelando para algumas coisas desnecessárias e com uma trama meio batida e ele fica jogado ali como mais uma opção com tiros, socos e muitas explosões. O filme não é ruim, mas ele apenas não chega a empolgar de verdade, talvez mais pelo fato do roteiro ser meio mais do mesmo.

Foto: Paris Filmes

A produção pode ser definida como se as séries Quantico (ABC) e Homeland (Showtime) se encontrassem. O ator Dylan O’Brian não tem o mesmo chame de Priyanka Chopra ou o mesmo talento que Claire Danes, mas até consegue mostrar uma atuação interessante e dentro do esperado para esse tipo de filme. Com a produção abusando do porte físico do ator em várias cenas, no fundo conseguimos ver o empenho dele mesmo que o restante do elenco seja infinitamente bem melhor do que ele.

O grande chamariz para o filme fica com Michael Keaton que ao emprestar para produção seu nome acaba dando para o longa um grau de credibilidade um pouco maior. Mesmo assim, o olhar perturbado, a voz marcante e o jeito marrento do ator não consegue salvar muito a produção em cair nos velhos clichês de filmes de ação/espionagem. Em O Assassino: O Primeiro Alvo temos mais do mesmo de outras produções com temática parecida, parece que tudo no roteiro está ali pronto para ser mostrado como uma receita de bolo. Mesmo quando a trama tenta inovar e apelar para uma violência desnecessária para se firmar como um filme do gênero vemos que em muitas cenas isso acaba sendo mais um luxo que o estúdio se deu do que alguma coisa que realmente ajuda a contar a história.

No filme conhecemos Mitch Rapp (O’Brian) que sofre um trauma gigante ao perder sua noiva quando os dois estavam de férias. Assim, o personagem acaba querendo vingança contra as pessoas que fizeram isso e parte numa busca implacável para se infiltrar no célula terrorista. Mas é claro que o governo americano está monitorando eles de perto e a CIA acaba por querer recrutar o rapaz.

Assim Rapp começa seu treinamento num grupo tático secreto liderado pelo implacável Stan Hurley (Keaton), um veterano da Guerra Fria que treina soldados para serem super espiões. O filme lida a relação entre alunos e professores de uma forma bem pobre e o famoso, eu sou cabeça-dura mas quero fazer o bem ataca e forte nessa parte do filme.

Foto: Paris Filmes

A produção continua a formula pronta de outros filmes e parte para a investigação de um grupo que começa a realizar ataques aleatórios pelo mundo e então a equipe tática do governo americano precisa encontrar quem está por atrás de uma venda de material radiativo e impedir que um bomba exploda na Europa. O filme tenta criar uma história que fale com uma audiência globalizada e internacional, e trama acaba por passar em diversos países e deixando claro que a ameaça não está presente em um lugar só.

Assim, o longa acerta em deixar a trama bem pé no jeito e plausível para a realidade que o mundo vive hoje em dia e Keaton realmente é a melhor coisa que o filme entrega e o ator se destaca em relação aos demais. O ator Taylor Kitsch, da série True Detective da HBO, faz um agente com umas motivações bem estranhas e nem um pouco convincentes. A atriz Sanaa Lathan como uma Supervisora da CIA faz a linha dura, mas seus olhares fulminantes para a tela deixam na produção com um ar estranho e uma sensação de carão desnecessário.

Em um ano com John Wick – Um Novo Dia para MatarAtômica, O Assassino: O Primeiro Alvo talvez precisasse se esforçar um pouco mais. Mesmo com efeitos especiais de primeira, com uma sequência final que foi feita de uma forma bem cuidadosa e bem trabalhada o filme peca por não sair de uma zona de conforto. Mas mesmo assim chega a ser uma opção até que razoável para quem é fã de filmes do gênero, tirando uma forçação de barra aqui e ali como todo filme de espião.

A produção acaba usando seu elenco para contar uma história com cenas de ações bem bacanas e bem brutais. Baseado em uma série de livros, escritos por Vince Flynn, o filme talvez se desse melhor com uma mini-serie para T,V ou até mesmo uma série que você poderia maratonar na Netflix em um final de semana. Assim, O Assassino: O Primeiro Alvo usa uma fórmula bem batida, mas até que vale assistir se você quiser ver uns tiros, umas lutas e claro umas explosões.

Nota do Crítico:

O Assassino: O Primeiro Alvo estreia no país em 21 de setembro. 

Miguel Morales

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