Mostra SP 2018 | 303 – Resenha

303 é uma produção alemã com direção de Hans Weingartner e estreia que no Brasil pela 42 ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

Confira a sinopse:

Quando a estudante de biologia Jule descobre que está grávida, ela parte em uma viagem a Portugal em sua antiga van “303” para contar ao seu namorado. Nos arredores de Berlim, ela dá carona a Jan, um rapaz que estuda ciências políticas e está indo à Espanha para encontrar e conhecer seu pai biológico. Enquanto viajam, suas conversas se tornam cada vez mais pessoais e íntimas. Jule mantém a gravidez em segredo, mas Jan sabe que a garota está indo ver o namorado. Os dois sabem que um relacionamento não está nos planos, mas tudo parece possível.

O que achamos:

303 faz um filme de road trip cheio de questões filosóficas maçantes e cansativas mas que compensa em ter protagonistas encantadores e super adoráveis. Se tem uma coisa que 303 acerta é por nos presentear com lindas paisagens através da Europa, afinal, o trailer 303 que dá título ao filme, leva a dupla de viajantes da Alemanha até Portugal e passa pelas mais diferentes e bonitas locações.

303, conta uma história de amor construída aos poucos, de uma forma lenta e cheia de problemas e empecilhos. Os ótimos Mala Emde e Anton Spieker, nos entregam personagens em um filme sobre escolher seu lugar no mundo e dividir momentos com aqueles que gostamos. Jule (Emde) e Jan (Spieker) não são feitos um para um outros, mas em suas discussões ao longo da viagem (por motivos diferentes mas por razões iguais),  a dupla descobre que, às vezes, os opostos se atraem.

Ambos se aventuram pelas estradas da Europa numa jornada de auto-realização, onde a dupla usa o próposito da viagem para projetar suas felicidades em outras pessoas (ela no namorado e ele no pai ausente) mas na medida que eles ficam mais intimos e descobrem mais um sobre o outro, também, acabam por conhecer mais sobre si próprios. E mesmo que eles debatam temas complexos, como capitalismo vs socialismo, individual vs coletivo em vez de gostos por músicas e filmes, quando o roteiro finalmente se livra dessas tentativas de deixar claro a diferença entre os dois, 303 consegue criar um sentimento de doçura e leveza ao mostrar um companheirismo entre essas duas pessoas de uma forma muito forte e muito bonita.

No final, em 303, você torce para o casal mesmo que o filme precise percorrer mais de 303 km para isso acontecer. A fotografia e as sequências pela tour européia da dupla deixa o filme ainda mais charmoso e agradável mesmo que o roteiro tente fazer do filme alguma coisa mais complexa e fora do comum do que ele é, principalmente para um romance.

Cheio de discussões que parecem ser eternas, 303 falha em dar muitos diálogos para seus personagens e esquecer de mostrar eles em ação, mesmo que na metade do tempo eles se deslocam de A para B, como num bom filme de viagem.

Nota do Crítico:

Visto na 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.
Sem previsão de estreia no circuito nacional.

Miguel Morales

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