Mentes Sombrias | Crítica

A primeira coisa que você precisa que saber sobre Mentes Sombrias (Darkest Minds, 2018) é que o filme é uma adaptação de um livro infantojuvenil lançado no Brasil com o mesmo nome pela Editora Intrínseca. Com isso em mente, não espere um filme com um tom sombrio no estilo Jogos Vorazes e sim alguma coisa como um grande e ruim primeiro episódio de série que passa na TV por assinatura.

Mentes Sombrias tem um jeitão bem teen (e que fique claro que isso não é o seu principal problema), com aquela famosa (e batida) história que pincela elementos da jornada do herói com músicas animadas, um elenco bonito e alguns efeitos especiais aqui e ali para mascar umas atuações duvidosas e aquele roteiro mais ou menos!

Amandla Stenberg in The Darkest Minds (2018)  mentes sombrias crítica
Foto: 20th Century Fox

Claro que nem tudo é ruim no filme, a atriz Amandla Stenberg é esforçada e sabe bem trabalhar sua personagem Ruby para que conseguimos criar uma certa simpatia com ela mas realmente a participação da atriz é a única e pouca coisa que funciona em Mentes Sombrias. A trama parece uma grande colcha de retalhos de diversas outras obras adolescentes, os personagens são totalmente mal trabalhados e o elenco adulto é responsável unicamente por não agregar nada.

A atriz Gwendoline Christie é completamente desperdiçada em sequências que não passam um sentimento de ameaça e perigo nenhum. E Mandy Moore apenas aparece para tentar passar um sentimento de ambiguidade tão raso quanto a quantidade de tempo que tem em tela.

Mentes Sombrias é na mais simples das comparações um mix de X-Men sem os uniformes e o Professor Xavier com Jogos Vorazes sem Jennifer Lawrence e toda aquela pompa de rebelião e revolta popular. O filme ainda falha ao tentar criar uma química entre as crianças que passa longe daquela vista na série Stranger Things.

No longa, a trama escrita por Chad Hodge se passa num futuro onde adolescentes começam misteriosamente a desenvolver poderes e novas habilidades. Quando o governo os declara uma ameaça para a sociedade e os deixa presos, alguns deles tem um plano de fugir para viver num misterioso acampamento para pessoas especiais. Para cada tipo de poder há uma cor, os laranjas são ameaça e perigo extremo, já o azuis são menos perigosos e a trama se embola ao tentar mostrar tudo isso como se estivéssemos dentro uma grande casta indiana de mutantes.

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Foto: 20th Century Fox

Mentes Sombrias é o típico filme de ação de teen, onde temos cenas grandiosas feitas por computação gráfica, triângulos amorosos entre a protagonista e dois garotos bonitões, até tenta ir um pouco mais a fundo para passar aquela mensagem de esperança e claro tem para finalizar uma pitada de comédia em algumas partes. O longa chega a entregar boas (e poucas) passagens mas no final sua trama engessada e comum faz dele uma produção completamente esquecível.

A diretora Jennifer Yuh Nelson  tenta criar um sentimento diferente de outros filmes para transmitir os anseios da protagonista como por exemplo, a descoberta de seus poderes, sua relação com os pais e claro para que lado ela deve ir nessa batalha dos adolescentes com poderes mas mesmo assim, tudo parece seguir uma fórmula onde temos caixinhas com boxes para serem preenchidos.

Mentes Sombrias poderia ser mais e apenas falha em não fazer algo que o faça se destacar de outras obras. O filme até tem pequenas coisas que tentam se encaixar de uma forma diferente mas acabam por parecer muito superficiais. Talvez seja melhor ler o livro.

Nota do Crítico:

Mentes Sombrias chega no cinemas em 16 de Agosto.

Miguel Morales

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