Logan Lucky: Roubo em Família | Crítica

Em filmes de assalto algumas coisas são primordiais para dar certo: um elenco entrosado, um roteiro ágil e bem escrito e, claro, aquelas reviravoltas das boas. E sim, podemos dizer que Logan Lucky: Roubo em Familia (Logan Lucky, 2017) tem tudo isso. Com atores de peso é uma daquelas produções que parece brotar boas atuações em todo o canto, desde os personagens coadjuvantes até os principais, o elenco do filme é um dos destaques dessa dramédia.

Conseguindo retratar bem o interior dos EUA, a produção é muito bem feita e a caracterização na fala dos personagens e no modo que eles em agem e falam é fantástica e deixa o filme com aquele jeito bem country onde todos acabam por puxar um R. Outra coisa que Logan Lucky acerta é realmente ir firme para representar a cultura americana sendo um filme que exalta diversos aspectos do pais como: concurso de beleza, trabalhadores x grandes corporações, corrida NASCAR e claro sobre o sistema prisional dos EUA.

Na trama acompanhamos a família Logan que acha que sofre uma maldição, afinal todos os parentes tiveram alguma coisa de ruim acontecendo com eles. E isso não foge a regra com irmãos, Cyde (o ótimo Adam Driver) que perdeu a mão quando servia o exército, Jimmy (Channing Tatum) que um problema na perna e Mellie (Riley Keough) que parece ser a única que leva uma vida mais tradicional.

Foto: Diamond Films do Brasil

Assim, depois de perder o emprego, Jimmy resolve aproveitar uma oportunidade para ganhar muito dinheiro em cima do seu antigo empregador. Ele resolve roubar o dinheiro do autódromo onde se realiza corridas da NASCAR mas para isso eles precisam da ajuda de um cara especialista em arrombar cofres que está preso, chamado Joe Bang (Daniel Craig). 

Então, Logan Lucky é um filme sobre assalto, sobre fuga na prisão e conflitos familiares. Um combo fantástico. Isso também se dá pelo roteiro de Rebecca Blunt (que parece ser um codinome para alguém que ainda não foi descoberto em Hollywood) que é muito bem escrito, onde tudo tem um propósito desde uma figura de papelão numa loja de conveniência que depois vira um personagem que vai aparecer logo em seguida até a preocupação de aos poucos ir explicando detalhes sobre o passado dos personagens e como eles foram parar em cada situação.

Mesmo sendo um pouco inflado afinal temos a trama dos irmãos querendo assaltar o o cofre, a parte de Jimmy com a filha Sadie (a apaixonante Farrah Mackenzieno concurso de beleza e toda a relação com a ex-esposa Bobbie Jo (Katie Holmes), a parte da cadeia e a corrida em si, a trama funciona e consegue conectar todas as pontas na história. As situações são bem dosadas e as piadas são bem pontuais e inteligentes. Com referências a outros filmes de assalto como Onze Homem e Um Segredo, o filme se apoia na atuação de seu elenco.

Adam Driver está assustadoramente bem como o bartender Clyde e o problema com o braço do personagem é explorado no filme de uma forma bem interessante e serve como um alivio cômico. Daniel Craig faz um vigarista super pirado, com um parafuso a menos na cabeça e que definitivamente rouba a cena por ser engraçado na medida certa. O visual de um loiro plantinado deixa o ator transparecer um sentimento de conforto muito grande. No elenco ainda temos o Seth MacFarlene nunca parece encontrar o tom de seus personagens, às vezes ele acerta, às vezes não, mas aqui faz um corredor chamado Max Chiblain que tira umas boas piadas mas está dois tons acima do ideal.

O personagem de Sebastian Stan é completamente nulo para a trama e acaba fazer do ator um grande empréstimo de luxo para o filme, meio que parecendo que ele gravou seus cenas rapidamente antes de voltar para o set de Vingadores-alguma coisa. Channing Tatum pode não ser o melhor ator do mundo mas faz um caipira no ponto e acerta em gerar aquela empatia com o público, seja pelos seus problemas com o irmão ou com a familia.

A grande graça do filme é que a produção sabe rir da situação e que os irmãos Logan por mais que espertos sempre estão presos com o destino e com alguma coisa dando errado. A edição é rápida e deixa você empolgado para ver o que vai acontecer em seguida e cria um envolvimento grande com quem assiste. Talvez o único problema seja a continuação da história pós assalto onde temos uma Hilary Swank um pouco desperdiçada com uma história de gato e rato um pouco fora desconexa do restante do filme.

Com piadas inteligentes que vão de Game of Thrones até celebridades digitais, Logan Lucky: Roubo em Família tira a pompa de filmes de assalto mas faz uma produção esperta, com roteiro afiado e atuações fantásticas ao colocar três personagens pés no chão para criarem uma engraçada e inteligente trama de assalto. Mesmo não tendo a glamourização dos outros filmes dirigidos por Steven Soderbergh, essa produção conta com uma história interessante, bastante cativante e te faz torcer pelos assaltantes como num bom filme do gênero. Uma comédia sarcástica com ótimos atores.

Nota do Crítico:

Logan LuckyRoubo em Família chega nos cinemas brasileiros em 12 de Outubro.

Miguel Morales

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