Homem-Aranha no Aranhaverso | Crítica

Os olhos chegam a brilhar com tamanha beleza das artes…

Homem-Aranha no Aranhaverso (Spider-Man: Into the Spider-Verse, 2018) é uma das apostas mais arriscadas da Sony Animation, até então, mas, a animação entrega um sopro de novidade para um mercado um pouco suturado e dominando por empresas comandadas por ratos e lâmpadas saltitantes.

Assim, o Homem-Aranha no Aranhaverso, é como uma rajada de teia de aranha, um filme certeiro que irá grudar o espectador com sua excelente história, seus personagens carismáticos, seu visual único e que captura o que é a essência de ler uma história em quadrinhos.

A animação, indicada e vencedora de vários prêmios, já se consagra como uma das melhores do ano, onde apresenta ao espectador o conceito de multi-universos, ou seja, em que cada universo temos uma versão diferente do famoso e clássico personagem do Homem-Aranha.

Peter Parker, sempre foi a cara do personagem, mas aqui, em Homem-Aranha no Aranhaverso somos apresentados para o jovem estudante Miles Morales (voz no original de Shameik Moore) que descobre suas habilidades depois de ser picado por uma aranha, onde nessa animação, também, ele precisa lidar com as poderes e responsabilidade que vem junto com eles.

Shameik Moore in Spider-Man: Into the Spider-Verse movie review (2018)
Homem-Aranha no Aranhaverso Crítica | Foto: Sony Pictures

O roteiro, escrito por Phil Lord, entrega uma animação nos moldes de uma historia de amadurecimento, o famoso coming of age, mas estilosa, divertida com um humor incrivelmente delicioso. Homem-Aranha no Aranhaverso é um daqueles filmes onde brotam easter-egg e referências em todas os cantos da tela, o que deixa o filme, ainda mais interessante e apaixonante de se assistir.

Na trama, Miles Morales é um jovem estudante, um pouco tímido, que começa numa escola particular em Nova York, longe do seu bairro e precisa se adaptar a sua nova realidade. Logo no começo, já vemos Miles lidar com um amontoado de tarefas escolares, a pressão de seu pai, o oficial Davis (voz de Brian Tyree Henry no original), terremotos que abalam a cidade, e claro, com uma paixonite com a colega de turma, a jovem Gwen Stacy (voz de Hailee Steinfeld no original).

Quando Miles é picado por uma aranha completamente estranha, o garoto começa a perceber que sua história é muito parecida com o do herói dos quadrinhos que ele lê, o Homem-Aranha.

Mas seria possível existir dois Homens-Aranha no mesmo universo?

Assim, Homem-Aranha no Aranhaverso nos introduz para um universo completamente novo dentro da história que já conhecemos sobre o Homem-Aranha. Temos vilões, liderados pelo Rei do Crime, Wilson Fisk (voz de Liev Schreiber) prontos, e com boas motivações que são explicadas ao longa da trama, para tentar cruzar o multi-universo, o que acaba por abrir uma fenda no espaço-tempo que traz diversas versões do personagem para o universo de Miles Morales.

Então, em Homem-Aranha no Aranhaverso, vemos desde um Peter Parker (voz do ótimo Jake Johnson) mais depressivo e relaxado, até mesmo o Homem-Aranha Noir (voz de Nicolas Cage), um detetive vindo dos anos 30, a jovem Penn Parker (voz de Kimiko Gleen) com seu robô vindo do futuro e ainda a versão do Porco Aranha (voz de John Mulaney), todos eles presos no universo do jovem, sem ter como voltar.

Spider-Man: Into the Spider-Verse movie review (2018)
Homem-Aranha no Aranhaverso Crítica | Foto: Sony Pictures

Miles Morales tem pela frente o desafio de aprender a controlar seus próprios poderes para ajudar a todas essas versões de outros universos a voltarem para a casa e não desaparecerem no seu universo que fica cada vez mais instável. E nada mais interessante que aprender e fazer seu treinamento com o próprio Homem-Aranha, não é mesmo?

Como falamos, Homem-Aranha no Aranhaverso é uma daquelas histórias de amadurecimento, onde vemos os personagens lutarem para aprenderem entre o certo e o errado e superarem suas diferenças. O ponto alto do filme, fica com a estética da produção, onde a animação nos entrega, uma explosão de cores visualmente impactante, onde cada frame, cada cena, parece ter sido pintada a mão, com uma riqueza de detalhes impressionante. 

Homem-Aranha no Aranhaverso é como uma pintura em movimento onde seus personagens tem expressões vívidas e por mais que parecem estar em uma história de quadrinho estão na tela de cinema. Todo o trabalho visual faz com que o espectador seja transportado para o dentro do filme, onde os olhos chegam a brilhar com tamanha beleza dos gráficos e das artes utilizados para compôr o filme.

A animação é um daqueles filmes para se assistir na maior tela possível, afinal, temos referências para todas as outras versões já vistas do Homem-Aranha, tanto nos quadrinhos, quanto nos cinemas e claro, para todo o universo do herói na Marvel.

No final, Homem-Aranha no Aranhaverso acaba por ser uma das coisas mais bacanas do ano, onde faz um filme que acerta em todos os sentidos, em todos os universos, numa produção ousada, sem medo do novo e que deve entrar como marco na história da animação.

Nota do Crítico:

Homem-Aranha no Aranhaverso chega em 10 de janeiro de 2019 nos cinemas.

Miguel Morales

Sempre posso ser visto lá no Twitter falando sobre o que acontece na TV aberta, nas séries, no cinema e claro outras besteiras. Uso chapéu branco e grito It's Handled! Me segue lá: twitter.com/mpmorales