Han Solo: Uma História Star Wars | Crítica

Os filmes derivados de Star Wars foram criados pela Lucasfilm para suprir os anos em que não teríamos filmes da franquia Skywalker, os longas com Episódio no título, em exibição. Foi assim com Rogue One: Uma História Star Wars (2016) e agora com Han Solo: Uma História Star Wars (Solo: A Star Wars Story, 2018). E digamos que essa aposta do estúdio é um tanto problemática.

Afinal, a idéia em contar histórias isoladas da trama principal de Star Wars só acaba sendo válida, se bem trabalhada e Rogue One teve em seus acertos o que Han Solo não conseguiu. Na trilogia clássica, tudo envolvendo Han Solo era cercado de um grande mistério, muito charme, o que tornou o personagem um dos nomes mais icônicos do cinema e da carreira de Harrison Ford era o fato que ele era bom de papo e sabia contar vantagem em tudo.

O sucesso vinha da franquia saber aproveitar seu caráter ambíguo, intenções não sempre muito corretas e suas histórias pareciam ser sempre aumentadas e floreadas para parecerem melhores do que foram e justamente esse é o maior problema de Han Solo: Uma História Star Wars. O filme é arrogante e pretensioso demais pelo fato de se apoiar no nome “Han Solo” para lembrar a todo momento que esse é um filme Star Wars!

Foto: Disney/LucasFIlm

Em sua essência Han Solo: Uma História Star Wars é um grande filme de assalto, como se fosse um Guardiões da Galáxia dentro do universo Star Wars, mas para isso ele fica durante suas 2 horas e pouco, a todo momento, te martelando e falando “Olha estamos em Star Wars”. E isso fica claro, seja nas lutas com armas que fazem os barulhos característicos (pihhu pihuu) da franquia, seja o roteiro fazendo alguma referência para planetas/lugares dos outros filmes e até mesmo com o personagem de Chewie com a sua fala inconfundível.

E junto a isso, o filme acaba sendo uma história que apenas cria respostas para perguntas que ninguém estava se fazendo e de verdade pouco importava, os comos?porquês?. Assim, Han Solo: Uma História Star Wars entre um roubo e outro roubo, são no mínimo uns 4, conta como Han Solo, ganhou seu nome, se tornou um rebelde (mesmo tendo um bom coração lá no fundo), descolou a nave Millenium Falcon, conheceu seus parceiros Lando Calrissian e Chewbacca e completou o famoso percurso de Kessel em 12 parsecs.

E no final, Alden Ehrenreich faz até um bom serviço mas ele não é Harrison Ford e mesmo com aquele sorrisinho convencido e presunçoso, os figurinos certos e toda a ambientação criada pelo filme, o espectador precisa, como falamos, ser lembrado o tempo todo que ele é personagem. Mesmo sendo duas abordagens diferentes é difícil ver o longa com os olhos que o Solo de Ehrenreich é o mesmo Solo de Ford por mais que o filme tente passar isso de uma forma bastante incomoda.

O Lando de Donald Glover, pelo ao contrário, rouba a cena e o ator faz um mix de picareta dos anos 70, um Agostinho Carrara, de A Grande Família,com capas no estilo Elvis, um prazer de se acompanhar mesmo que o personagem entra e saia da trama do filme sem efetivamente estar presente no seu desenvolvimento. A função principal de Lando é apostar e conectar a trama principal com a nave Falcon e também aproveitar para interagir com a robô L3-37 (voz de Phoebe Waller-Bridge).

Os personagens dos atores Woody Harrelson, Beckett, da nova queridinha de Hollywood, Thandie Newton como a contrabandista Val e Emilia Clarke como Qi’ra, são importantes para o desenvolver da trama?

Sim.

Eles fazem um bom trabalho?

Mais ou menos.

O trio acaba caindo na falha de serem novos personagens que precisam ser desenvolvidos rapidamente por um roteiro que além de  incluir cenas de ação, batalhas espaciais cheia de efeitos especiais, precisa ainda desenvolver o personagem principal.

Não temos tempo de conseguir ter aquela conexão com os personagens e dos três, Newton é mal aproveitada, Harrelson parece até se divertir em cena e Clarke perde a oportunidade de entregar algo mais palpável quando sua personagem passa de par-romântico para ponto crucial da trama e que acaba deixando o tal vilão interpretado por Paul Bettany, jogado de escanteio.

Foto: Lucas Film/Disney

O lado ruim é que em muitas partes os personagens parecem apenas navegar entre as cenas com propósitos definidos e engessados, como se os roteiristas pegassem na mão do espectador e apresentassem os momentos de uma forma basicamente mastigada em tela: temos que fazer isso, para conseguir isso e isso.

Falta no filme um sentimento de urgência e perigo, afinal, sabemos que Han, Chewie e a Millenium Falcon irão sair intactos da aventura e no final Solo, tem zero desenvolvimento pois ele não é o Han Solo que conhecemos e também não é um personagem interessante demais, o que acaba deixando a trama muito linear e sem picos de emoção. Talvez se Han Solo: Uma História Star Wars fosse somente Uma História Star Wars, sem ter a pressão de ter Han Solo no título ou no papel principal, os produtores conseguiram entregar um filme melhor.

O fato que o longa mesmo que visualmente impecável, como todos da franquia, se apoia em um nome e uma idéia para contar sua história mas acaba meio que sendo um punhado de cenas costuradas que passam por uma lista de fatos conhecidos do famoso personagem Han Solo que precisam ser apresentadas em tela.

Nota do Crítico:

Han Solo: Uma História Star Wars  tem data de lançamento prevista para dia 25 de maio.

Miguel Morales

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