Doentes de Amor | Crítica

A grande verdade é que querendo ou não as comédias românticas já estão datadas tem um bom tempo. Desde do clássico Harry e Sally – Feitos Um para o Outro (1989) até o não tão recente assim, De Repente 30 (2004), a famosa história rapaz encontra moça sofreu inúmeras montagens e já foi contada e recontada de várias formas. Os filmes e suas tramas sempre foram evoluindo ao longo dos anos, assim tivemos Tom Hanks e Meg Ryan nos adventos da internet chegando até a era da social media com o nacional Amor.com (2017) e vimos como as relações amorosas mudam junto com as décadas, mas sempre seguindo a mesma fórmula básica repetida de rapaz encontra mulher, eles ficam juntos, algum obstáculo aparece para só depois lá no final eles ficarem juntos.

Em Doentes de Amor (The Big Sick, 2017) a dinâmica não poderia ser diferente, mas o maior acerto e diferencial do filme é nos entregar uma comédia leve, com uma sagacidade de um roteiro deliciosamente bem escrito e que passa um sentimento de conforto para quem assiste. É aquele filme que te anima e ao mesmo tempo te faz refletir. O roteiro é escrito por Emily V. Gordon, escritora com livros publicados e colunas nos jornais The Huffington Post e The New York Times, e Kumail Nanjiani um comediante de stand-up que são casados na vida real. Assim, o longa  é baseado a história na vida deles e isso deixa o filme ainda melhor.

Foto: California Filmes

Assim, temos aqui uma daquelas produções românticas que fogem do clichê mesmo abusando de cenas conhecidas por todos os amantes de comédias do estilo mais água com açúcar. Unindo momentos engraçados com um tom um pouco mais pesado devido a doença da personagem da excelente Zoe Kazan, o filme consegue se destacar por suas piadas afiadas e humor refinado que colocam a produção como um dos grandes filmes do ano.

Assim, no longa, conhecemos o comediante com descendência paquistanesa Kumail Nanjiani (que interpreta ele mesmo) e a estudante Emily Gardner (Kazan), os dois se apaixonam e tem que lutar contra o jeito diferente dos dois e claro que a produção também aborda as diferenças culturais entre o casal. Clássica comédia romântica certo? Não! O mais legal que nos primeiros minutos do filme, acontece tudo aquilo que leva mais de uma hora nas outras comédias para acontecer. No longa, a trama avança e se desenrola rapidamente: Kumail e Emily se apaixonam, brigam e terminam até que ela acaba descobrindo uma doença e é internada. E isso só na primeira parte.

O que deixa o filme mais interessante é o fato que depois que Emily precisa ficar em coma induzido para tratar sua doença, Kumail se vê junto dos pais dela e claro meio tem que conquista-lós também afinal ele e ela terminaram. Doentes de Amor sabe muito bem balancear suas partes de drama com a parte de comédia e você realmente consegue enxergar um esforço no roteiro e nos personagens para que isso aconteça da forma mais tranquila possível. Diferente de um filme baseado em alguma obra de Nicolas Sparks onde você sabe justamente os momentos onde o roteiro vai ter aquele dramalhão pesado e vai te fazer emocionar, nesse filme cada cena é uma surpresa que nos entrega atuações fantásticas e maravilhosas.

Os pais de Emily, Terry e Beth, interpretados pelos atores Ray Romano e Holly Hunter, dão um show à parte. Hunter passa uma atuação natural, forte e emocionante que realmente rouba a cena. Kumail Nanjiani e Zoe Kazan tem uma química maravilhosa o que chega até ser meio estranho a forma que os dois estralam faíscas e te fazem torcer muito pelo casal no meio de tanta adversidade.

Foto: California Filmes

Junto de tanta discussão sobre imigração e preconceitos sobre cultura diferentes o filme acerta ao mostrar a família paquistanesa vivendo no meio dos americanos. Mesmo com a tradição dos jantares com a mãe sempre trazendo alguém de surpresa “Ah mas quem poderia ser a essa hora?” o filme não força a situação e não coloca vilões para nenhum dos lados. O contraste entre as cenas na casa de Kumail e no hospital fica muito evidente tanto no clima do filme quando até mesmo na fotografia. A produção acerta novamente ao tratar o tema da diversidade na sociedade americana de forma bem natural, interessante e bem bacana de se assistir.

Como uma das melhores comédias do ano Doentes de Amor chega em um momento onde precisamos de boas histórias que mostram que o diferente não deve assustar. E aqui temos uma comédia com boas piadas, um bom roteiro e claro boas atuações. Com uma mensagem positiva, o filme ao seu desenrolar vai evoluindo seus personagens de uma forma bem interessante e a cada momento que passa você se emociona, torce e ri junto eles.

Doentes de Amor é uma típica comédia que tem a mão do produtor Judd Apatow de LOVE (Netflix) e GIRLS (HBO) e conta a realidade dos relacionamentos de forma bem real e claro com um toque de humor mais ácido. Definitivamente é um daqueles filmes que não podem ser perdidos esse ano que vai te fazer sair com um sorriso no rosto.

Nota do Crítico:

Doentes de Amor chega nos cinemas em 19 de Outubro.

Miguel Morales

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