Rainha de Katwe | Crítica

Rainha de Katwe (Queen of Katwe, EUA, 2016) é baseado na vibrante história verídica de Phiona Mutesi, uma jovem garota das ruas da região rural de Uganda, cujo mundo rapidamente se modifica quando é apresentada ao jogo de xadrez, e, como resultado do apoio que ela recebe de sua família e da comunidade, é convencida da confiança e determinação de que precisa para correr atrás de seu sonho de se tornar uma campeã internacional de xadrez.

Phiona, interpretada pela novata Madina Nalwanga, trabalha colhendo milho junto a mãe Harriet (Lupita Nyong’o em outra brilhante atuação digna de premiações) e os irmãos até conhecer o treinador Robert Katende (David Oyelowo) e o xadrez.

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O filme mostra uma ótima história de superação, pois mostra as dificuldades da família de Phiona e da comunidade em viver sempre as margens da sociedade, sem saneamento básico, uma moradia digna e até mesmo, às vezes, sem comida. Toda a inteligência das ruas, as habilidades de se superar a cada dia, levam a jovem a dominar o jogo de xadrez onde a Rainha sempre deve vencer. Com inteligência acima da média treinador vê na menina um grande potencial e começa a treiná-la para as grandes competições.

Com um visual forte, colorido e que sempre tenta mostrar um lado positivo, o filme toca em temas bem deliciados como preconceitos, pobreza e a dura realidade que muitas pessoas ainda vivem e nos parecem situações irreais.  A cena das crianças dormindo no chão, pois não estão acostumadas com as camas, lençóis e travesseiros é rápida e chocante, mas acabam ficando em segundo plano, pois aquele é o mundo deles, que eles conhecem, não o nosso. Portanto, dentro da narrativa, é fácil compreender as escolhas da direção.

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As atuações dos personagens principais são fortes e Lupita Nyong’o está no seu auge como uma mãe protetora, mas que também quer o melhor para seus filhos. A atriz mostra maturidade e um domínio em cena que o espectador chega a ficar paralisado de o quanto ela se entrega e demonstra os sentimentos da personagem amargurada com a vida, desde as grandes falas até os “anham”. O ator David Oyelowo também mostra as sutilezas de um professor que luta para um futuro melhor para as crianças da comunidade e para ele próprio.

Enquanto os adultos dominam a parte do drama, as crianças se destacam na leveza e no alivio cômico, com as peripécias dignas das crianças que querem se divertir, mesmo vivendo uma vida dura e pesada.

O filme mostra muito bem o conflito na sensível atuação da novata Madina Nalwanga, com o choque das realidades que sua personagem vive. Para o povo de Katwe, ela é a representação de que com o esforço, ajuda e perseverança podemos ir em frente e que os sonhos as vezes não precisam ser só sonhos. Com uma carga dramática forte em momentos pontuais, Rainha de Katwe é filme que mostra superação vinda do esporte, mas foge um pouco dos padrões do estúdio por ser diferente e mostrar uma realidade que o ocidente não está acostumado, e até faz vista grossa.

O filme é uma ótima combinação de história e atuações em que você acaba saindo com uma valorização das pequenas coisas. Com direção de Mira Nair com roteiro de William Wheeler, o filme é produzido por Lydia Dean Pilcher e John Carls, com Will Weiske e Troy Buder na produção executiva.

Nota do Crítico:

Rainha de Katwe, da Disney, estreia nos cinemas brasileiros em 24 de novembro. Confira o trailer abaixo.

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