Cats | Crítica

A adaptação do musical da Broadway quando foi anunciada gerou expectativas, tanto por ser uma história clássica contada há anos no palco, quanto pelos nomes conhecidos do cenário musical atual que foram escalado para o filme. As gravações começaram, e a Universal Pictures reservou para Cats (2019) uma disputada data do feriado de final de ano para o lançamento do filme.

Francesca Hayward in Cats (2019)
Cats – Crítica | Foto: Universal Pictures

Mas a jornada de Cats de hit do ano a piada, começou quando o primeiro trailer do longa foi liberado on-line. Reações negativas, trocadilhos, e memes circulavam alucinadamente. Seria uma antecipação do que veríamos? A resposta veio após as primeiras reações da imprensa americana que conseguiu ver o filme alguns dias antes de sua estreia nos EUA. 

E ao assistirmos a produção, na sua estreia no Brasil, a única palavra que nos vem em mente sobre Cats que filme pavoroso. Cats fechou 2019 em uma estridente e assustadora nota, onde o longa faz uma experiência visual completamente assombrosa. Os efeitos visuais, que os americanos chamam de CGI – do inglês Computer Graphic Imagery, ou computação gráfica – são um completo desastre. Em Cats quase nada se salva, são poucas coisas, poucos momentos, poucas passagens, que somadas nem chegam a ser 5 minutos. Cats se afirma no imaginário popular com um intenso, e vívido pesadelo.

A trama se mantém bem parecida com a versão da Broadway, e da adaptação para os cinemas lançada em 1998. Os gatos Jellicles se reúnem, novamente, no meio da noite para escolher o gato que irá ascender para a luz. O filme então nos apresenta os candidatos, um a um, e a história se desenvolve quando eles mostram suas habilidades e precisam provar para a velha Deuteronomy (Judi Dench) que são dignos para a cobiçada vaga.

Taylor Swift in Cats (2019)
Cats – Crítica | Foto: Universal Pictures

Assim, Cats nos entrega sequências musicais individuais longas e tediosas de Rebel Wilson (como Jennyanydots) e sua infame cena com as baratas dançantes, Jason Derulo como Rum Tum Tugger, Idris Elba como o vilão Macavity, e até mesmo a cantora Taylor Swift (como Bombalurina) que tem um solo único e bastante rápido. 

Cats narra sua história pelos olhos da gata novata Victoria (Francesca Hayward) que descobre as interações e a hierarquia dos Jellicles junto com o público. E aqui, temos a única coisa que o filme tem de bom, e a garantia da meia estrela a mais na nota, a personagem de Jennifer Hudson, a gata
Grizabella e sua música Memory que realmente é incrível, e mostra o talento da cantora em se sobressair do mundaréu de escolhas erradas e decisões mal tomadas. Até mesmo os veteranos, Ian McKellen e Judi Dench ficam eclipsados por conta de efeitos visuais ruins e más opções da direção, e da edição.

Cats dá uma aula de o que não fazer ao lançar um filme. Como falamos, Cats é o primeiro filme que usa filtros de instagram para o desenvolvimento visual de personagens. A direção de Tom Hopper mal consegue trabalhar as tomadas fechadas, e muito menos as sequências mais abertas, onde Cats entrega um trabalho de proporção completamente falho e sem sentido nenhum, seja nas cenas mais escuras nos becos da cidade, no teatro em ruínas, ou até mesmo no amanhecer iluminado.

No final, Cats faz um evento musical tão estranho quanto um miado doído de um gato. 

Nota do Crítico:

Cats em cartaz nos cinemas

Miguel Morales

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