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Dois Irmãos – Uma Jornada Fantástica | Crítica

Dois Irmãos – Uma Jornada Fantástica (Onward, 2020) estreia com o peso de ser a nova animação da Pixar e toda uma bagagem Disney por trás. E ao mesmo tempo que isso possa ser a maior pressão para o filme, também acaba por ser, seu maior aliado. Dois Irmãos – Uma Jornada Fantástica entrega exatamente isso que o subtítulo nacional da animação diz, uma jornada mágica, encantadora, e assim, por dizer fantástica.

Dois Irmãos – Uma Jornada Fantástica segue a cartilha de filmes da Pixar feitos para se emocionar e divertir. O roteiro do trio Dan Scanlon, Jason Headley e Keith Bunin acaba por ser extremamente redondinho, parece ser construído e modelado para entregar ao espectador todo tipo de emoção possível ao longo do filme. Há momentos de pura diversão em que damos risadas com os personagens, e outros mais dramáticos e que parece que Dois Irmãos – Uma Jornada Fantástica toca e aperta nosso coração.

O diretor Dan Scanlon, em visita ao Brasil na CCXP 2019, afirmou que Dois Irmãos – Uma Jornada Fantástica foi um filme bastante pessoal para ele de se fazer, e realmente a animação entrega um longa extremamente emotivo para aqueles que já perderam entes queridos, e fala sobre a importância da família, sem deixar de contar uma incrível história de amadurecimento.

Chris Pratt and Tom Holland in Onward (2020)
Dois Irmãos – Uma Jornada Fantástica | Crítica | Foto:  Disney/Pixar. 

O mais bacana é como Dois Irmãos – Uma Jornada Fantástica cria isso, para os mais adultos algumas respostas que a dupla de irmãos Ian e Barley buscam estão ali, logo de cara, e para as mais crianças o lado mais fantasioso com o uso de magia, e as peripécias em que vemos os personagens se meterem, devem ser o grande chamariz. 

Com uma forte mitologia, cheia de regras retiradas de jogos de RPG, Dois Irmãos – Uma Jornada Fantástica parece que foi criado por uma dupla de jovens adolescentes para jovens adolescentes, onde vemos toda a inquietação para formar novas amizades, tirar a sonhada carta de motorista, e ainda, estar nessa fase de transição da vida de criança para a fase adolescente.

Dois Irmãos – Uma Jornada Fantástica captura essa essência com louvor, e entrega esses pequenos detalhes, essas piscadelas para uma época mais fácil e cheia de anseios e dilemas que é mostrada, de formas diferentes, em cada personalidade de cada um dos irmãos. Vimos a versão dublada, mas fica clara que a figura de Ian é o próprio Tom Holland que dubla o personagem na versão original, com sua figura mais agitada e encabulada de ser, e Barley é a definição de Chris Pratt na sua época da finada série de comédia Park And Recreation, onde aqui, não teriam atores melhores para emprestarem suas vozes para os protagonistas.

E Dois Irmãos – Uma Jornada Fantástica leva esses dois personagens tão distintos para uma viagem de carro em busca de encontrarem uma pedra mágica que ajudará os garotos a verem o pai, já falecido, pela última vez. Aqui, o longa usa e abusa de inúmeras referências para filmes dos anos 80, como um Um morto muito louco (1989) e O Cristal Encantado (1982). Assim, Dois Irmãos – Uma Jornada Fantástica, une humor e drama de uma maneira bastante interessante, com aquele pózinho especial Disney, e consegue criar uma história tocante e que facilmente irá emocionar muitos espectadores na sala do cinema.

Chris Pratt and Tom Holland in Onward (2020)
Dois Irmãos – Uma Jornada Fantástica | Crítica | Foto:  Disney/Pixar.

Dois Irmãos – Uma Jornada Fantástica consegue criar um mundo tão rico, tanto visualmente com paletas de cores fortes e um bom uso de efeitos especiais para a criação dos traços das animações que claramente temos a certeza de ser um filme Pixar, quanto para os personagens que são extremamente carismáticos.

Os destaques ficam para as coadjuvantes, liderados por Laurel (voz de Julia Louis-Dreyfus no original), a mãe independente e destemida dos garotos, e pela Manticora (voz de Octavia Spencer no original), uma mistura de dragão com escorpião, dona de uma lanchonete temática e que rouba todas as cenas que aparece.

Assim, com Dois Irmãos – Uma Jornada Fantástica nossa vontade é mergulhar nas peculiaridades desse universo em que a tecnologia roubou o espaço da magia, onde vemos seres alados como fadas motoqueiras, centauros na polícia (o tão debatido aceno da Pixar para a comunidade LGBTQ+), dragões como animais de estimações, e elfos que estudam e vão a escola. Com o lançamento da plataforma do Disney+, Dois Irmãos – Uma Jornada Fantástica tem um futuro fantástico pela Disney à caminho, seja em curtas, ou séries para o serviço de streaming. 

No final, temos uma animação redondinha, que acaba às vezes por ser redondinha demais, mas que mesmo não perde seu carisma e agradabilidade. Aqui, não temos a mesma força de contar uma jornada rumo ao desconhecido, ou de brinquedos que falam, mas Dois Irmãos – Uma Jornada Fantástica cumpre seu papel em contar uma boa e nova história original Pixar.

Dois Irmãos – Uma Jornada Fantástica diverte e encanta como é o esperado para uma animação do estúdio, e faz a primeira boa animação do ano, o que para a Disney já era uma vitória quase certa. 

Nota do Crítico:

Dois Irmãos – Uma Jornada Fantástica chega nos cinemas nacionais em 05 de março.

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