Supergirl | Crítica: Bem, pelo menos, o cachorro sobrevive!
O tal filme da Supergirl e toda a discussão sobre Supergirl (a personagem) estar em Superman no ano passado foram alguns dos grandes fatores que ajudaram a movimentar o longa inaugural da DC de James Gunn na Warner Bros focado em um mais conhecidos personagens dos quadrinhos de todos os tempos. Seja por conta da escalação da atriz Milly Alcock, a duvida de como a personagem seria representada na telona pela primeira vez depois de anos e de como essa nova versão seria apresentada para se distanciar da série de sucesso sobre a heroína que durou várias temporadas.
E quase por um triz parecia inclusive que a personagem iria eclipsar o primo. Afinal, David Corenswet era uma nova reencarnação do herói em menos de uma década e, como falei, Supergirl ainda era uma figura pouco explorada nos cinemas. O hype em torno existia, mas ao longo dos meses pareceu que a empolgação em torno do filme e da personagem vinha caindo e caindo. Claro, sempre tínhamos aqueles perfis de rage bait que inundaram as redes sociais nos últimos tempos e que sempre capitalizaram falando mal de (mulheres) produções focadas em super-heroínas, mas a queda de popularidade e de empolgação com o filme pareceu ser uma constante ao longo dos meses e, principalmente, quanto mais material promocional era liberado.
Resumo:
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Supergirl não entrega um filme bom ou ruim, e sim uma das piores coisas que poderia ser: mediano. Mas, pelo menos, o cachorro sobrevive!

E muitos desses ataques que o longa sofreu são injustificados. Supergirl (2026) se beneficia muito do carisma de Milly Alcock, que aqui está excelente, esbanja carisma e é uma presença radiante em tela. O problema, talvez, fique na forma como esse filme é estruturado, contado, editado e encaixado na linha do tempo dessa nova DC.
Afinal, o filme serve meio que como a resposta de por que e onde estava a personagem enquanto a cidade de Metropolis era tomada de assalto pelos planos nefastos de Lex Luthor (interpretado por Nicholas Hoult e que não dá as caras e a careca aqui) durante os eventos de Superman.
E o roteiro de Ana Nogueira explica isso e, não só isso, cria um panorama geral de por que a jovem prima também superpoderosa do Superman não estava na Terra. Não é que o tipo de história que Nogueira conta aqui seja ruim, ou que o roteiro seja mal escrito. Apenas que é um grande retalho de coisas, situações e personagens que acaba por atirar para diversos lados.
Infelizmente, Supergirl é uma bagunça. Não consegue ser totalmente história de origem, ou totalmente coming of age, e acaba por entregar uma aventura adjacente que apresenta tanto o lado do bem quanto o do mal de uma forma muito fraca. Afinal, ambos os lados são completamente introduzidos, desenvolvidos e descartados nessa mesma aventura. Mas, pelo lado positivo, o cachorro Krypto sobrevive.
Supergirl é um desvio na rota da trajetória de Kara Zor-El na Terra e na relação da jovem kryptoniana com o primo bobocão e nerd (segundo palavras dela). Não é que Supergirl precisasse ter Superman para funcionar, mas, pelo menos, que fosse uma história mais terrestre e menos espacial. E até mesmo o quadrinho famoso que serve como base aqui não é seguido a risca. O filme quer parecer com um, mas não se comporta como um. E mesmo que Alcock esteja muito bem, com uma forte inclinação de ser o Peter Quill (de Guardiões da Galáxia, filme que colocou James Gunn, hoje co-chefe da DC, no mapa), ao mesmo tempo me pareceu que estávamos vendo uma história de “caso do dia”, sabe? Sem muitos momentos “uau”, impactantes ou até mesmo memoráveis.
O maior crime de Supergirl é que não entrega um filme bom, ou um filme ruim, e sim uma das piores coisas que poderia ser: mediano. E que periga até ser esquecível. E a pior parte é que tinha tanto potencial. Afinal, a aventura se mescla com momentos e passagens que realmente soavam interessantes e eram o que queríamos ver (ou pelo menos eu queria ver) da personagem: Como ela conheceu o cachorro Krypto, a relação com os pais Zor-El (David Krumholtz muito bem em poucas cenas) e Alura Zor-El (Emily Beecham) e a forma como esse lado dos Els lidou com a explosão de Krypton.
Por exemplo, a cena em que o planeta está prestes a explodir e vemos a nave com o bebê Kal-El zarpar ao fundo é muito boa. E é isso que falta para Supergirl. E, principalmente, mostrar e ser o foco de como todo esses eventos moldaram Kara a ser essa figura totalmente diferente do primo Kal-El. Isso, na superfície, até existe, e o roteiro de Nogueira consegue brevemente desenvolver, mas é tudo muito simples. Já que esses momentos cruciais no desenvolvimento da personagem e na construção dela são relegados para cenas de flashbacks enquanto Kara passa por diversos estágios de luto, por assim dizer.
E tudo isso enquanto ela pula de sol vermelho em sol vermelho como a garota baladeira e vida louca e acaba por cruzar caminho com a jovem Ruthye (Eve Ridley), que busca vingança contra um mercenário chamado Krem das Colinas Amarelas (Matthias Schoenaerts), que assassinou os pais dessa menina.
É como se o filme da Supergirl gastasse um tempo gigante com uma personagem que não é a heroína-título. E por que, num filme da Supergirl, eu ia lá querer saber dessa garota? Eu quero ver a Supergirl. Ou no caso aqui Kara, já que a personagem passa boa parte do filme como sua versão civil e sem uniforme.
E quando Krem ameaça matar e acaba por envenenar Krypto, as coisas se tornam pessoais para Kara, que já tem que lidar com seus próprios problemas e encarar essa nova aventura ao lado de Ruthye. Claro, é legal ver a expansão do universo da DC criado por Gunn e esse lado mais cósmico e cheio de criaturas excêntricas e exóticas que Nogueira apresenta. Mas, ao mesmo tempo, é, sim, tudo muito mais do mesmo do que vimos em diversas outras produções no espaço, seja As Marvels, o próprio Guardiões da Galáxia e tudo mais.

O que realmente empolga em Supergirl são os pequenos momentos em que o filme olha para a mitologia da personagem e conta o que aconteceu. Não dá para negar que o filme tem, sim, algumas boas cenas: um dos destaques fica quando Kara e Ruthye cruzam caminho com outro mercenário chamado Lobo (Jason Momoa, o mais Jason Momoa que ele já esteve) e a heroína finge um sotaque de uma garota de LA com tom anasalado e diz: “Tipo, é que nós somos duas garotas de Metropolis, tipo, em uma aventura, sabe?” e mexe com as pontas dos cabelos, enrolando-os.
Alcock realmente sabe vender o timing um pouco mais cômico, assim como o dramático, principalmente quando o “momento flashback da vez” chega para contar para o espectador os anos finais da jovem no que sobrou de Krypton (Zor-El conseguiu salvar uma parte do planeta, criou um domo, mas que foi infectado por kryptonita) e Kara precisa lidar com as consequências ela mesma de um sol verde.
E enquanto ela e Ruthye buscam o vilão e sua tropa, que eu particularmente não achei ruim o trabalho do Schoenaerts no papel, apenas o arco de tráfico de mulheres que soou batido e como se o filme tivesse uma cota para bater de coisas para falar, Kara começa a entender mais sobre si e o que ela quer fazer com a chance que teve de sobreviver, (depois que seu pai manda a nave para a Terra, ela se encontra com o primo, e temos mais uma boa e curta cena) e lidar com os seus poderes, como fazer um bom uso deles, e bem no final realmente se distanciar do primo com uma decisão que deve movimentar um debate nas redes sociais.
E nem dá para dizer que pelo menos as cenas de batalha e de uso de poderes da personagem são legais, porque eu achei tudo muito confuso e cansativo de assistir. E nem mesmo os efeitos especiais se destacam. Em diversas cenas, o que vemos é um borrão loirão passando pela telona. Uma pena, porque eu achava que o diretor Craig Gillespie tinha uma assinatura tão marcante (Cruella, Eu, Tonya) para lidar com personagens femininas, mas aqui entrega um filme apático.
No final, Supergirl parece um grande, e mais ou menos, episódio especial de final de ano, sabe? Falta alguma coisa, um brilho nos olhos, um rajadão. Afinal, a personagem já era aguardada, participou brevemente do final de Superman, e agora era a chance de colocar Kara à frente de uma grande aventura. Isso até acontece, mas parece ser mais uma terça-feira qualquer no dia da personagem do que alguma coisa que fosse digna de um filme-evento.
Infelizmente, Supergirl não tem nada de super, girl. O que é uma pena; afinal, com os bastidores tumultuados do estúdio com a venda da Warner e os desempenhos de bilheteria sendo analisados com uma grande lupa, a chance de vermos ainda menos de Kara em Superman: Homem do Amanhã é muito grande. Depois disso então….
E o filme não teve cena pós-crédito.
Supergirl chega nos cinemas nacionais em 24 de junho com sessões antecipadas.

