Protocolo de Extermínio | Crítica: Enxuto, longa se beneficia de Adria Arjona com sangue nos olhos
Com Protocolo de Extermínio (Onslaught, 2026), o diretor Adam Wingard retorna para o cinema mais experimental que, no passado, abriu as portas para assumir uma franquia de estúdio com Godzilla e o Monsterverso. E parece ter sido um bom retorno, onde aqui Wingard repete a parceria com um irreconhecível Dan Stevens e uma Rebecca Hall em uma curta participação como uma femme fatale, mas é com a figura de Adria Arjona que o longa se beneficia.
A atriz, que vem emplacando diversas produções seguidas, está muito bem com essa soldada com traumas de guerra que vive no meio do deserto, em uma casa improvisada, até que um experimento do governo dá errado e um bando de serial killers volta à vida como supersoldados geneticamente modificados e começam a atacar os moradores da região (numa cena bem legal) e também os vizinhos da protagonista.

A premissa é inegavelmente instigante e interessante de acompanhar, sem dúvidas. E Wingard constrói um universo levemente caricato e um pouco over, mas que ainda ressoa com um futuro próximo e plausível. Protocolo de Extermínio tem umas doideiras, momentos de pura extravagância, umas cenas que parecem que estão lá para chocar e que definitivamente foram colocadas ali para dar um tempero a mais, mas que combinam com a proposta de ser um universo excêntrico que o filme apresenta.
O elenco atua como um catalisador desse absurdo: temos Rebecca Hall como uma empresária dominatrix, Dan Stevens escondido com próteses, uma careca e um bigode, como um cientista alemão maluco, e também um surpreendentemente bom Drew Starkey (vindo do sucesso de Other Banks, Queer e Lucky, com Anya Taylor-Joy) como um agente do governo com as sobrancelhas descoloridas e que precisa investigar um caso no dia de folga e depois que usou drogas recreativas.

E nisso tudo, esse grupo encontra na soldada desbocada e viciada em falar palavrões Celeste (Adria Arjona) uma oponente à altura. E não só eles, os supersoldados criados também. Afinal, a instalação fica a quilômetros de onde a personagem mora, que vê a chegada de surpresa de Daisy (Blake Kennedy, muito bem) quando o ex-marido com quem ela não se dá bem deixa a criança em sua porta. A narrativa tira um tempo para construir a figura de Celeste, explicar seu trauma e como o estresse pós-traumático afeta não só sua vida, mas a relação com a filha, nos dá pistas sobre a complexidade da personagem e todas as questões do passado que vão ser fundamentais para ajudar a entender como é possível para essa mãe e soldada vencer a ameaça perigosa que surge na figura desses protótipos de robôs que estão ali com uma missão apenas: acabar com qualquer um na frente deles.
Protocolo de Extermínio é um filme enxuto em sua proposta, tanto em termos de narrativa quanto de locações, mas a trama realmente entrega boas e violentas cenas de ação e perseguições nos momentos finais. É quase como se fosse uma versão de Esqueceram de Mim num acampamento de trailers no meio do deserto, onde vemos Celeste, a filha e o vizinho, um veterano da Guerra do Vietnã (Reginald VelJohnson), tentarem fugir desses criminosos. Claro, Protocolo de Extermínio flerta com um possível início de franquia, um universo maior do que é apresentado aqui e uma possível sequência, mas falta alguma coisa. Talvez mais star power, ser menos conceitual e mais comercial.
Mas é o filme que Wingard conseguiu tirar do papel depois de ganhar projeção com os filmes de Godzilla, e ficou claro aqui que foi uma produção com amigos e colegas, feita na camaradagem, sem intenção de hitar nos charts ou fazer muita bilheteria. E, pelo menos, Protocolo de Extermínio tem 1h32min.
Protocolo de Extermínio chega em 1º de outubro nos cinemas.

