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Festival do Rio | Rosebush Pruning | Crítica: Lindo, mas vazio.

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O ano ainda não acabou, mas Rosebush Pruning, talvez, seja uma das grandes decepções deste 2026 cinéfilo. Tudo o que circulava o projeto era empolgante: a direção de Karim Aïnouz, o elenco cheio de nomes promissores e talentos de Hollywood, a premissa “Eat the Rich” e tudo mais. Mas como pode nada, ou pelo menos quase nada, funcionar aqui?

É como uma rosa, linda de se admirar, mas se você chegar perto, ela te espeta. E isso é o que meio que define Rosebush Pruning. Afinal, por mais que a direção de Aïnouz seja viva e energética, e a saturação escolhida deixe o filme com um visual colorido e quente, boa parte das atuações aqui são exageradas, fora de tom, parecendo estar um nível acima do necessário.

Foto: Cortesia do Festival do Rio.
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Claro, Callum Turner, Riley Keough, Jamie Bell e Lukas Gage fazem o que dá com o roteiro estapafúrdio que o grego Efthimis Filippou apresenta, mas nem eles conseguem fazer com que toda a história maluca apresentada aqui faça algum sentido.

Fica claro que Rosebush Pruning é uma tragédia grega no pior dos cenários. Nem mesmo a ideia de colocar essa família norte-americana na ensolarada Espanha ajuda; afinal, quanto mais vamos descobrindo os segredos, os dramas e as relações interpessoais completamente abusivas entre eles, mais o trem de Rosebush Pruning descarrila.

E, talvez, o personagem que mais represente a doideira do filme seja o de Tracy Letts. O ator apresenta aqui uma versão genérica, novelesca e caricata de Logan Roy, de Succession: um empresário ricaço, mas que perdeu a visão, vive numa mansão com os filhos, e todos eles usam o dinheiro deles para os maiores caprichos possíveis. Por exemplo, em uma das cenas, quando Jack (Jamie Bell, vindo da minissérie Half Man) leva a noiva Martha (Elle Fanning, vinda da série Margo Tem Problemas de Dinheiro) para almoçar com o pai e os irmãos, Robert (Lukas Gage) e Anna (Riley Keough), o personagem pede para a família na mesa descrever os atributos físicos da moça.

Na frente dela, e na cara dela. A cena é uma chuva de constrangimentos, vergonha alheia, bem embaraçosa. Mas nada supera ou chega aos pés da cena no banheiro em que pai e um dos filhos escovam os dentes juntos. Dentre as bizarrices e excentricidades dessa família essa é de longe a pior delas.

Como uma sátira para o mundo dos 1% e dos ricos, Rosebush Pruning tenta chocar por chocar, sem, efetivamente, ter algum tipo de comentário por trás das doideiras. E nem quando o roteiro se encaminha para introduzir a personagem da mãe, aqui interpretada por Pamela Anderson(com dentes branquíssimos!), Rosebush Pruning decola. Os momentos finais entram num estado de piração narrativa, de pobreza de ideias e de execução sem tamanho. E o choque pelo choque continua: cena maluca atrás de cena maluca. Infelizmente, Rosebush Pruning é um filme para ser podado da memória em 2026. Uma pena.

Nota:

Filme visto no Festival do Rio em Outubro de 2026.

Longa estreia no circuito nacional em 16 de outubro.

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