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Elle: Legalmente Loira | Review: Adolescência? O quê, porque é difícil?

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Definitivamente, Reese Witherspoon e Legalmente Loira, lá nos anos 2000, definiram toda uma geração de comédias originais de estúdio. O longa colocou a atriz no mapa e realmente anos depois dá para definir Legalmente Loira como um filme icônico e que se mantém extremamente atual por conta da atuação de Witherspoon e do roteiro espertinho que apresentou.

Por isso, quando rolou a fusão da MGM com a Amazon, ficou claro que Legalmente Loira seria uma das propriedades intelectuais que seriam trabalhadas pela recém criada Amazon MGM Studios. Com a produtora de Witherspoon envolvida, a HelloSunshine, estava claro que ideia de uma série prequel para Legalmente Loira era extremamente promissora: iriamos ver e acompanhar os momentos de Elle Woods no ensino médio e como isso moldaram ela para ser a jovem que conhecemos lá no filme de 2001 enquanto tenta, e consegue, se candidatar para a Faculdade de Direito de Harvard, uma das mais prestigiadas do país.

Resumo:

    Lexi Minetree está excelente em Elle que acerta muito não só nas conexões com o filme original como também com a recriação dos anos 90, mas também parece que é só isso.

Elle Woods (Lexi Minetree) in ELLE. Photo Credit: Jessica Brooks/Prime Video
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Elle prometia contar a história de origem da personagem, focar na relação com os pais, mostrar como ela e Bruiser se conheceram e expandir esse universo. Mas contar a história de origem de Elle Woods? Na adolescência? O quê, porque é difícil? 

E se Reese Witherspoon foi o rosto dos filmes, escolher uma jovem para ser a jovem Elle era primordial para fazer Elle acontecer. E a série com a presença da atriz novata Lexi Minetree realmente acontece por conta dela. Há momentos que quando vemos a atriz andar, falar, e citar linhas que você definitivamente vê Witherspoon ali e Minetree está realmente muito bem no papel. E, talvez, isso realmente ajude a capturar a essência do que o seriado quer passar: que primeiras impressões podem ser complicadas e existem mais coisas por trás das aparências.

Elle acerta muito não só nas conexões com o filme original, com frases, acenos, momentos espelhados como da cena de abertura da série que é igual ao filme (mais sem a mesma vibe contagiante que tivemos com Perfect Days no original)  como também com a recriação dos anos 90, e as piadas com essa época com Blockbuster, fitas cassetes para CD, e até mesmo para uma citação de uma pequena loja online que jamais iria substituir as livrarias. (risos).

Mas ao mesmo tempo, sinto que a série realmente demora para engatar pelo fato que fica por tentar repetir os mesmos arcos do filme em pequenas doses ao longo dos episódios. É legal, uma, duas vezes, mas é uma coisa realmente constante ao longo da temporada.

E isso nos leva para outro problema. Por mais que Minetree esteja ótima, como diversos outros projetos do gênero, Elle é um seriado que sofre por meio que já sabermos o final, sabe? Já que o grande arco e conflito da temporada é Elle, sua mãe Eva (June Diane Raphael, hilária e outro destaque aqui) e seu pai Wyatt (Tom Everett Scott) trocarem a cidade ensolarada de Bel-Air pela chuvosa Seattle, e ela ir cursar o final do ensino médio por lá. Mas também sabemos que, em algum momento, Elle se forma no colégio, vai frequentar a faculdade da Califórnia, vai começar a namorar Warner Huntington III e que, mais tarde, vai se inscrever em Harvard para reconquistá-lo e depois terá todo seu arco de amadurecimento como mulher.

E o seriado usa isso como base para criar suas tramas para a personagem na versão jovem e adolescente. Claro, os conflitos no seriado começam com Elle chegando a um ambiente naturalmente hostil à sua estética (a escola Rainier West High, onde todo mundo usa roupas escuras). Mais uma vez, ela é descartada como uma “fútil” por seus colegas; ela passa por uma lenta jornada para conquistar todos ao seu redor por meio de pura competência, um pouco de ingenuidade e, claro, um grande sorriso no rosto.

É como se, nessa série prequel, as duas personagens (a Elle adolescente e a Elle na faculdade do filme pré-Harvard) coexistissem, mas o desenvolvimento das duas (série e filme) fosse basicamente o mesmo. Fica claro que Elle não está evoluindo em direção à jovem mulher que conhecemos no filme, e sim apenas recriando momentos e aludindo a eventos que aconteceram.

E acho que quando você percebe que Elle apenas quer ser uma série teen, no estilo Wandinha, com um toque de Glinda de Wicked, é que dá para começar a curtir. Claro, isso demora uns 3, 4 episódios, e a atração tem apenas 8. E eu acho que também os personagens de Seattle começam a ficar mais palatáveis. Principalmente o quinteto principal que anda com a personagem pelo colégio: a garota mais popular, a cara fechada Kimberly (Chandler Kinney), Liz (Gabrielle Policano), uma jovem super criativa que trabalha numa loja de discos), Shannon (Danielle Chand) a única que realmente entende Elle e se torna uma das melhores amigas dela), o corredor Miles (Jacob Moskovitz) e ainda o jovem rebelde Dustin (Zac Looker) aparece e a jovem Elle se vê envolve nos problemas desses novos amigos e em suas vidas.

Kimberly (Chandler Kinney), Liz (Gabrielle Policano), Elle Woods (Lexi Minetree), Miles (Jacob Moskovitz), and Dustin (Zac Looker) in ELLE. Photo Credit: Kimberley French/Prime Video

Assim, Elle foca em tudo o que faz uma série teen: em triângulos amorosos, nos jovens se rebelando contra os pais e, aqui no caso, em uma investigação na escola que usa as habilidades de Elle para focar em detalhes de que ninguém mais se importa, como no filme original, que foi o permanente da testemunha que a fez fazê-la sair da bancada do júri para a prisão.

E, talvez, pelo fato de que a trama e o universo do colégio em Seattle demorem para decolar também, juntamente com os personagens e todos os arcos paralelos deles, é que ter o benefício de Elle ser lançada toda completa ajude. Afinal, o seriado realmente engrena no final, o episódio 6 realmente é um bem bacana de se assistir e prepara o terreno para o final de temporada, que reserva algumas boas surpresas para esses personagens.

No final, Elle mostra que nem tudo é um mar de rosas. E que, às vezes, precisamos de dias nublados para podermos apreciar dias ensolarados (e ver a montanha). Apesar de um começo meio estranho e truncado, a temporada deverá conseguir ganhar o público e mostrar que é muito mais legal e interessante estar no Universo que apresenta para essa Elle Woods. Mas, talvez, fique claro, também, que navegar pelo ensino médio com episódios de 44 min seja um pouco mais difícil que navegar pelo direito em Harvard por algumas horas.

Todos os episódios de Elle chegam em 1º de julho no Prime Video.







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