Com direção de Carlos Saldanha (depois de diversos sucessos animados), o longa 100 Dias chega como uma super produção nacional estrelado por um elenco cheio de nomes conhecidos do grande público.
Estrelado por Filipe Bragança, o longa recria a histórica travessia de Amor Klink a remo pelo Oceano Atlântico Sul nos anos 80.
E assim, trazer para as telas essa jornada histórica da primeira pessoa a fazer essa travessia a remo exigiu soluções criativas e técnicas ousadas da equipe de produção. Um dos maiores desafios apontados nos bastidores foi recriar o ambiente da cabine do barco. Para transmitir a real sensação de confinamento e o balanço implacável do mar sem comprometer o trabalho das câmeras, a produção desenvolveu uma estrutura móvel adaptada.
O próprio Saldanha utilizou sua vasta experiência com efeitos visuais e animação para dar o tom perfeito à grandiosidade da fauna marinha e à atmosfera da viagem, criando uma experiência imersiva para o espectador.
Confira mais sobre os desafios de bastidores e outras curiosidades com elenco durante a passagem do filme pelo Festival do Rio 2026.
Foto: Buena Vista Internacional
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A entrega física e os desafios de gravar num espaço tão pequeno.
Para viver o Klink nas telonas, o processo que Bragança viveu exigiu uma transformação intensa do ator, tanto na parte física, quanto também de uma imersão profunda na mentalidade de quem encara o oceano sozinho.
“O filme foi filmado no final de 2024. E naquela época eu já tinha mais ou menos o porte que eu tenho hoje, a diferença é que eu emagreci para poder interpretar o Amir, porque o Amir já era um um cara magro e emagreceu mais durante a viagem, né? Então eu tentei achar esse equilíbrio estético, assim, do meu corpo para poder me aproximar ainda mais do personagem.” afirma o ator.
“Então eu fiz uma dieta bastante restritiva, com uma rotina de atividade física também bastante intensa, é, e acho que consegui chegar no resultado que eu queria, porque realmente, quando eu me olho no espelho hoje, que é como eu me reconheço, eu vejo no filme e eu percebo uma outra pessoa, e era exatamente isso que eu queria.” conclui ele.
A claustrofobia do espaço real do barco também serviu como motor para a construção do papel
Foto: Buena Vista Internacional
“Eu acho que a gente, é, tinha que trazer essa percepção do tamanho e da limitação mesmo do espaço em que ele estava viajando.” comenta o ator.
“É, mas ao mesmo tempo, eu acho que a cabine acaba se tornando a casa dele mesmo, né? Eu acho que acaba sendo, deixando de ser um lugar claustrofóbico e vira um lugar acolhedor. “É, e eu acho que eu tentei encontrar isso também, tanto que um dos desafios, é, dentre vários desafios, a que eu me propus, foi passar uma noite inteira no barco sozinho, durante a preparação. Eu pedi para a produção, eu falei: ‘Gente, eu quero passar uma noite inteira nesse barco, quero dormir no barco, com o barco na água’.
“Então a gente fez, eu vivi essa essa experiência para poder ter mais ou menos uma noção? E realmente, é, é um, é um ambiente muito, muito, é, apertado. Mas eu acho que o filme, ele é muito bem-sucedido em conseguir justamente trazer essa, essa sensação muito clara de como foi a viagem, de qual era o espaço que ele estava habitando, né?” comenta.
O desafio de filmar o confinamento e a grandiosidade da natureza
Para o diretor Carlos Saldanha, recriar os momentos mais intimistas da travessia dentro do barco foi um dos maiores desafios de produção.
“A cabine foi um dos grandes desafios porque é muito pequenininha. Construímos uma réplica da cabine interna de forma a conseguir tirar partes da estrutura para colocar a câmera lá dentro, senão não dava para filmar. Colocamos a cabine numa estrutura que se mexia para dar a veracidade do mar. É um momento muito intimista do Amir sozinho pensando, sofrendo e falando no rádio.” comenta o diretor.
Saldanha, amplamente reconhecido pela sua carreira na animação e efeitos visuais, contou ainda como usou a sua bagagem para traduzir a rica vida marinha descrita por Amyr Klink:
“Quando li o livro, fiquei impressionado com a quantidade de elementos gigantes e interessantes: baleias, tubarões, golfinhos, peixes… A minha experiência com animação e efeitos especiais me deixou confortável para colocar um pouco da minha marca, trazendo a animação para dentro de um filme de live-action.” concluiu.
A força da família e o porto seguro em terra
Foto: Buena Vista Internacional
João Victor Silva, que interpreta o personagem Timur, o irmão e um dos pontos de apoio fundamental de Amyr em terra —, compartilhou como suas raízes pessoais ajudaram a construir essa dinâmica com Bragança:
“Eu sou o décimo filho de uma família nordestina, então pude trazer essa experiência de ser conectado e afetuoso com os meus irmãos para descobrir essa irmandade no filme. É um elenco pequeno, então passamos muito tempo juntos na preparação, construindo a relação dessa família que tem suas questões, mas que se ama acima de tudo e impulsiona esse feito histórico. Levei essa família para a vida real.” disse o ator.
Já Felipe Camargo que interpreta Jamil Klink, o pai do navegador comenta “O nosso trabalho é tentar entender o ser humano e tentar representar o papel com tudo o que ele tem, o papel, não a gente, né?“diz ele.
“Então eu procurei pegar essa coisa, o que há de mais duro em mim, o amor enorme, né, que ele tem pelo filho, né, e e misturar isso aí num caldeirão, usando o roteiro, né, as informações sobre o personagem. Eu assisti um vídeozinho de 2 minutos dele, pai do do Amir Klink, que o Jamir vivo, né? Então, peguei o sotaque, a um pouco essa coisa dura, né, dele.” comenta.
Camargo conclui: “Então, deixar despertar isso, vir à flor da pele, assim, sabe, sem medo, sem sem barreira, sem crítica, né?”.
A atriz Philippine Leroy-Beaulieu (de Emily em Paris) também destacou a sua conexão com o Brasil e a essência da sua personagem no apoio à jornada do filho:
“O amor pelo Brasil e pela história do Amir me trouxeram essa vontade de atuar neste filme. A minha vivência pessoal que trouxe para o papel é a de ser mãe, uma mãe que tem confiança no filho, fé nas suas ideias e na vontade dela de ser uma pessoa adulta que faz o que quer. É sobre dar essa confiança.” diz a atriz em passagem ao Brasil.
100 Dias chega nos cinemas nacionais em 29 de outubro.