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Explota Explota | Crítica: Extremamente colorido, musical discute amor e censura embalados pelas canções de Raffaella Carrà

A televisão e a dança hoje faz parte de nossas vidas, e assim como no Brasil, na Espanha também tivemos um período com um censor falando o que iria e o que não iria ao ar, e tudo o que Maria queria era dançar e ser feliz. Explota Explota (2020) fala sobre amor, amizade e cesura da era franquista, embalada com os sucessos da cantora italiana Raffaella Carrá e com um elenco extremamente carismático.

No longa dirigido por Nacho Álvarez o longa conta a história de María (Ingrid García-Jonsson), uma jovem bailarina que deseja liberdade nos anos de 1970, época marcada pela rigidez do conservadorismo e sua censura, principalmente na televisão. Logo de início a vemos escapar de um possível casamento que não estava lhe agradando e assim ela sai de Roma para Madrid na cena que me pegou de primeira… A canção “Adiós Amigo” no avião foi deliciosa e encantadora.

O mais legal de Explota Explota é a forma que a película trata a amizade de María e Amparo (Verónica Echegui, incrível em cena), pois ambas são sonhadoras, possuem desejos de coisas melhores para a vida delas e se apoiam em suas decisões. Quando Pablo (Fernando Gualar) e Lucas (Fran Morcillo) entram na história com todo o elenco da TVE, incluindo o mulherengo Chimo (Fernando Tejero), os bastidores da televisão e da censura ganham destaque, pois María só quer ser feliz fazendo o que ama.

O desenrolar com as canções de Raffaella Carrà, como “En el Amor Todo es Empezar” e a hilária “0303456” mantém a Explota Explota viva, agora, a sequência de “Lucas” pelo metrô nos faz querer dançar com Amparo e descobrir o segredo que ela tanto precisa para seguir sua vida amorosa.

A presença de Rosa (Natalia Millán) e como ela mostra a María que a televisão precisa de outras mulheres para romper as barreiras, assim como ela rompeu em seu tempo, e é isso que acaba movendo o coração da bailarina, que acaba se perdendo entre o amor pela dança e sua liberdade e o medo de ser censurada na dança e na vida por Pablo, que aos poucos também tenta se romper com a mentalidade atrasada de seu pai, Celedonio (Pedro Casablanc).

O excesso de cor e a alegria que a película transborda é aconchegante, mesmo que em alguns momentos sentimos que a história não parece saber como irá desenvolver pequenos momentos para encerrar essas tramas menores, ficando meio avulso alguns sentimentos.

O longa lembra muito a estrutura de musicais como Mamma Mia!, com as canções de Abba, e uma atmosfera de Hairspray, que deve agradar bem os fãs do gênero. As canções de Carrà foram mantidas em sua íntegra no longa, tendo apenas uma versão mais moderna para “En el Amor Todo es Empezar“, na voz de Ana Guerra.

Só que no fim Explota Explota vem falar de amor em seu maior clichê, em músicas que dá para querer dançar junto com as personagens e se divertir enquanto conhece um pouco da história da televisão espanhola e sua censura, além dos programas de música rechegado de danças, que também fizeram a cabeça dos brasileiros, no melhor estilo Chacrinha.

O longa recebeu 3 indicações ao Prêmio Goya.

Avaliação: 3 de 5.

Explota Explota está disponível na HBO Max.

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