O Telefone Preto | Crítica: Ethan Hawke como sequestrador mascarado num tenso e ótimo suspense

O Telefone Preto (The Black Phone, 2022) faz um filme curioso. Um ótimo filme, mas curioso.

Seu projeto surgiu de uma hora para outra para o público e desde sua exibição no final do ano passado em um festival de terror, o filme do diretor Scott Derrickson tem movimentado as redes sociais e a comunidade cinéfila. O motivo? Durante meses foi super elogiado por quem já tinha visto e ficou com uma aprovação de 100% na plataforma Rotten Tomatoes.

E o longa conseguiu viver de hype por quase 6 meses, onde agora, finalmente, chega aos cinemas nacionais. E não é por menos, O Telefone Preto é uma ligação certa para o sucesso, num filme enxuto mas extremamente eficaz para contar essa perturbadora história. E tudo isso se dá por alguns fatores, mas principalmente pela atuação do seu elenco liderado pelo disputado (e mega talentoso) Ethan Hawke que tem tido um ano movimentado, até então, com mais de 4 projetos em 2022.

E Hawke, com sua máscara assustadora, e um incrível trabalho corporal, são a ligação que O Telefone Preto precisa para ser completada e elevar o filme entre ser apenas um longa mais contido em um verdadeiro blockbuster de suspense, e sim, entrar na minha lista de melhores do ano até agora.

Ethan Hawke em cena de O Telefone Preto
Foto: © 2022 UNIVERSAL STUDIOS. All Rights Reserved.

A forma angustiante como Scott Derrickson conta e dirige essa história é incrivelmente muito sedutora. O tom mais sombrio, o sentimento de você precisar segurar a respiração para ver o que vai acontecer e como vão acontecer os eventos em O Telefone Preto apresenta é o que dita as quase 2 horas que o longa tem. Como falamos é um longa mais enxuto, temos poucos cenários e personagens, mas aqui todo mundo dá o seu melhor… as interações funcionam entre os atores e os personagem, o texto ajuda as interações funcionaram, e o trabalho por trás das câmeras de Derrickson ajudam tudo isso a fazer o filme realmente funcionar.

Todos esses fatores se juntam numa ligação perfeita entre o que o diretor imaginou e o que ele transmite em cena. O Telefone Preto é assustador não por dar medo propriamente dito, mas pela forma com quer contar essa história, é imprevisível, é avassaladoramente tenso, é um senhor suspense com S maiúsculo. Eu sai duro da sessão de imprensa, por conta dos momentos que ficava na ponta da cadeira para saber o que ia acontecer e como, e se como, o jovem Finney (Mason Thames, ótimo), iria conseguir se livrar das garras do Sequestrador (Hawke, no seu melhor papel no ano, até agora).

O Telefone Preto tem em sua trama uma história aparentemente simples: um maluco vestido com roupa preta, a cara toda branca, uma cartola e balões (balões são o sinal que alguma coisa perversa vem aí né?) tem raptado crianças de uma cidadezinha em sua van. Suas motivações? Ninguém sabe. A polícia não tem pistas e nem sabe como ele age. Mas a comunidade local está em alerta total.

Conhecemos o jovem tímido de 13 anos, Finney, sua irmã Gwen (Madeleine McGraw, uma revelação), seu pai alcoólatra Terence ​​(Jeremy Davies) e as dificuldades que eles vivem depois da morte da mãe deles. Assim, depois de apresentados os conflitos diários que a dupla vive, basicamente a narrativa de Derrickson e C. Robert Cargill nos leva para os jovens irmãos estarem envolvidos nessa história toda.

O Telefone Preto é como se fosse uma história de João e Maria só nos dias atuais, com um toque de modernidade, mesmo que a trama se passa nos anos 70, misturada com It – A Coisa e até mesmo O Silêncio dos Inocentes, onde dois irmãos precisam enfrentar uma ameaça muito maior do que apenas traumas causados por seus pais. Tem um toque de coming of age, tem um toque mais sobrenatural, e tem momentos de investigação. É um grande combo delicioso de se acompanhar.

O Telefone Preto
Mason Thames e Madeleine McGraw em cena de O Telefone Preto.
Foto: © 2022 UNIVERSAL STUDIOS. All Rights Reserved.

O que eu mais achei interessante foi o sentimento claustrofóbico que O Telefone Preto consegue passar na medida que encontramos Finney preso no porão do Sequestrador e as regras que são apresentadas pelo personagem ao longo do filme. O Telefone Preto é como estarmos dentro de um escape room, como uma mosquinha, apenas por observar, e sem poder ajudar a pessoa que precisa sair, e claro sem termos nenhuma pista, afinal, o roteiro nos faz descobrir o plano do garoto na medida que ele começa a pensar em como ele poderia tentar escapar desse porão a prova de som.

O texto de O Telefone Preto apenas dá as informações em seu tempo próprio e muita das questões nem são trabalhadas efetivamente, o que deixa o todo o filme com uma aura de mistério muito grande. E na medida que Finney recebe a ajuda sobrenatural do tal Telefone Preto e de vozes do além que o ajudam a tentar escapar com vida, o longa vai por desenvolver sua história de uma forma angustiante, afinal, Derickson deixa claro que tudo é possível de acontecer.

Seja os poderes sobrenaturais do tal Telefone, ou os que a irmã de Finney, tem com seus sonhos para localizar o irmão, as vozes e aparições do além que tentam auxiliar Finney a escapar do cativeiro, as pistas, as reviravoltas na história, e atuação camaleoa, teatral e bem assustadora de Hawke na medida que o personagem interage com Finney num verdadeiro jogo de gato e rato de prender a respiração.

Não propriamente um terror, e sim um ótimo suspense com alguns jump scare aqui e ali e passagens intensas, O Telefone Preto mostra que a Blumhouse continua a ser um dos melhores e mais interessantes lugares para produções do gênero e desse estilo. E no final, o que temos aqui é um filme que fica na sua cabeça por martelar e martelar por conta da trama, da história e claro das atuações formidáveis desse elenco.

Avaliação: 4 de 5.


O Telefone Preto chega 21 de julho nos cinemas com sessões de pré-estreia pagas já no dia 14 pela Universal Pictures.

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