Morbius | Crítica: Não tão ruim como parecia ser, só que também não é bom

Com a chegada de Morbius (2022) finalmente o Universo do Homem-Aranha na Sony Pictures continua a expandir, depois de dois filmes focados em Venom de Tom Hardy. Mas trazer esse personagem B (eu diria até C) dos quadrinhos do Aranha para a telona será que foi uma boa aposta? Bem, eu diria que foi *uma aposta*. Eu diria que a Sony Pictures joga arriscado e trabalha com o arsenal de personagens da Marvel que tem à disposição. Deu certo (financeiramente) com Venom, certo? E Abril é um mês um pouco aparado, onde é cada estúdio por si, numa batalha sangrenta (desculpa o trocadilho!) pela atenção do público antes que o Doutor Estranho chegue em cartaz.

E com Morbius, fica claro que é preciso mais de um nome de peso, e um selo Marvel (que se você prestar atenção nem aparece direito nos letreiros iniciais com cor neon e muito parecidos com Stranger Things) para fazer um filme dar certo. É como se tivéssemos Kevin Feige por sussurrar “com esse brinquedo eu não brinco Amy Pascal”. Mas a pergunta que não quer calar: Morbius é tão ruim assim como pintou a imprensa americana? Não é não. Claro, também a régua estava lá embaixo, então quando o filme acerta, em poucas situações que falarei abaixo, você até se surpreende.

Mas quase 80% são erros que fazem Morbius infelizmente não ser um bom filme. É um assistível, sem dúvidas. Diríamos que em parte divertido em alguns momentos, eu esbocei uma ou duas risadas aqui e ali. Mas em boa parte é um desperdício de atores e de tramas.

Seja por conta da edição picotada  que parece tirar cenas fundamentais para o entendimento da trama – que sabemos que existem por que elas estão nos trailers – ou por conta do roteiro da dupla Matt Sazama e Burk Sharpless (eles cuidaram do Power Rangers de 2017) que perdem oportunidades valiosas em criar em Morbius tramas no estilo O Médico & O Monstro que super poderiam dar certo se feitas corretas e com tempo para serem desenvolvidas propriamente. E não só para o personagem do ator Jared Leto, mas para o filme de maneira geral. Aposto que a dupla vai assistir Cavaleiro da Lua com muita atenção para tirar uma dicas.

Morbius apresenta a figura do Dr. Michael Morbius (Jared Leto) esse médico com uma doença super rara e que se torna um especialista em sangue. E na busca por uma cura ele encontra alguma coisa pior… uma sessão de Morbius. Não pera…. O começo apressado de como ele chegou na caverna chamada de Cerro de la Muerte, lá na Costa Rica, os flashbacks quando criança na Grécia, e toda a história da recusa de um prêmio Nobel fazem o espectador parecer que foi jogado no meio do laboratório cheio de morcegos onde informações são despejadas para nós muito rápido. Ao mesmo tempo que o sentimento de pressa é sentido no filme por conta de passagens muito rápidas, afinal, o Dr. Morbius tem as poucas horas com seu suco mágico de sangue sintético para o deixar “calibrado” e que impedem dele se transformar em um monstro de efeitos visuais, outras cenas demoram para se desenvolverem como é o caso de toda a sequência no navio cargueiro que tentam recriar um sentimento de tensão e de suspense.

E aqui Leto faz o que sempre fez de melhor (talvez não sempre o seu melhor visto que seus filmes tem amargado baixas recepções depois que ele levou o Oscar), mas em Morbius o ator entrega, a figura atormentada, frágil, mas super inteligente é dividida em tela com a figura sarada, veloz, com um olhar feroz e outras habilidades sobrenaturais. O trabalho corporal que envolve as duas faces humanas, mais a face monstruosa acaba por ser um bom trabalho de Leto no quesito e talvez a melhor atuação do ator nos seus três projetos recentes (Casa Gucci e WeCrashed).

Mas quem realmente comanda o filme é Matt Smith. Aqui, o ator se mostra mais uma vez um camaleão, igual Leto, e realmente entrega as melhores passagens dramáticas sem dúvidas. É como se Smith fosse o palhaço do morcego de Leto, num paralelo com outro filme sobre morcegos que está em cartaz.

O mesmo não dá para dizer de Jared Harris completamente deixado de lado pela história e com um papel que poderia ser maior e mais importante e Adria Arjona como Martine Bancroft, que mesmo que não tenha sido 100% deixada de lado como o interesse amoroso parece que apenas serve em Morbius para orbitar Leto em seus momentos no laboratório e nos momentos finais.

E nem vou me alongar para falar da dupla de detetives do FBI formada pelos atores Tyrese Gibson e Al Madrigal em Morbius. Os piores dois detetives do FBI dos últimos tempos. E pergunto: Para que colocar uma cena com um deles chamando um gato ao agitar o pote de comida? Enfim, muitas escolhas foram tomadas pelo diretor Daniel Espinosa. nesse filme. Foram as melhores possíveis? Definitivamente não. 

No final, com Morbius, até sinto falta quando apenas tínhamos Venom para malhar dentro do Universo do Homem-Aranha na Sony. Nem mesmo as cenas pós-créditos compensam o tempo gasto com o filme, como foi em Venom: Tempo de Carnificina. O estúdio tem ainda três personagens do Universo do Aranha para serem introduzidos. Quem sabe com o terceiro temos tenhamos mais sorte. É o ditado “Third time’s a Charm.”

Avaliação: 2 de 5.

Morbius em cartaz nos cinemas.

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