Elvis | Crítica: Um estouro visual e musical marcado por cativantes atuações

“If you’re looking for trouble. You came to the right place.” E a cinebiografia do cantor Elvis Presley chega para movimentar Hollywood em mais uma etapa dessa onda que tem pego o mercado com produções sobre a vida de lendas da música. E uma das mais acertadas.

Com a direção efusiva e um ritmo frenético, o diretor Baz Luhrmann usa o contexto que os EUA viviam, e um dos nomes que ajudaram (ou não!) Elvis a alcançar o estrelato, para nos contar essa história. É um conto pelo olhar do empresário do cantor, um ótimo Tom Hanks, e o que o faz de uma forma moralmente duvidosa e definitivamente nos entrega um narrador nada confiável.

E o que acaba por dar um diferencial para a produção que nos agracia com técnicas visuais de tirar o fôlego, passagens dramáticas de impressionar em termos de atuação, e claro, um sentimento que Elvis (2022) entrega um filme à altura do que foi o cantor e seu legado.

E com um apelo visual incrível para contar essa história, desde das cores marcantes que pipocam em tela, o jogo luzes que inundam diversas cenas, e tudo mais, Luhrmann nos conta os altos e baixos da carreira do cantor. E assim, a direção de Luhrmann com todas essas questões mais técnicas nos ajudam a compreender essa trajetória de quase 20 anos e a relação entre Elvis e seu empresário.

Austin Butler em cena de Elvis
Foto: Warner Bros. Pictures


E muito do show que Elvis se apresenta em tela, se dá pelo cativante trabalho do ator Austin Butler. Do olhar penetrante, aos movimentos pélvicos que representam tão bem a figura de Elvis e como ele conseguiu conquistar uma legião de fãs (e também de inimigos!), Butler se transforma e entrega uma atuação memorável como o cantor, sem dúvidas. Assim, aliado com a performance de Butler e com o trabalho minucioso e incrivelmente chamativo de Luhrmann é que fazem de Elvis estouro visual e musical num dos filmes mais caprichados do ano.

E claro, ao focar o filme na dinâmica entre Tom Parker (Hanks) e Elvis (Butler), Luhrmann precisa de tempo, mais de 2h30 para sermos exatos, para fazer o espectador entender como funcionava essa relação, e claro, ver como diversas decisões da carreira do cantor foram tomadas por conta das coisas que Parker matutava nos bastidores.

Elvis coloca Parker na figura do vilão da trama, na medida que o personagem, e Hanks, conversam com o espectador sobre como essa figura astuta e escusa conseguiu criar um dos maiores nomes do cenário musical do século passado. E com isso, a história de Elvis é contada desde de sua infância do cantor, quando o jovem se mudou para uma comunidade pobre depois que seu pai teve problemas com a polícia.

Das influências com as músicas e as melodias da população negra do local, até a relação com a mãe Gladys (Helen Thomson) que dão o tom para início do filme, e guiam a jornada mais dramática do início da carreira do cantor, o filme mostra como Parker viu na figura de Elvis uma possibilidade de ganhar muito dinheiro e levar uma quantidade de pessoas com tíquetes pagantes para os shows itinerantes que ele conduzia com outros artistas que começam a dar espaço para o jovem cantor ganhar mais destaque e aflorar.

A cena que Parker e Elvis fecham um acordo na roda gigante é o ápice desse começo. E como falamos, Elvis dá muito certo por conta do árduo e primoroso trabalho de Butler como Elvis e de Hanks como Parker.

Tom Hanks e Austin Butler em cena de Elvis
Foto: Warner Bros. Pictures

Desde da primeira cena mais intensa e em cima do palco, com um chamativo terno rosado, onde Elvis captura a atenção, e o coração das fãs, fica claro que Butler será uma força sem tamanho que vai segurar o espectador na ponta da cadeira toda vez que o ator abre a boca e começa a cantar e dançar em tela. E tudo em Elvis ajuda Butler a criar a persona que o longa entrega…. da sua própria atuação, da maquiagem, dos figurinos do período (o longa definitivamente merece uma indicação nessa categoria técnica) e tudo mais. 

O longa também sabe também conciliar os eventos que marcaram a trajetória da vida e da carreira do cantor com a trama das tramóias de Parker que ficam quase como um respiro para tudo mais energético que acontece no filme, mesmo que em alguns momentos soam um pouco mais irrealistas demais, mas acabam por fazer parte do ar um pouco mais fantasioso que Luhrmann dá para o longa.

Da fase rebelde de Elvis, onde ele enfrenta um grupo conservador e se apresenta em um comício da forma como sempre se apresentou e nada do Novo Elvis, em um dos pontos altos de sua carreira (e do filme), passando pelos anos no exército onde ele conhece sua esposa Priscila (Olivia DeJonge), até mesmo para a ida para Hollywood, a carreira nos filmes, e o especial de Natal já nos anos 60 com mais um ato de rebeldia de Elvis contra Parker ao lado do diretor Steve Binder (Dacre Montgomery), tudo isso, serve para desembocar a trama para o arco narrativo final que é a ida para sua residência em Vegas no cassino que é o ápice das falcatruas de Parker contadas no longa e que mostra como tanto a carreira (preso com Parker e seus contratos) como a vida pessoal (as substâncias ilegais, a bebida, a relação com as fãs e o ego feriado) já não andava tão bem. 

Mesmo longo, Elvis acaba por ser um filme bem dinâmico ao explorar os diversos anos que o filme compreende. E também pelo fato que Luhrmann consegue incluir no contexto da trama as mudanças sociais que os EUA passaram, e navega por esses anos através do prisma dos Anos Elvis de uma forma muito interessante de se acompanhar e sem deixar de frisar como o cantor foi uma força da natureza e os motivos que o fizeram ser um dos maiores artistas americanos.

Coisa que no final, ao assistir o filme, fica claro que Elvis viverá para sempre.

Avaliação: 4 de 5.


Elvis chega nos cinemas nacionais em 14 de julho pela Warner Bros.

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