O que mais se destaca aqui em Assalto à Brasileira (2026) é ver o jeitinho brasileiro faz parte dessa história e como é elevado ao máximo para ajudar a contar os acontecimentos dessa comédia. É como no meme: Finalmente temos histórias de brasileiros trambiqueiros; ninguém aguenta mais só história de brasileiro sofrendo, queremos mais brasileiros assim, empinando moto, dando tiro e etc.
O mais surreal desse longa é como tanto o texto L.G. Bayão (Aumenta que é Rock and Roll), quanto a direção de José Eduardo Belmonte, aliado com as boas atuações de todos atores, mostra que todo mundo entendeu a surrealidade dessa história e utilizam de forma bem-humorada as loucuras e o tom nonsense para contar o maior assalto que aconteceu na história do Brasil.
É isso: pesquisem “assalto londrina anos 80″ no Google e se divirtam, já que Assalto à Brasileira nada mais do realmente isso: uma diversão que lança um olhar extremamente brasileiro para uma história que não perde em nada para nenhuma americana em termos de narrativa, de elenco (que está excelente!), de figurinos e de caracterização.
Claro, tem alguns altos e baixos, semelhantes à oscilação da moeda brasileira no período, mas nada que impeça de você sair da sessão com a sensação de que viu um bom filme sim.
Se a história é o fator número 1 que proporciona curiosidade para Assalto à Brasileira, o elenco é o número 2. Todos estão bem. Mas o destaque fica com Murilo Benício como Paulo, um jornalista que vê uma matéria cair no seu colo quando está na hora certa no lugar errado, é a comprovação do timing cômico que fez o ator explodir em Avenida Brasil, ainda está nele e agora em outra mídia. Paulo e Tufão têm seus paralelos aqui, mesmo que o jornalista seja infinitamente mais inteligente que o ex-jogador.
Se foi um trabalho de improvisação ou apenas um fruto de muito ensaio, não dá para saber, mas Benício rouba todas as cenas que aparece. A forma como Paulo usa a lábia para tentar negociar com o comandante Fonseca (Paulo Miklos), não só para tentar sair vivo da situação de reféns em que é colocado quando um grupo resolve invadir e assaltar a agência onde ele tentava sacar a rescisão, é divertidamente maravilhosa de se assistir.
E se a polícia não sabia como lidar com esse grande assalto, cheio de reféns e com quantidades surreais de dinheiro pedidas, os bandidos muito menos. E isso fica claro, quando esses criminosos ficam nas mãos dos ótimos Christian Malheiros como Moreno e Robson Nunes como Barba que dão vida a essas figuras de personalidades opostas e que demonstram saber menos que zero o que tinham que fazer no dia do assalto. E antes, durante e depois.
As dinâmicas de poder ao longo do dia e a forma como Paulo tenta orquestrar a melhor saída para todo mundo ditam o tom do filme, prendendo a atenção de quem quer saber o que vai acontecer e como as coisas vão se desenrolar. Assalto à Brasileira ainda coloca diversos outros personagens coadjuvantes que dão ainda mais tom mais cômico para essa história e que vão desde um bandido de bom coração (Matheus Macena), para os funcionários do banco (Hugo Possolo, Yohama Eshima) que em um determinado momento até ajudam os bandidos a contarem as notas para os clientes (Fernando Mais, Luiz Thunderbird) do local que estavam ali, cada um tocando suas vidas, e que se vem no meio do caos e que tem histórias paralelas interessantes e que se contadas aos poucos na história.
Esses personagens têm piadas que se repetem ao longo da história, quase como esquetes, e respiros, mas que funcionam no meio das patifarias e doideiras que a história propõe. Fica claro que o humor aqui serve para pontuar o quão inacreditável foi tudo: desde as exigências e as negociações até a cobertura da mídia para o caso, inédito até então no país.
Das cenas dentro da agência com os ânimos exaltados em alguns momentos e depois em clima de comemoração,passando pelos planos secundários da polícia com o governador (Augusto Madeira em boa participação) e até mesmo toda a história de fundo de Paulo com a esposa (Fernanda de Freitas), é como se muita coisa estivesse rolando ao mesmo tempo, dando uma certa sustância para a narrativa, que flui bastante na medida em que os eventos se desenrolam. E quando a trama deixa a agência e ganha ares de superprodução gringa, Assalto à Brasileira continua a fazer o que fez até então: entreter.
No final, Assalto à Brasileira não é só um olhar para uma história nossa, brasileira, como também uma análise de um período histórico pouco lembrado pela geração atual. Um registro hilário, quase inacreditável e extremamente bem contado, principalmente quando vemos as cenas reais e as figuras reais com quem passamos algumas horas passar nos créditos finais, onde se percebem mesmo que poucas foram as liberdades tomadas aqui. O que aumenta ainda mais a sensação de divertimento com o filme.
Assalto à Brasileira chega em 05 de novembro nos cinemas nacionais.
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